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29 de novembro de 2015

Domingo eu vou.

Peter On Instagram


Domingo eu vou de carona com seu ABÍLIO BASÍLIO E SEU FUSQUETA, mais a costureira, um ator, uma tia carregando melancia, os trigêmeos, artistas de circo, a mulher-gorila... E olha que ninguém fica a pé, nesta história que Maria Amália Camargo escreveu e Silvana Rando ilustrou! #editoraabacatte (2011) #literaturainfantil #lengalenga #mariaamaliacamargo #silvanarando


Domingo eu vou NA JANELA DO TREM até o Mato Grosso visitar os primos, ver pássaros, pessoas e paisagens que passam, em uma viagem com Lúcia Hiratsuka. Pelos olhos do menino, sempre novos pensamentos. Pergunto pra vovó se estamos chegando. Ela responde que logo, logo. E o longe vai ficando perto... #editoracortez (2013) #literaturainfantil #luciahiratsuka


Domingo eu vou navegar do rio ao mar, com o VAPORZINHO de Enéas Guerra. O balanço da marola embala meu repouso e, quietinho, vou sonhando sob a luz do luar! Durante o dia, vou ligeiro, barriguinha quente, fumaça no céu... Está é uma viagem cheia de sensações, ritmos e sabores do velho vapor de Cachoeira. Informativo afetivo #solislunaeditora (2009) #literaturainfantil #eneasguerra


Domingo eu vou até O AEROCLUBE, porque ler é voar, como ensinava o pai, enquanto Alaor vivia de olhos pregados no céu e na coleção de figurinhas com aviões do mundo inteiro -- e o mundo inteiro do menino se transforma quando o filho do prefeito traz um avião de dois lugares para a pequena cidade... #editorapositivo (2014) #literaturainfantojuvenil #walthermoreirasantos ilustração #mateusrios


Domingo eu vou fazer A GRANDE VIAGEM em uma nave, quando todos estiverem dormindo. Escaparei pela janela do quarto, tocando as nuvens com as mãos e as terras distantes com meus pés... Um sonho proposto por Anna Castagnoli, com chapéu coco e imagens surrealistas de Gabriel Pacheco #oqo #editorapositivo (2012) #annacastagnoli #gabrielpacheco trad. Maurício S. Dias


Domingo eu vou A TODA VELOCIDADE com o imagiário de Marie-Laure Cruschi que trata, de maneira bastante livre, da performance de animais, veículos, objetos, fenômenos naturais ou astronômicos dos mais diversos. Para ver e comparar. Razões matemáticas, grandezas e medidas curiosas... #edicoessm (2015) #imagier #livroinformativo #cruschiform

12 de setembro de 2013

bonito e sonoro como um pururu gruom

rop epter og saa’e


Alguns livros nos fazem rir – qualidade capaz de levar o leitor a virar e revirar páginas pra frente e pra trás, buscando repetir a experiência de ter encontrado inesperadamente um bocado de alegria. E, às vezes, rio, sei, tenho certeza: o riso desperta do próprio medo, quando, num repente... o medo passa! E essa qualidade para lidar com o riso tem o livro-brinquedo Que bicho doido!, de Enéas Guerra (Solisluna, 2012), para crianças pequenas, bem pequenas, que têm medo de bichos de orelhas pontudas, bicos, focinhos, bigodes, olhos fixos que emergem do território dos sonhos e assombros, entre os antigos mitos e os tutus que papam gente.


Ora, um livro é comercialmente classificado como livro-brinquedo quando combina e explora uma materialidade híbrida com acessórios táteis, dobraduras, movimentos etc. para “distrair” os leitores. Não é nesse sentido que apresento este trabalho, mas vou pensando em toda sua forma, função e conteúdo... Se o folclore é um manancial de brinquedos falados, enquanto gêneros primários da criação verbal, por que não pensar o livro em si como um brinquedo de papel ao promover a aproximação entre gerações, através do mimo e da articulação dos primeiros sons? Pois isso Enéas Guerra faz.


O autor, partindo de um mesmo contorno ou a forma repetida de uma máscara, experimenta grafismos e cores que multiplicam esses bichos, bichos doidos, bichos reais, bichos bem brasileiros e bichos imaginários. Trabalha variações a um mesmo “tema” e, ao mesmo tempo, improvisa e empresta vozes a cada criatura. São onomatopeias, sim, retiradas do vocabulário comum das brincadeiras familiares de au-au, miau, quiquiqui, das histórias em quadrinhos (grrrr) e outros sons inventados – iau iau iau, cronf cronf, ugli ugli ugli de uma maneira bastante livre, engraçada, que os bichos feios logo se transformam... em divertidos pesadelos!

Que bicho doido! não transporta uma história ou mesmo uma parlenda; não é narrativa, nem poesia. Não obedece a menor sintaxe verbal, qual seja ela. É, antes de mais nada, uma obra gutural, foneticista, carregada de elementos suprassegmentais da fala humana... e anda no ritmo da parataxe visual, das trocas e combinações possíveis. É um livro que joga com a imaginação e as pequeninas mãos dos leitores. Muito bom!

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