O'ABRE ASPAS
"Ainda era confuso o estado das coisas do mundo, no tempo remoto em que está história se passa. Não era raro defrontar-se com nomes, pensamentos, formas e instituições a que não correspondia nada de existente. E, por outro lado, o mundo pululava de objetos e faculdades, e pessoas que não possuíam nem nome nem distinção do restante. Era uma época em que a vontade e a obstinação de existir, de deixar marcas, de provocar atrito com tudo aquilo que existe, não era inteiramente usada, dado que muitos não faziam nada com isso -- por miséria ou ignorância ou porque tudo dava certo para eles do mesmo jeito -- e assim uma certa quantidade andava perdida no vazio." (Italo Calvino) O CAVALEIRO INEXISTENTE (1959) trad. Nilson Moulin: 1999 p. 35.
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26 de julho de 2016
12 de julho de 2012
uma ouvinte tão exemplar
O'ABRE ASPAS reticentes para Hoffmann
"Do fundo da escrivaninha, ele tirou tudo quanto havia escrito na vida. Poesias, fantasias, visões, romances, contos, aos quais não cessava de acrescentar os mais variados sonetos, estrofes e canções, e passava horas lendo-os para Olimpia, incansavelmente. Mesmo porque nunca tinha tido uma ouvinte tão exemplar. Ela não bordava nem tricotava, não olhava pela janela, não dava de comer a nenhum pássaro, não brincava com cachorros ou gatos de estimação, não enrolava pedaços de papel nem ocupava as mãos em outras atividades, não simulava tosse para encobrir um bocejo; em suma, passava horas e horas olhando fixa e inalteravelmente para os olhos do amado, sem mudar de posição, sem se mover, ..." (Ernest Theodor Amadeus Hoffmann) Der Sandmann, 1817.
Do livro Contos fantásticos do século XIX escolhidos por Italo Calvino (Companhia das Letras, 2004), "O Homem de Areia" traduzido por Luiz A. de Araújo.
"Do fundo da escrivaninha, ele tirou tudo quanto havia escrito na vida. Poesias, fantasias, visões, romances, contos, aos quais não cessava de acrescentar os mais variados sonetos, estrofes e canções, e passava horas lendo-os para Olimpia, incansavelmente. Mesmo porque nunca tinha tido uma ouvinte tão exemplar. Ela não bordava nem tricotava, não olhava pela janela, não dava de comer a nenhum pássaro, não brincava com cachorros ou gatos de estimação, não enrolava pedaços de papel nem ocupava as mãos em outras atividades, não simulava tosse para encobrir um bocejo; em suma, passava horas e horas olhando fixa e inalteravelmente para os olhos do amado, sem mudar de posição, sem se mover, ..." (Ernest Theodor Amadeus Hoffmann) Der Sandmann, 1817.
Do livro Contos fantásticos do século XIX escolhidos por Italo Calvino (Companhia das Letras, 2004), "O Homem de Areia" traduzido por Luiz A. de Araújo.
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