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21 de junho de 2017

chuva de haicais

peter O sagae


A propósito do livro de Sônia Barros: NAS ASAS DO HAICAI, com desenhos de Angela-Lago (Aletria, 2016), encomendo chuva. Que a poesia desça quente agora no inverno e amiga nas demais estações. E tenhamos olhos de voar, uma vez que
Este livro é vivo,
em cada haicai um voo
terno ou divertido.
Este livro... tem feitio de ABC, onde tudo repentinamente se move: seres da natureza, objetos inanimados e coisas também invisíveis – a fofoca e a web à nossa volta. E, livro dentro do livro, no desenho da letra, este
Livro se transforma
em tapete voador
quando tem leitor!

Vem do prefácio, no entanto, a melhor lição. Sônia Barros sobrevoa nomes que a precederam na aventura do haicai. “Aqui no Brasil, grandes poetas contribuíram para divulgar a arte do haicai, como, por exemplo, Guilherme de Almeida, Paulo Leminski, José Paulo Paes, e, ainda hoje, Leo Cunha, Alonso Alvarez, Nelson Cruz, Angela Leite de Souza e outros.”

Para uns, esta forma especial de poesia é uma pintura em palavras em rápidos movimentos que traduzem as transformações dos seres da natureza e do próprio homem, sem jamais o poeta deixar confessos um pensamento particular ou seus sentimentos. O haicai, em sua origem, é um estado de contemplação, exercício ainda possível mesmo em meio ao tremor e o murmurejo urbanos. É preciso manter-se zen.

Para outros, importa a originalidade, uma vez que o léxico de imagens de animais, plantas e fenômenos da natureza tende à repetição através dos séculos – e é preciso renovar. Assim, na escolha de temas, ocidentalizando-se, o haicai tem abandonado a atmosfera aparentemente despreocupada para alcançar algo mais: humor, ficção sensualidade, crítica social.

Vale a pena rever.




Guilherme de Almeida, em MEUS VERSOS MAIS QUERIDOS (1967) retoma cinco haicais publicados em POESIA VÁRIA (1947) e é, deste volume anterior, que a Internet me traz uma CHUVA DE PRIMAVERA.
Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.
Então, Paulo Leminski – LA VIE EN CLOSE (Brasiliense, 1991) –
chove no orvalho
a chave na porta
como uma flor no galho
Um pulo no JARDIM DE HAIJIN, livro para jovens leitores de Alice Ruiz S (Iluminuras, 2010) PNBE 2012 –
dia de chuva
orquídeas na cozinha
espiam pela janela
Haijin é a pessoa que faz haicais ou HAI-KAIS, como o irreverente Millôr Fernandes (L&PM Pocket, 1997), com sua métrica e velocidades próprias:
Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.

Então troco José Paulo Paes por Maria José Palo, para entrar na poesia para crianças com a lembrança do livro HISTÓRIAS EM HAI-KAI (Vale-Livros, 1992), em parceria com a artista plástica Kris Palo na composição visual, que se inicia com uma chuva de sementes coloridas semioticamente reais:
eu te ofereço:
sementes de luz e cor
no fundo do mar!

E logo colhemos, das mãos de Angela Leite de Souza, TRÊS GOSTAS DE POESIA, primeiramente com ilustrações de Marilda Castanha (1995) e depois com Lúcia Hiratsuka (Moderna, 2002).
Lá vai meu boné
volteando pelo céu...
Cabeça-de-vento!

Esta é a chuva que um livro dispara em nossa mente, em uma nuvem carregada de poetas, cada qual com seu posto-espírito de observação e... metalinguagem também, como neste haicai dos HAICAIS PARA FILHOS E PAIS, de Leo Cunha, um livro “recortado” [espie] com amostras de cor por Salmo Dansa (Record, 2013) –
As quatro estações
não moram nos calendários
e sim nos haicais.

Nas asas do verso, termino PREGUIÇOSO que só:
Levanto-me cedo...
Deus condói-se e manda chuva,
num livro adormeço.

4 de março de 2016

imenso silêncio, canto e desejo

Peter O.o SagAe



Com acento de poesia, Leo Cunha conta com leveza o que é desencanto na vida de um sabiá: não saber voar, assobiando ressabiado consigo mesmo o apetite de caber no ar e “passar por cima das casas, das ruas, das gentes, do medo”. Mas há também na história uma girafa, com imenso silêncio e a vontade de cantar... O SABIÁ E A GIRAFA, il. Graça Lima (1993), é uma fábula moderna a respeito dos encontros (que podem parecer) fortuitos e o fortalecimento mútuo. Para leitores de qualquer altura. E sonhos em várias dimensões #editoraftd (2012) #literaturainfantil #leocunha #graçalima



Leia [+] pareceres da FNLIJ

4 de dezembro de 2015

Tem texto leve.

No Instagram


Tudo que é belo, ardente e temeroso parece vir do céu, como o sol, a lua, um lampejo, os temporais e os anjos também... Muitas perguntas dançam do pensamento ao verso que Leo Cunha iluminou sobre o papel, numa delicada chuva de descobertas que caem ludicamente dentro da aquarela de Cris Eich. A menina e o céu #editoraftd (2014) #litetaturainfantil #poesia #leocunha #criseich


Tem texto leve. Não faltam histórias aos poetas, mas talvez uma preguiça venha até eles e deixem escapar os personagens através do vento, como o esboço de um enredo que jamais vai encontrar o final da escrita. Para onde vão? Essas histórias, conta Xan López Dominguez, há muito tempo vivem em sua lembrança... Minhas histórias perdidas #editoramelhoramentos (2011) #prosapoetica #xanlopez


Tem texto leve. Porém, longo. Tal como são as percepções, quando adentram a memória de Pê. E o vasto mundo que ele descobriu. Ainda na infância, ainda rio. Dono de afetos e árvores que ele mesmo redescobre. Em cada palavra e lance do coração desbravado em imagens, repetições, nomes e o desafio de ser o ser... Pê e o vasto mundo #editorapositivo (2014) #prosapoetica #pauloventurelli #fereshtehnajafi

18 de janeiro de 2015

não qualquer palavra

O’ABRE ASPAS de um livro a outro


“Preocupada com as crianças que atualmente recebem tantos rótulos (e mesmo diagnósticos) negativos – hiperativos, impulsivos, desatentos, indisciplinados, entre outros –, Gloria Kirinus propõe uma mudança de enfoque. Para ela, a criança é um ser em estado puro de linguagem e é preciso escutá-la melhor para perceber os ‘sintomas’ de criatividade e inteligência que estão por trás de um comportamento à primeira vista inadequado.” Expõe Angela Leite de Souza no primeiro capítulo da série que compõe o livro Poesia para crianças: conceitos, tendências e práticas, org. Leo Cunha, no qual participam juntamente Carlos Augusto Novaes, Gláucia de Souza e Maria Antonieta Antunes Cunha. “Uma das causas desse descompasso estaria no fato de que o fascínio que a criança sente pela palavra e pela multiplicidade de imagens que ela lhe suscita costuma ser reprimido na sala de aula.” (2013: 22-23)

II

“O que eu pediria para pais e professores é que, entre espaços e horários fechados, deixem a porta entreaberta para a escuta da poesia.” É o que responde Gloria Kirinus, no livro Synthomas de poesia na infância, observando e refletindo sobre casos de rimite aguda, delírio verbal, estado contemplativo, devaneio crônico, analogia intensa, isolamento fabuloso, surtos de genial ingenuidade, abundante riso, acesso de perguntas e catapora inventiva... “Quando fechamos a porta da sala de aula ou qualquer outra porta da vida privada, ocupando todos seus vazios, normalmente bloqueamos também a possibilidade de escuta da poesia. Pais e professores de crianças pré-alfabetizadas teriam muito a ganhar se soubessem receber a poesia de viva voz, aquela poesia que inventa seus ritos recuperando a unidade do homem primordial que cantava e dançava a palavra. Não qualquer palavra, mas aquela que pulsa no ritmo de sístole e diástole numa intenção de se organizar no mundo.” (2011: 68)


III

“Agora que caminhamos para o fim, quero lhe contar um segredo e fazer uma confissão.” Escreveu Elias José, nas páginas de Poesia pede passagem: um guia para levar a poesia às escolas. “Antes, eu tinha um caderno de poesia com espaços para cópias e anotações, vários cheios. Hoje, tenho programas no computador para copiar tudo o que leio e gosto. Gosto de enviar cartões, cartas e e-mails com poemas, meus e alheios. É uma forma bonita de presentar e até de elogiar os amigos. Poesia bonita é para ser multiplicada, distribuída, com nome do autor, editora e sem erros. Que tal entrar em mais esse jogo gostoso?” (2003: 97)

4 de dezembro de 2014

duas, três, quatro linhas

Dezembro, tempo de verso


Numa espécie de exercício com a linguagem, poetas e escritores têm colecionado frases breves e pequenas estrofes, duas, três ou quatro linhas que provocam riso, um espanto, uma dúvida, reflexão – dizendo o máximo no mínimo intervalo ou espaço gráfico possível. Pois, bem!


Fora os contos, crônicas e alguns poemas que tem caracterizado à delícia sua produção literária, Marina Colasanti deu vez ao livro CLASSIFICADOS E NEM TANTO, ilustrado com xilogravuras de Rubem Grilo (Galerinha Record, 2010). Verdadeira coleção de pérolas perdidas ou pensamentos rejeitados que o leitor adota, prova e paulatinamente comprova: nem tudo se compra pronto. Como diz, a dedicatória de Marina:

“Há gente que percorre os anúncios classificados atrás de um apartamento bem localizado, um carro do ano, um cachorro com pedigree. Mas há pessoas que buscam um tapete voador, a chave para a qual já perderam a fechadura, o endereço do amigo imaginário, o rastro da estrela da cadente. Para elas é este livro.”


Outros flagrantes para ler e passar a mente à limpo apresentam-se no livro HAICAIS PARA FILHOS E PAIS, de Leo Cunha, com projeto gráfico de Salmo Dansa (Galerinha Record, 2013). Vindo habitar, com as nuanças e novelas da família contemporânea, a forma tradicional da poesia japonesa, Leo traduz dúvidas e alegrias que cercam a vida, desde o nascimento do bebê às conquistas das mais variadas comodidades entre irmãos, as férias, os brinquedos; a televisão, o computador, a cristaleira; os demais parentes, os dias de visita e os cartões de feliz ano-novo!


À voz do “haijin” mineiro, veio juntar-se a analogia das cores e das formas escolhidas por Salmo Dansa. O projeto gráfico divide o livro em quatro seções como as quatro estações, buscando uma temperatura especial nas escalas vibrantes, outonais, sóbrias e primaveris... O artista recortou amostras de antigos catálogos de cor, justando e colando cada fragmento em um bonito e tátil efeito visual; ao mesmo tempo, permitiu-se à simplicidade, abrindo cada seção (como vemos na capa do livro) com a imagem de uma casinha com chaminé e uma árvore no quintal – símbolo tão comum aos desenhos de qualquer criança resgatando um sentimento universalmente bom.


Duas coleções de pequenos textos. Para ler com calma, compromisso nenhum. Uma página agora, outra quando der vontade. Até vale esquecer onde foram deixados os livros e reencontrá-los na estante depois.

Um novo ano para você: 2015 + poético!

1 de agosto de 2011

aforismos, sem desaforos

peter o'sagae



Eis aí o desafio: nenhum poema realmente ultrapassa três linhas, porém abraça ideias que vão além da própria leitura. É preciso parar para pensar e pensar para não ficar parado, preso a um tempo que já foi presente, agora é passado... A vida, ao poeta, parece curta demais para ser vivida ou lida à força de um twitter, quando em quando, dos seus versos, rescende um tom de antecipada nostalgia. POEMAS PARA LER NUM PULO, com ilustrações de Flávio Fargas (Dimensão, 2009), revela um Leo Cunha bastante filosófico, ainda que bem humorado. Ao perguntar-se onde guardar o futuro, ele define cenas e situações com a poeira da memória que empurra para baixo do tapete... de um tapete voador!


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