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8 de junho de 2017

não mandem flores para as crianças

peter O sagae


Vasculhando os livros guardados na memória, não encontro antologias que falem de flores para crianças, integralmente, fora um ou outro poema de exceção que não insista em suspirar a pétala perdida com a cor de rosa da infância ou repetir rimas óbvias por entre ingênuas borboletas, cores e olores. Realmente é uma temática difícil, quando pensamos que a generalidade das flores se tornou arranjo ou objeto de contemplação, símbolos de alegrias e desastres amorosos, inspirando bem poucos versos animistas, amigos, animados. Realmente, pensemos, para quê mandar flores para as crianças?

Claramente não concordo com o que diz o título dessa postagem, apenas sinto realmente um vazio de referências e corro aos livros que dormem na estante. Vez ou outra abro UM POUCO DE TUDO, de Elias José (1982), e encontro UM POUCO DE FLORES, em diálogo bem humorado com o leitor – a hortênsia, rainha da paciência, toda gordura, a triste violeta, a rosa que não é flor para qualquer poeta, o girassol aluado e as algas que embalam as criaturas do mar. Também tomo o irregular POETANDO FLOR, de Lúcia Pimentel Góes (1991), como um ramalhete de experimentações com a sonoridade e a espacialidade das palavras na página.


Uns vinte anos passariam para podermos colher e ouvir as CANTORIAS DE JARDIM, de Eloí Elisabet Bocheco com ilustrações de Elma (Paulinas, 2012). O livro traz temas e formas inspiradas na poesia de origem folclórica – quadrinhas e jogos dialogados, principalmente – junto aos textos que nascem na cabeceira ou na escrivaninha, entre a visão e a escrita particular da autora. São diferentes aromas que se mesclam nesse jardim de palavra e brinquedo.


Tem origem na fala popular os poemas dedicados às flores de nome e aparência às vezes mais simples, como camomila, margarida, cravo e rosa de todas as cores, açucena, jasmim branco, flor-de-maio e palma-flor – com um pé fixo nas cantigas e nos recortados das cirandas. Com a forma característica da trova, ocorre volta e meia a justaposição de dois versos iniciais com outros dois que vêm assinalar uma ruptura temática, mas também o forte paralelismo tão comum aos jogos da memória e do improviso. A terceira estrofe do primeiro poema, nesse sentido, é exemplar:
“O fogo quando se apaga
na cinza deixa o calor.
Camomila quando balança
esmalta o chão de flor.” (p.07)
Daí encenar o diálogo, como:
“— Rosa encarnada,
quem te incendiou?
— Foi o sol nascente
que aqui chegou.” (p.12)
Ou então fazer um cruzadinho com as figuras nos dois primeiros versos para fechar os dois últimos com uma provocação:
“Flor-de-maio no canteiro,
passarinho na janela.
O que espera, passarinho,
para beijar flor tão bela?” (p.38)
Da inspiração enraizada no folclore, passamos a ouvir cantorias da música popular brasileira. São três ou mais homenagens. O eu-lírico de Eloí Elisabet Bocheco diz assim: “Este lírio quem me deu foi Yara” aludindo à ciranda de Lia do Itamaracá; no mesmo poema, sai um verso, sai uma quadra inteira, para os irmãos Tonico e Tinoco:
“Sereno caiu no lírio
Sereno deixa cair
Sereno da meia-noite
faz tempo que foi dormir.” (p.24)
Talvez alguém se lembre ainda de uma marchinha de 1939 composta por Benedito Lacerda e Humberto Porto, A jardineira, ao ler o poema que fala da camélia que suspira no galho. Segundo Eloí, cai orvalho, cai perfume, cai nosso coração no laço, mas a flor continua lá, branca, roxa, arco-íris e luar... A ilustração de Elma, nesta abertura de páginas, dá conta de mostrar como as flores se animam e se agitam com asas de elfo, jeito de fada, cara de sílfide – uma alma, uma criatura florida é, ela mesma, a jardineira com regador na mão e a flor.


Em outros poemas, o ouvido sonoro da autora se distrai com ecos – e as marcas da poesia popular vão se diluindo. Estou a ler e a reler o tremor da hortênsia, o jasmim sonhador, delicadas as begônias, a petúnia breve e o hospitaleiro amor-perfeito. Se eu fosse um peixinho, talvez usasse apenas o verbo no pretérito imperfeito, porém morava num lugar onde vivem os sábios insetos – a borboleta, o grilo, a joaninha e outros, um lugar onde parece existir um “único amor sem defeito”.

Por fim, é preciso colher flores que nascem da experiência com a linguagem escrita, em que a estrutura e a divisão em estrofes mostram-se em formas variadas, com ritmos e dizeres também variados. É o caso dos poemas “Rei do jardim” e “O preferido” que dividem a mesma abertura das páginas em espelho; “Qual é a flor?”, pergunta Eloí, que são contas azuis, colares de luz, fino bordado... Temos aí nomes que deixo para o leitor descobrir.

Há ainda “Viva a sempre-viva!” que brinca com repetições de palavras e o deslocamento delas sobre o eixo sintagmático dos versos, por isso, o efeito venha a soar mais frio ou calculado do que todos os demais. Eixo sintagmático, eu sei, soa igualmente estranho e nem se preocupe se agora você não entender. É um festim de palavras pra lá e pra cá, lembrando cantorias da Tropicália em seus momentos de exaltação. É preciso estar atento e forte (porque) a sempre-viva só tem cores vivas!

E quase me esqueço do copo-de-leite em duas quadras que falam do luar e mereciam realmente o branco mais branco de uma página quase silenciosa de ilustrações. Ponto alto, no entanto, para quem conheceu Eloí cronista e tecelã de casos fantásticos nas colunas do jornal, é o poema que narra como surgiu a violeta: uma história que o eu-lírico traz gravada nas linhas da mão, uma história leve que fala de um velho profeta penteando as longas barbas na janela do céu, e fala também de um vento forte, de um riacho e seus peixes, de uma catadora de sementes e gotas, muitas gotas.


CANTORIAS DE JARDIM, o livro, tem projeto gráfico de André Neves. Muitas vezes as páginas funcionam em um ritmo quaternário, isto é, a cada duas aberturas, a ilustração impõe uma breve narrativa visual. Após a folha de rosto e o índice que trazem flores de pétalas brancas e miolos amarelos, vemos uma página sem desenhos e mais outra com duas dessas flores ao vento, emoldurando o primeiro poema; são flores de camomila ou são margaridas que se apresentam ainda na abertura seguinte, já o fundo amarelo, onde um personagem com pétalas e asas permanece em pé sobre o miolo da flor. Outro flagrante é a sequência pp.20-23. Elma desenhou um jardineiro com um imenso balaio às costas, caminhando da esquerda para direita, olhando rumo ao poema “Delicadas” – e viramos a página para encontrá-lo ao pé da namorada com um buquê de hortênsias nas mãos.

Outra narrativa também se revela nas imagens de Elma. Na abertura das pp.34-35, flores de jasmim-manga decoram os poemas “Petúnia” e “Jasmim”. Sentada à beira do rio que parece transformado em lagoa, uma menina de vestido azul e pássaro na cachola. Você pode dizê-la com nome próprio – Petúnia. Ou ler seu gesto de Ofélia, ou desconfiar que seja uma ninfa – Eco, enamorada de Narciso, invisível ao olhar e ao reflexo que deita na água.


Ora, não mandem flores para as crianças.
Elas poderão gostar.

23 de agosto de 2014

o caminho das pedras

Peter O'Sagae


A pedra possui um forte simbolismo e quase não há escritor que escape a seu apelo. No livro A CIDADE DOS CARREGADORES DE PEDRAS, de Sandra Branco, com ilustrações de Elma (Cortez, 2008), desde o título já se adivinha o peso da metáfora, na tradição literária e oracular, como um fardo difícil que se carrega às costas. Na cidade onde Pedrinho nasceu, era natural ver as pessoas carregando pedras: algumas com devoção, outras com pena de si; a maioria com o esforço próprio, mas outras passando a responsabilidade adiante... E não faltavam aqueles que escapavam a levar apenas algumas lascas de pedra – julgando-se espertos, sem se aperceberem que o acúmulo também lhes traz o preço incômodo dos caminhos a pagar.


Pedrinho se impõe a pensar – quem foi o primeiro homem a carregar pedras? E por que todos deveriam levar seu peso vida afora? O narrador da parábola atualiza a lição na voz de um personagem apresentado como o velho e sábio senhor Pedroso que trabalhava na pedreira da cidade. Tudo é, então, muito bem explicado, pedra sobre pedra, sem espaços para as inferências do leitor. Rompendo pedras, quebrando a tradição, as pessoas passaram a crescer sem os sentimentos do medo e da culpa, um pouco mais leves e felizes.


Em outro livro para crianças, perguntas também ocupam o pensamento da personagem Mariana, uma menina de olhos azuis como muitas outras meninas de olhos de outra cor, sempre feliz, iluminando a vida dos adultos desde o seu nascimento. Até que... Chega a idade dos porquês, cujas explicações quase sempre dão ensejo a terminar com um desabafo peremptório da criança – “Não é justo!” Em A PEDRA DO CONHECIMENTO, de Sergio Napp, com ilustrações de Anelise Zimmermann (Paulinas, 2010), o escritor tem enumerado pequenas peripécias domésticas no cenário rural dos pampas e conduz Mariana a um riacho de águas claras, onde fortuitamente encontra uma pedra de forma ovalada com vários tons de azul – um pedaço de céu que caiu na Terra, assim imagina a menina.


A pedra do conhecimento transforma-se em uma espécie de talismã para resolver qualquer mistério que houvesse no caminho de Mariana. Contudo, isto é um despiste que o narrador espera que o leitor descubra: não está na pedra o poder, mas no olhar de quem a segura – um olhar que vai além, que perscruta, que não se conforma...

“Cabe a cada um escolher o que fazer.” Esta é a palavra de toque de Tino Freitas, a última frase do livro KURIKALÁ E AS TORRES DE PEDRA, que conta com as ilustrações de Lúcia Brandão (Salamandra, 2014).


O menino Demócrito Kurikalá é um dos muitos brasileiros mestiços: filho de homem branco e mãe indígena, vivendo ainda em um pedaço de chão karajá sem energia elétrica, afastado dos divertimentos pela televisão e a internet. O seu olhar aprofunda-se pela mata do cerrado e através das histórias que sabe o avô – e a vida, assim pertinho das águas frias do Rio das Almas, vai se preenchendo de significados.

A mãe faz bonecas de argila para vender na cidade e, no caminho... As pedras do caminho pedem o calor da mãos de Kurikalá, e o menino vai construindo pequenas torres equilibrando pedras por onde passa. É essa toda a sua natureza: semear diferenças, como se estivesse brincando. Mas, não está! Tino Freitas soube tirar proveito de um universo interior em construção em que a atividade de trabalho funde-se a uma forma de razão e alegria moral. É assim que o menino faz a sua parte – e ainda que venham outras crianças de outros lugares com outras visões de mundo, por curiosidade ou ignorância, destruir o caminho que só ele soube escolher –, Kurikalá retoma o equilíbrio entre as torres, pousando pedra acima de pedra, sem peso algum.


26 de março de 2014

imagens de mar e ar

peter o.o sagae


Ana Maria Machado estava a contar... Um elfo que não era apenas ares e asas, mas possuía toda a curiosidade sobre as pedras preciosas que pudesse encontrar. Uma libélula contou a ele dos restos de um barco náufrago na areia: quais tesouros poderia lá encontrar?


Encontrou uma caixinha de madrepérola e coral e dentro dela... Uma sereia a cantar e a chorar a sorte como um peixe fora da água. “Por favor” a sereia sussurrou, “ponha-me de volta no mar antes que outro sol nasça.” Mas o elfo já não podia, sereias têm encantos.


“Você é a joia mais rara e preciosa que já vi, o tesouro mais brilhante que já piscou para mim, e canta a canção mais suave que já visitou meus ouvidos.” 

A frase flutua, entre ondas de páginas e luas do livro O elfo e a sereia (1982), em sua quinta edição com imagens sopradas por Elma (Global, 2010), para a epígrafe que Adriana Lisboa escolheu para A sereia e o caçador de borboletas, com ilustrações de Rui de Oliveira (Rocco, 2009).


Adriana (de Lisboa?) veio contar de uma embarcação que, há trezentos anos, deixou o porto ao norte de Portugal. Entre os tesouros que transportava, o mais valioso era a esperança de voltar à casa, às areias, aos braços das mulheres... No entanto, um boato incomodava os marinheiros com a velocidade do silêncio. Eles só conseguiriam regressar, quando dois mundos encontrassem...


Como peixe e pássaro, finas escamas e leves penas, as asas do azar, outra vez, sobrevoam as lendas inventadas pela literatura para crianças.

27 de outubro de 2011

na poesia do vento

peter o’sagae


Creio haver certa redundância em afirmar que possui magia e liberdade um livro de imagem. Às vezes, no entanto, é preciso recorrer ao fértil campo do exagero e da repetição para que uma ideia adquira sentido, caminho, rumo, direção... Porque uma felicidade tal sopra-nos o VENTO, da imaginação de Elma (Global, 2008), levando-nos além, leve, longe, lá onde as palavras ainda não eram o que hoje vieram a ser ô.ô

Livro de imagem, livro de liberdade – por que não? Imagem, palavra feminina que aporta na língua portuguesa pelo francês, image, é o que dizem... do latim nominativo, imago, correspondente para o grego eidos, ideia, sem ou com acento, gráfico e agudo: idéia, escrita assim me parece bem mais bem feita, com sua própria emanação radiante, pois um brilho é... Imagem de uma longínqua família proto-indo-europeia, *magh-, cintilando em palavras como magia, mago, máquina, mecânica, maquiagem, imaginação, imagem, com o sentido primitivo (quando os significados ainda não se separavam tanto) de ‘emancipar-se’, libertar-se das coisas próximas, concretas, opressoras... ô.ô Voar!


Taraxacum, taraxacum, esperança é também nome de flor, o vento sopra amor-de-homem e, pelo caminho gramado, a lavadeira leva os filhos na bacia cheinha de roupas e travessuras. Desce, desce, a ladeira, o inclinado terreno, a lavadeira de cabeça ereta. Mas o vento vem e as crianças... leva, voo pássaro flores crianças sorridentes sol céu dentes-de-leão vento sem fim, folhas vermelhas nos galhos das árvores têm bico, patas e rabicho de pena, têm. Pássaro, o vento voa! O que é pesado se eleva, elefantes: elevadores coloridos e, de uma ponta a outra, o trabalho se estica: varal aberto na manhã de sol. Avoa, flor, sonhos, taraxacum, taraxacum, lá vai a lavadeira pelo caminho!


Onde está o começo e o fim dessa história soprada por Elma? Este é um livro de imagem que se mostra em três níveis de articulação: uma narrativa sucessiva, com fatos expostos em sequência, mas sem conexões causais explícitas; uma narrativa espacial, na medida em que a última imagem virá coincidir com a primeira numa clara-declaração da circularidade da história: a lavadeira repete todos os dias o caminho, ou há aí um intervalo de sonhos das três pequenas crianças? Da estrutura que rompe a linearidade, vemos talvez um poema de sugestões narrativas, como uma descrição qualitativa de ações possíveis em torno de uma cena. Aventura imagética em que cada detalhe evoca e desperta (novas idéias: imagens) ô.ô

Vento!
Vendo

no vento da leitura

dobras de uma oficina


Na mais doce tranquilidade, Virgínia caminhava pelo campo, como de costume. O canto dos pássaros, a brisa suave balançando as folhas das árvores e as flores... Sobre a cabeça, a mulher carregava uma bacia com seus três filhos. Enquanto caminhava, as crianças brincavam ao vento, observando os movimentos de um pano... no ar! De repente, as crianças foram levadas. Livremente, virando cambalhotas, felizes, elas brincavam cada vez mais longe, levadas, levadas pelo vento. Até que surgiram várias árvores cobertas de passarinhos, onde as crianças tentaram se agarrar. No entanto, um vento mais forte levou as crianças adiante...

** Vera, Maristela, Andréa, Gabriela e Vanessa


Rosa desce a ladeira, leva na cabeça uma bacia com roupas e seus três filhos, ali à espreita. Com o soprar do vento, uma toalha voa e as três crianças lançam-se junto à brincadeira. Livres, leves e soltas vão para a fantasia. Sentem-se voando felizes por entre flores, árvores e pássaros. Delicadamente embaladas pelos pássaros, chegam a um lindo tapete verde florido. Mas... Oooh! É o lombo de um elefante verde! De lá, escorregam pela tromba e brincam entre os grandes animais coloridos. A mamãe entra na brincadeira e encantada assopra uma flor. Num piscar de olhos, Rosa está pendurando as roupas e as crianças num varal. Que estranho! Elas acordam assustadas, mas percebem que ainda estão na bacia que está sobre a cabeça da mãe seguindo, caminhando, descendo a ladeira...

* Daise, Dário, Ilse, Neusa, Sabrina e Sandra


Dois registros de leitura produzidos a partir do texto de Elma: VENTO (Global, 2008), realizados na oficina À Leitura dos Livros de Imagem, durante o I Encontro para Formação do Professor-Leitor, em Picada Café, abril de 2009.

9 de dezembro de 2010

um trem de sons, palavras e imagens

encontre aí o seu vagão – 1/4


Em 1936, partiu o primeiro café com pão: era e ainda é Manuel Bandeira, com seu “Trem de ferro”, na antologia Estrela da manhã. Tom Jobim, 50 anos depois, musicou o poema. De fato, “Sem ver / o trem / não fica / ninguém.”, escreve José Carlos Aragão, manteiga não, no livro Trem chegou, trem já vai (Paulinas, 2003) que Elma ilustrou — por entre territórios de poetas notórios, crianças brincam e viajam na velha-nova poesia.


Dá Bandeira, dá Ana Maria (Machado) no livro Um pra lá, outro pra cá (1985) re-editado com ilustrações de Elisabeth Teixeira (Moderna, 2008). Passam pelo livro paisagens familiares daquele Brasil idílico, calmo, rural, passarinho, passaredo, passarada. E faço coro: “Olha essa jaca, essa jaqueira, / Olha essa imensa ribanceira...” Fruta de qu’eu gosto, miolo doce de sol.


Passa o mundo na janela, passa o mundo tão depressa — e o que vemos é voar uma casa, galinhas, montanhas, cabrito. Parece até que o trem é esquisito, aposta Cláudio Martins com os versos e desenhos de seu livro O que o trem tem? (Positivo, 2009). Fica então aquela dúvida: autor é tudo doido, ou o que muda mesmo é o lado de olhar? Ara, adivinhem... “Ficou só um passarinho / paradinho lá no ar.”


paragens na ilustração

encontre aí o seu vagão – 2/4

Elma com José Carlos Aragão,
Elisabeth Teixeira com Ana Maria Machado,
Helena Alexandrino com Sidónio Muralha...

“Uma paisagem sem trem
é pobre como uma paisagem sem vaca.”




Somente um incrível romance sob as estrelas justificaria porque O trem chegou atrasado, história de galanteios e inspirado non-sense de Sidónio Muralha, ilustrada por Helena Alexandrino (Global, 1998). “Fez tu-tu, tu-tu e partiu, sonhando com o casamento e com os filhos, trens pequeninos, todos malhados, com orelhas de vaca. Malmequer esperou que ele desaparecesse e foi para o estábulo, pensando também no casamento e nos filhos, bezerros robustos, soltando fumaça pelas orelhas e fazendo tu-tu nas curvas da estrada.”

porque o livro tem paisagens, recantos e dobras

encontre aí o seu vagão – 4/4

“Passa a ponte, passa o rio, passa a fonte, passa a mil”, no trem que não vai, pois já volta: Lá vem o trem...com Nara Salamunes e a visão aérea de Giselle Vargas (Módulo, 1998).

Romance ao fundo, coelho que salta a moldura. É Helena Alexandrino.

“Vem vindo o trem.
Vem rindo o trem,
feliz que vem:
vem nele o meu bem”,
escreveu José Carlos Aragão, ilustrou Elma.

9 de setembro de 2010

Nenhuma palavra vale a pena

Dobras da Leitura recebeu...

De Edith Derdyk, O colecionador de palavras (Editora 34, 2009), original de 1986; O homem que punha palavras nos pássaros, de Julian Borra, trad. Patrícia Levy Simões (Biruta, 2008); e Menina Palavra, de Lúcia Fidalgo com ilustrações de Elma (Paulus, 2007).

6 de maio de 2010

Histórias na areia



Vitrine Express, por Peter O’Sagae



A MENINA E O MAR, de Marta Lagarta e Elma (Salesiana, 2007), 2.ed. ilustrada por Andréia Vieira (Edebê, 2014). Toda tarde brincando, correndo leve e escrevendo na areia: entrar na água Mariana não vai, não. Nem para molhar a pontinha do pé! A avó bem que insistia, mas a menina inventava, a cada dia, a cada convite, uma desculpa — água gelada me deixa gripada, água quente me dá dor de dente... Estou cheia de areia, não quero sujar o mar. Apenas o carinho, tão sempre paciente, vai levando de mansinho Mariana ao mar e o medo todo para sempre embora, num ritmo muito meigo do texto e das ilustrações em ondas e marolas.


UM MAR DE GENTE, de Ninfa Parreiras e Suppa (Girafinha, 2008, 2.ed. 2014). Na primeira vez que foi à praia, a imensidão movimentou os pensamentos da menina. Onde está o fim do mar? E o que há de existir depois do fim? Ela pensava segredos e pensava sem-fim nas coisas que ali conhecia: o espelho das águas, o cheiro da maresia, as formas na areia, pessoas tão diferentes entrando e saindo do mar! Num vai-e-vem de ondas, o texto descreve impressões e mergulha o leitor em pensamentos atentos; a ilustração banha-se de sol e do silêncio das imagens para olhar e fazer passar um mar de gente.


DA MINHA PRAIA ATÉ O JAPÃO, de Márcio Vassallo e Bebel Callage (Global, 2010). O pai do menino cavava um buraco na praia para chegar ao outro lado do mundo, também inventava tantas outras aventuras. O menino na areia e no mar invadia histórias heróicas, em navios que desbravam distâncias sem sair do lugar, atrás de tesouros em pinças de caranguejo, aprendendo a ver as horas pelo relógio do sol... Cavando a memória em tom de crônica, o escritor encontra ainda hoje a convivência profunda nos olhos de seu pai.

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