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7 de agosto de 2013

alimento e inteligência

O’ABRE ASPAS para uma árvore


“Talvez porque não tenham raízes para traduzir a linguagem do chão, nem folhas para transformar a luz do sol em alimento e inteligência, as pessoas vivem falando, sem parar, mas quase nunca se fazem entender. Na verdade, eu acho que é porque são umas criaturas que estão há muito pouco tempo no mundo. Quando apareceram por aqui, a maioria das plantas já tinha explorado todos os cantos e recantos da terra, já tinham ocupado os vales, as montanhas, os desertos, os pântanos, as planícies, as margens dos rios, as praias e até os mares sem fim. Por isso é que sabemos tanto e tentamos ensinar o que sabemos às outras criaturas, tão mais jovens do que nós.” (Marcos Bagno) AS MEMÓRIAS DE EUGÊNIA, 2011.

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Um dos destaques do ano passado, o livro de Marcos Bagno, com ilustração de capa e vinhetas de Miguel Bezerra (Positivo, 2011), foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e um dos vencedores do Prêmio Jabuti – Melhor Livro Juvenil. Em torno da amizade e dos cento e cinquenta anos de Eugênia, uma árvore, a novela articula diferentes dobras ficcionais, como o desenvolvimento de uma cidade, junto à pequena muda de jambeiro transportada para uma terra nova, a primeira escola, as casas e os colonos, a praça, as ruas, já uma população anônima; a ventura familiar de Margarida, o nascimento de sua filha Violeta, e o segredo que passaria por seis gerações, seis histórias de mulheres daquela mesma casa; o amor perseverante de Rosa e Floriano; as voltas ao mundo e o lugar de cada um no mundo, como os frutos saborosos, na construção e a interação de caminhos entre a vida social e o universo particular.


“As pessoas se iludem tanto, Eugênia, achando que a felicidade é alguma coisa grandiosa, brilhante, infinita, inalcançável. Elas acham que a felicidade é o céu que, ele sim, é grandioso, brilhante, infinito e inalcançável... Eu sempre desconfiei que a felicidade é simples, valiosa justamente por sua humildade. A felicidade é isso aqui: um jambo maduro, cheio de perfume e de lembranças... Obrigado, Eugênia.

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P.S. Contracenando com o livro sobre o centenário jambeiro (Eugenia malaccensis), os poros leitores da mesa de imbuia (Ocotea porosa) e as flores-cinderelas de cedro-branco (Cedrela fissilis).

11 de abril de 2013

Simplesmente: que beleza!

peter o’sagae


Mais que comentar livros, aprecio respirá-los aos poucos. Em silêncio, acredite, olhando para as dobras sutis da palavra e da imagem. Um livro sempre pode ser uma casa, ensinou Walter Crane (1896). Do pensamento e da visão. É preciso completar. Também do riso, como nesta fábula visual mágica e séria, elegante e infantil: O GRANDE LIVRO DOS RETRATOS DE ANIMAIS, de Svjetlan Junaković, pintor, designer e escultor croata, traduzido por Marcos Bagno (Positivo e OQO, 2010). Para leitores de qualquer idade, sem dúvida.


Porque não há nada mais afeito à criança que essa desobediência... principalmente, se não há preceptores por perto! E Junaković convida-nos para um passeio aos velhos mestres da pintura, entre eles, holandeses, flamingos, ops! flamengos, venezianos, franceses, alemães... Abra uma página qualquer. Aprecie, sem mediação. Acompanhe as legendas, a descrição das poses e dos detalhes das roupas, as relações possíveis entre os personagens e seus retratistas, cada comentário sobre a importância desse conjunto de vinte e seis obras para os historiadores. Uma dúvida é por que pintar, outra é a necessidade de saber o que há para jantar.


E pode ser que você descubra algo encantador ou estranho ali se elevando, ironicamente, fazendo curvar suas sobrancelhas. Todos os retratos olham firmes o seu próprio espectador, num jogo de símbolos, ambições, delicadezas entre o gótico escuro e o efeito luminoso. Que os escritores mais famosos ou menos famosos deveriam entender. Os ilustradores também. Afinal, a lição da arte é para todos, sem distinção. Mas, diferentemente ecoa. Um livro belo e leve.


“A semelhança que pode ser encontrada com alguns dos mais famosos retratos da espécie humana é puro acaso.” (Svjetlan Junaković)


As pinturas d’O GRANDE LIVRO DOS RETRATOS DE ANIMAIS espalham-se pela [internet], mas exigem suas legendas e comentários para chegarmos mais perto da irreverência de Svjetlan Junaković, repaginando a história da arte, dos campos, estábulos e galinheiros.

19 de agosto de 2011

assim que o dia começa

peter o.sagae


Jardins de antigas casas, feitos para cultivar e olhar, ‘inda hoje vicejam na memória afetiva dos poetas. Mas, como reviver e compartilhar o verde, as flores, os insetos, terra seca, terra molhada, os pequeninos barulhos, voláteis cheiros através das palavras?

Marcos Bagno escolheu a forma curta, certa e singela da quadra com rimas intercaladas, acrescentando-lhe um dístico e, realmente, com tão pouco, coloca-nos a viver a felicidade e rir à toa, devagar, devagarinho, no ritmo de um caracol, ou apressando o passo no trem que é uma centopeia. As pinceladas de Lúcia Hiratsuka, ora pétala, ora asa, em cores brilhantes e cheias de transparências, compactuam com uma “meiga e sabia melodia” alinhavada nos versos, sugestivos, leves e bem humorados: bem amarrados. Nesse jardim tem festa, assim que o dia começa, Festa no meu jardim (Positivo, 2010).


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