peter O sagae
Boi não é livro. Boi não é faixa de disco. Nem mesmo um vídeo, essa espécie de fotografia sonora em movimento... Boi é função, quem o confina? Festa popular, alegria, ritmo, lírica, fantasia, devoção – Boi é o brilho do sol à noite, quando incendeia, aquece e ilumina. Boi assim se escreve com letra maiúscula, não é brinquedo para crianças. É para todos. Esta é a ordem que São João mandou...
Talvez por isso, outras razões, talvez pelo bem de quem gosta de cantar vivas toadas, Marilda Castanha confesse as dificuldades de admirar o festejo, apenas por uma janela. Em uma das mais bonitas homenagens ao Boi-bumbá que a literatura infantil pôde produzir – o livro PULA, BOI! (Scipione, 2012), enfrentamos a luta entre a vida e a morte, entre o espaço e o pedaço do que foi, do que é, do que será o Boi.
Como num teatro sem chão e sem teto, o livro se abre com um proscênio de páginas brancas: bem ali, pássaros, pousados no corpo longo do mandacaru, tagarelam. Que o público saiba imediatamente: esta é a história de uma menina que adora exposições e museus, gatos, cachorros e bichos-preguiça. Mas, o principal é – esta é a história de um encontro! A personagem com chapéu, vestido quase sempre abaixo dos joelhos, óculos atentos, levando uma máquina fotográfica ou uma caderneta onde registra tudo que vê, pulou de outros livros para dentro de uma nova aventura. Pra dizer a verdade, a menina de Marilda saiu de dois livros de imagem para encontrar o Boi-bumbá em uma paisagem bem maior que qualquer museu de artes ou ciências naturais. Daí, pressentiram elas – autora e personagem – uma janela só, a linguagem visual, seria insuficiente para comunicar o Boi, seu mundo, seu universo.
Cores cantam e um galo eleva um céu sentimental, rosa. Palavras despertam a manhã. Boi-bumbá não é homem, não é carcaça de veludo bordado apenas. É um ser único, ardente, animal e humano, na tranquilidade dos afazeres diários... A primeira refeição, depois ouvir as notícias locais, e cuidar de seus pássaros, e trabalhar o roçado sob o sol quente do sertão. Vindo lá do fundo da estrada que começa no longe dos livros, entra a menina na história...
A visitante quer logo saber qual é o segredo do Boi-bumbá, mas ele a convida para conviver um tempo com sua família até o dia da festa.
A menina participa da vida daquele lugar: plantar, colher, preparar os alimentos, ir à feira – que também é dia de trabalho, porém festivo, diferente, entre a venda e a troca, os produtos da terra, o artesanato, as notícias boas e ruins que trazem as pessoas. A festa (que é preciso esperar ainda) será a continuidade desse andar para conhecer. Boi é participação, as horas em véspera. Boi é enredo de muitas encruzilhadas no caminho das histórias e da ação coletiva. E Pai Francisco e Catirina comparecem, debaixo do céu estrelado de junho. A menina descobre que Boi é a morte e é a vida que magicamente se levanta todos os dias nos ritos da natureza.
Ao fim de uma sequência descritiva, apaixonada, rememorativa, prenunciando o inverno que é a estação das chuvas para o sertanejo, Marilda Castanha desvenda o segredo que não precisava de pergunta, nem espera por resposta. O Boi é realmente muito amplo. E é promessa de estar de volta, na próxima festa, se mais um ano permitir...
Boi é confiança que o Céu há de querer.
Ora, das mãos de Marilda às asas de Josimar Fernandes de Oliveira – Jô Oliveira!, vamos ao Boi celebrado em cores na vibração de 1974, 1975, quando o artista pernambucano escreveu, ilustrou e publicou um trabalho sobre o Bumba meu Boi, pela Escola Superior de Artes Industriais... na Hungria. Como uma série de tableaux vivants, os personagens típicos da Zona da Mata retornam agora contornados pelas trovas do poeta Marco Haurélio, através do livro MATEUS, ESSE BOI É SEU (DCL, 2015).
Aqui se resgata um fragmento do Boi, o entrecho cômico-dramático, em uma das muitas variantes; conta-se da paixão de Mateus por Catarina e da prova de amor que a caprichosa morena lhe exige: arrancar o coração de Mangangá, o boizinho mais belo e estimado do Coronel, aos cuidados do jovem vaqueiro. Nem Santo Antônio parece ajudar a alguém ter juízo!
E a carreira tem lugar, incluindo diversas figuras do folguedo dançado por ocasião do ciclo natalino, por vezes até o Carnaval, na companhia do Cavalo-Marinho, representando o chefe da polícia que leva Mateus para mofar na prisão, os soldados, o Curumim, os Caboclinhos que defendem o vaqueiro... e está armada a confusão, a luta entre os brincantes.
A narração é bastante resumida, ágil para os pequenos leitores, deixando as entrelinhas para a memória dos mais velhos que alhures já conheceram o desígnio do Boi, em encenar o encontro de três culturas.
Eu quero ver quem vai à rua, eu quero ver acontecer!
Boi é outra brincadeira nas mãos de André Neves a inventar o TOMBOLO DO LOMBO (Paulinas, 2016), a partir de duas tradições populares.
O que se mostra desde o título é o bem-conhecido brinquedo cantado do tangolomango que vem emprestar a fórmula repetitiva da lengalenga a fim de nos ensinar a contar ao contrário, como que subtraindo a cada vez um elemento da sequência numérica. Quase sempre, há uma família, ou uma casa com nove pessoas, uma velha com nove filhas, e elas vão misteriosamente desaparecendo até sobrar apenas um – para contar a história. Ou nenhum! Todos conhecem a parlenda. Mas, aqui, no lombo do boi, vão nove músicos com seus instrumentos.
Preenchendo a estrutura da brincadeira, estão os personagens encontradiços em algumas das variantes do Bumba-meu-boi, a exemplo do Coronel com o tamborim, a Índia que não sabe tocar trompete, o Padre batendo o sino, o vaqueiro Bastião levantando a cuíca, o Jaraguá parará parapá, sem faltar, no cortejo de "Mestre" André Neves, as figuras centrais do folguedo. O mote principal é descobrir quem deles quis comer um pedaço da língua do boi...
O divertido do tombolo não é apenas ver, um a um, os brincantes tombarem para trás. Não, mesmo. O divertimento está em dar movimento ao Boi. Página a página, o que estava embaixo foi para cima, o que havia em cima desceu... o livro gira em nossas mãos, da esquerda para a direita, como os ponteiros do relógio ou quando se fecha a torneira, como se dependesse apenas do leitor derrubar os personagens para fora do lombo do boi.
Esta função participante do livro, digamos, cria uma imagem cinética – uma coreografia para as mãos. Seria o pequeno leitor o décimo brincante, aquele que se esconde, a tripa vivente dentro da carcaça do boi?
Além de bailar explicitamente com o suporte material, encontramos um importante emblema da cultura nordestina nas reinações de André Neves – a chuva, a renovação, o nordeste que renasce para viver o Boi outra vez.
Lá vai, lá vai, lá vai...
Rasteirinhas pelo chão!
Borboletas no Inverno, é meu boi,
Andorinhas no Verão.
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24 de junho de 2017
22 de abril de 2016
... fazer da vida um grande moitará
Peter O'Sagae
Dia do Descobrimento do Brasil é também Dia Mundial da Terra, uma data que nos remete às lições do passado rumo à visão urgente de um futuro sustentável. PINDORAMA, TERRA DAS PALMEIRAS, de Marilda Castanha (1999), não é apenas um livro informativo, mas um livro de afetos e ideias para quem sabe que vive em uma aldeia global.
* * * Ver mais no blog de Marilda Castanha
<> marildacastanhailustradora.blogspot.com.br/2011/10/ilustracoes-do-livro-pindorama-terra.html
Dia do Descobrimento do Brasil é também Dia Mundial da Terra, uma data que nos remete às lições do passado rumo à visão urgente de um futuro sustentável. PINDORAMA, TERRA DAS PALMEIRAS, de Marilda Castanha (1999), não é apenas um livro informativo, mas um livro de afetos e ideias para quem sabe que vive em uma aldeia global.
“No tempo de Pindorama, o índio era dono sem comprar, produzia sem pensar em lucros e dividia o que caçava entre os parentes e membros de sua tribo. “Uma ajuda num parto, a confecção de um arco, ou a cura de um parente também eram pagos com um pedaço de caça ou um colar, dependendo do que se tinha naquele momento. “E havia o moitará, que acontecia quando as mulheres se reuniam para trocar aquilo que não queriam ou de que não precisavam mais. No centro da aldeia, trocavam um objeto por outro.
“Hoje em dia, povos diferentes também trocam entre si aquilo que têm por aquilo que não fabricam. Quem faz belos potes de cerâmica, bancos de madeira, sal ou pendentes de orelha pode trocar com outros povos que fazem a pasta de urucum ou gamelas de madeira. “Desse jeito, divisão e soma andam juntas. Em cada troca confirmam que bicho, gente, terra, água, peixe, árvore e ar podem fazer da vida um grande moitará. “Um montará onde cada povo indígena possa continuar a viver.”A obra de Marilda Castanha conquistou o reconhecimento de Melhor Livro Informativo – FNLIJ 2000, Prêmio Jabuti de Ilustração, Runner-up no Concurso Noma do Japão e o Prêmio Octogonal da França, tendo sido reeditado pela Cosac Naify em 2008.
* * * Ver mais no blog de Marilda Castanha
<> marildacastanhailustradora.blogspot.com.br/2011/10/ilustracoes-do-livro-pindorama-terra.html
24 de agosto de 2015
histórias navegam na voz
peter O.o.O.o...
Comece procurando uma sereia nos livros, pois ler não é somente uma viagem a outras eras, outras terras, mas igualmente a outras histórias e textos, mitos revisitados e travestidos em imagens que fascinam o leitor curioso. Comece encontrando um homem, velho talvez, que deite palavras ao vento... Tem esse homem que mora no banco da praça, aponta Luiz Bras, esse homem feito de sonhos, risadas, primaveras e ideias engraçadas.
O compromisso com a leveza é algo para nós muitas vezes estranho, não é mesmo? Quem lê, ouve e compartilha histórias corre sempre o risco de parecer o habitante de um lugar estrangeiro, alguém que sempre desperta alguma desconfiança, alguém sem juízo, um louco, sempre. Experimente você subir com os pés no banco da praça e confessar que tem mil anos de idade e venturas para contar... Pois era um homem de roupa surrada, voz áspera, de barbas brancas, encurvado sobre o próprio coração maltrapilho que Aline viu e ouviu contar façanhas de outras vidas, outros mares, outros amores...
No livro PROCURA-SE UMA SEREIA, com ilustrações de Alexandre Camanho (SESI-SP Editora, 2014), Luiz Bras faz da voz uma onda gigante empurrada pelo vento e, assim, vai mesclando, através do discurso, a realidade do mundo narrado pelo velho da praça às possibilidades do mundo vivido de todos nós. É doce saber que o leitor/ouvinte habituando-se à imaginação, um dia, poderá dizer – chovia demais dentro da gente, ventava demais dentro da gente... e descobrir muito mais coisas. Para sonhar, correr o risco. De viver.
E amanhã será o aniversário de um velho amigo, voz que retumbava trovões, sem barbas brancas, mas poeta e prosador de muita imaginação, dialogando entre gentes de muitas idades. Entrava mês, saía mês e a nossa cidade era a mesma, sem novidade alguma, começa escrevendo Elias José no livro que voa da estante, agorinha, A CIDADE QUE PERDEU O SEU MAR, com ilustrações de Marilda Castanha (Paulus, 1998). Entrava ano, saía ano, já não éramos crianças pequenas, nem éramos moços ainda.
E do tempo que se plantava serviço com os pés de café e as casas recebiam visita de parentes para os festejos do padroeiro, a quermesse de São Francisco, desse tempo quando as noites se enchiam com bandeirolas, sons de banda e a música de antigos discos girando na agulha até os alto-falantes, Elias José trouxe o estranho encantado da memória, com palavras que ondejam em nossos ouvidos. Em uma praça, encontramos a figura de Manuelão Marinheiro com irrevogáveis olhos de céu e rugas multiplicadas por todo rosto. São suas histórias o vasto mar às vezes manso, às vezes raivoso, tomando conta das ruas e das pessoas...
Ambos os textos atestam o amor sobre as coisas um mar que desejamos fiquem dentro de nós, enquanto o sonho for mistério e imensidão e venha contar e recontar as suas histórias.
[+] mar de sons de cores
[+] imagens de mar e ar
[+] deram os homens a sonhar
[+] caiu na rede, é sonho
Comece procurando uma sereia nos livros, pois ler não é somente uma viagem a outras eras, outras terras, mas igualmente a outras histórias e textos, mitos revisitados e travestidos em imagens que fascinam o leitor curioso. Comece encontrando um homem, velho talvez, que deite palavras ao vento... Tem esse homem que mora no banco da praça, aponta Luiz Bras, esse homem feito de sonhos, risadas, primaveras e ideias engraçadas.
De onde ele veio?
De outro país? De outro planeta?
Semana passada foi aniversário dele.
— Hoje eu faço mil anos — ele disse muito sério, mas também muito feliz.
Não estava brincando, não.
O compromisso com a leveza é algo para nós muitas vezes estranho, não é mesmo? Quem lê, ouve e compartilha histórias corre sempre o risco de parecer o habitante de um lugar estrangeiro, alguém que sempre desperta alguma desconfiança, alguém sem juízo, um louco, sempre. Experimente você subir com os pés no banco da praça e confessar que tem mil anos de idade e venturas para contar... Pois era um homem de roupa surrada, voz áspera, de barbas brancas, encurvado sobre o próprio coração maltrapilho que Aline viu e ouviu contar façanhas de outras vidas, outros mares, outros amores...
No livro PROCURA-SE UMA SEREIA, com ilustrações de Alexandre Camanho (SESI-SP Editora, 2014), Luiz Bras faz da voz uma onda gigante empurrada pelo vento e, assim, vai mesclando, através do discurso, a realidade do mundo narrado pelo velho da praça às possibilidades do mundo vivido de todos nós. É doce saber que o leitor/ouvinte habituando-se à imaginação, um dia, poderá dizer – chovia demais dentro da gente, ventava demais dentro da gente... e descobrir muito mais coisas. Para sonhar, correr o risco. De viver.
E amanhã será o aniversário de um velho amigo, voz que retumbava trovões, sem barbas brancas, mas poeta e prosador de muita imaginação, dialogando entre gentes de muitas idades. Entrava mês, saía mês e a nossa cidade era a mesma, sem novidade alguma, começa escrevendo Elias José no livro que voa da estante, agorinha, A CIDADE QUE PERDEU O SEU MAR, com ilustrações de Marilda Castanha (Paulus, 1998). Entrava ano, saía ano, já não éramos crianças pequenas, nem éramos moços ainda.
Já queríamos ser gente séria, sem esquecer as bolas de meia, as pipas e os brinquedos de pique. Meio escondidos, fazíamos a infância voltar e era bom segurar o tempo [...] Em nossa cidade, todos eram mais ou menos iguais. Ninguém muito rico nem muito pobre.
E do tempo que se plantava serviço com os pés de café e as casas recebiam visita de parentes para os festejos do padroeiro, a quermesse de São Francisco, desse tempo quando as noites se enchiam com bandeirolas, sons de banda e a música de antigos discos girando na agulha até os alto-falantes, Elias José trouxe o estranho encantado da memória, com palavras que ondejam em nossos ouvidos. Em uma praça, encontramos a figura de Manuelão Marinheiro com irrevogáveis olhos de céu e rugas multiplicadas por todo rosto. São suas histórias o vasto mar às vezes manso, às vezes raivoso, tomando conta das ruas e das pessoas...
Ambos os textos atestam o amor sobre as coisas um mar que desejamos fiquem dentro de nós, enquanto o sonho for mistério e imensidão e venha contar e recontar as suas histórias.
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20 de março de 2014
“Tomara no céu esse tempo volte.”
O’ABRE ASPAS para Adélia Prado
O narrador de Adélia Prado diz que lembrança não faz fila. O narrador de Adélia é Carmela Letícia, mas tão poucas vezes ela fazia conta que tinha nome duplo. Carmela gostava do cheiro de banana madura e ponta fresca de lápis que a escola tinha. Numa visão de doçuras sobre os livros que as meninas liam, em 1942, 1945...
“O livro mais lindo que li no Grupo foi As Reinações de Narizinho, do Monteiro Lobato, que é um nome bom de falar e ninguém esquece, nem dele, nem das estórias que inventou. Ah, apareceu também por lá um livro ótimo que se chamava – que bobagem: que se chamava não, que se chama até hoje Coração. Desconfiei que ‘coração’ significava outra coisa e não era sobre coração, este que dispara quando a gente corre. Mas não sabia como perguntar sobre este problema, não achava as palavras e falei assim para Dona Nadir, professora do quarto ano: Donadir, esse coração do livro é coração, coração mesmo, ou coração outra coisa?” (Adélia Prado) CARMELA VAI À ESCOLA, 2011.
Olhai os lírios da lembrança e das imagens de Elisabeth Teixeira, Prêmio Jabuti 2012 (Melhor Ilustração) ao lado de Marilda Castanha e Lúcia Hiratsuka.
O.O ilustrações do livro [veja+aqui]
O narrador de Adélia Prado diz que lembrança não faz fila. O narrador de Adélia é Carmela Letícia, mas tão poucas vezes ela fazia conta que tinha nome duplo. Carmela gostava do cheiro de banana madura e ponta fresca de lápis que a escola tinha. Numa visão de doçuras sobre os livros que as meninas liam, em 1942, 1945...
“O livro mais lindo que li no Grupo foi As Reinações de Narizinho, do Monteiro Lobato, que é um nome bom de falar e ninguém esquece, nem dele, nem das estórias que inventou. Ah, apareceu também por lá um livro ótimo que se chamava – que bobagem: que se chamava não, que se chama até hoje Coração. Desconfiei que ‘coração’ significava outra coisa e não era sobre coração, este que dispara quando a gente corre. Mas não sabia como perguntar sobre este problema, não achava as palavras e falei assim para Dona Nadir, professora do quarto ano: Donadir, esse coração do livro é coração, coração mesmo, ou coração outra coisa?” (Adélia Prado) CARMELA VAI À ESCOLA, 2011.
Olhai os lírios da lembrança e das imagens de Elisabeth Teixeira, Prêmio Jabuti 2012 (Melhor Ilustração) ao lado de Marilda Castanha e Lúcia Hiratsuka.
O.O ilustrações do livro [veja+aqui]
26 de outubro de 2013
“A fé, o olhar para o céu”
Peter O’Sagae
Contar estrelas, MIL E UMA ESTRELAS, com Marilda Castanha (Edições SM, 2011), e depois sonhar histórias. Mil e uma noites, mil e uma aventuras, e uma menina de pijama, livro ou travesseiro debaixo do braço, tanto faz, na direção de um sonho ensolarado. Chô, tutu e jacaré, chô, pavão! A menina equilibra-se sobre um cavalinho de asas e voa no seu próprio carrossel, de olhos fechados, confiante.
“Mas uma noite, quando foi contar as estrelas... não encontrou nenhuma.”
Entre essa noite e o dia seguinte, ocorre um instigante intervalo. Como é dormir sem estrelas e sem histórias? O narrador não se deteve na dúvida ou qualquer comentário a respeito dos sentimentos da menina, sobre o medo ou a certeza de encontrar uma solução assim que acordasse. A pergunta engancha-se apenas no leitor, de acordo com seu perfil, ao virar a página da noite para o dia...
Pois a menina pegou o caminho tosco, torto e torturante até uma gruta escura onde morava o Ogro Gigante, único capaz de alcançar a lua. E não que ela estava certa?
As estrelas todas do céu lá estavam para seu espanto, na gruta do ogro, pois ele, sim, tem medo, medo, medo do escuro. E aí está o segredo da delicadeza e da solicitude: a mão da menina estenderá uma flor para o gigante, mas seus pensamentos estendem muito mais porque o entendem. Assim, quando anoiteceu, a menina contou as estrelas, travesseiro ou livro debaixo do braço, melhor ela faz, na direção da noite reluzente, no caminho torto, ela toda confiante, entrou na gruta para compartilhar histórias – e o Ogro Gigante ouviu e dormiu, sonhou com mil e uma estrelas!
Sim, sim, sim, o resumo do livro aí está... com as palavras mais simples que consegui encontrar. Minha criança está feliz, meu espírito também. Marilda Castanha narra e brinca com as figuras da palavra e da ilustração com extrema facilidade, levando-nos por uma história que se utiliza de recursos poéticos tão fortes e precisos e, quem diria, tão caros ao barroco. Signos visuais e verbais reverberam e espelham-se entre si, pela repetição e pela substituição, pelas oposições que dão origem ao quiasmo, ou cruzamento, que é um ponto de encontro/equilíbrio entre o que se vê aparente, mas conduz a uma descoberta.
É assim que jogamos com a leitura de um retângulo que ora é travesseiro, no início, ora é um livro, nas páginas finais. Repetição de geometrias, montanha-trama ou cama, substituição da estamparia da fronha toda xadrez por letras diversas. E vem mais. Oposições temáticas: noite e dia, azul e amarelo: oposições cromáticas, compartilhamentos que sustentam a existência de sombras na luz, de brilhos no escuro... Contar estrelas e contar histórias, como uma atividade essencial e interminável.
Ora, o diálogo na literatura para crianças deveria sempre vir com essa multiplicação de cantos e vozes por onde as crianças pudessem entrar e ouvir a travessia dos significados. Entrar, ouvir e aprender sem lições de escola ou análises... MIL E UMA ESTRELAS, o livro, traz uma narrativa simples em seu tema e linguagem, confiante, porém, na experiência dos leitores mediante ao uso da ilustração, da melodia e da palavra, permitindo uma atividade de reflexão livre e sonhadora, da narrativa ao céu onde habitam nossos pensamentos. Para vencer o escuro medo da solidão.
P.S. O título da postagem, entre aspas, vem de Santo Agostinho.
P.S. 2. Infelizmente, o livro já aparece como "produto indisponível" na Livraria Cultura e não foi localizável dentro do site de Edições SM, em 26/10/2016. Nossa sugestão é usar o link para a Estante Virtual.
Contar estrelas, MIL E UMA ESTRELAS, com Marilda Castanha (Edições SM, 2011), e depois sonhar histórias. Mil e uma noites, mil e uma aventuras, e uma menina de pijama, livro ou travesseiro debaixo do braço, tanto faz, na direção de um sonho ensolarado. Chô, tutu e jacaré, chô, pavão! A menina equilibra-se sobre um cavalinho de asas e voa no seu próprio carrossel, de olhos fechados, confiante.
“Mas uma noite, quando foi contar as estrelas... não encontrou nenhuma.”
Entre essa noite e o dia seguinte, ocorre um instigante intervalo. Como é dormir sem estrelas e sem histórias? O narrador não se deteve na dúvida ou qualquer comentário a respeito dos sentimentos da menina, sobre o medo ou a certeza de encontrar uma solução assim que acordasse. A pergunta engancha-se apenas no leitor, de acordo com seu perfil, ao virar a página da noite para o dia...
Pois a menina pegou o caminho tosco, torto e torturante até uma gruta escura onde morava o Ogro Gigante, único capaz de alcançar a lua. E não que ela estava certa?
As estrelas todas do céu lá estavam para seu espanto, na gruta do ogro, pois ele, sim, tem medo, medo, medo do escuro. E aí está o segredo da delicadeza e da solicitude: a mão da menina estenderá uma flor para o gigante, mas seus pensamentos estendem muito mais porque o entendem. Assim, quando anoiteceu, a menina contou as estrelas, travesseiro ou livro debaixo do braço, melhor ela faz, na direção da noite reluzente, no caminho torto, ela toda confiante, entrou na gruta para compartilhar histórias – e o Ogro Gigante ouviu e dormiu, sonhou com mil e uma estrelas!
Sim, sim, sim, o resumo do livro aí está... com as palavras mais simples que consegui encontrar. Minha criança está feliz, meu espírito também. Marilda Castanha narra e brinca com as figuras da palavra e da ilustração com extrema facilidade, levando-nos por uma história que se utiliza de recursos poéticos tão fortes e precisos e, quem diria, tão caros ao barroco. Signos visuais e verbais reverberam e espelham-se entre si, pela repetição e pela substituição, pelas oposições que dão origem ao quiasmo, ou cruzamento, que é um ponto de encontro/equilíbrio entre o que se vê aparente, mas conduz a uma descoberta.
É assim que jogamos com a leitura de um retângulo que ora é travesseiro, no início, ora é um livro, nas páginas finais. Repetição de geometrias, montanha-trama ou cama, substituição da estamparia da fronha toda xadrez por letras diversas. E vem mais. Oposições temáticas: noite e dia, azul e amarelo: oposições cromáticas, compartilhamentos que sustentam a existência de sombras na luz, de brilhos no escuro... Contar estrelas e contar histórias, como uma atividade essencial e interminável.
Ora, o diálogo na literatura para crianças deveria sempre vir com essa multiplicação de cantos e vozes por onde as crianças pudessem entrar e ouvir a travessia dos significados. Entrar, ouvir e aprender sem lições de escola ou análises... MIL E UMA ESTRELAS, o livro, traz uma narrativa simples em seu tema e linguagem, confiante, porém, na experiência dos leitores mediante ao uso da ilustração, da melodia e da palavra, permitindo uma atividade de reflexão livre e sonhadora, da narrativa ao céu onde habitam nossos pensamentos. Para vencer o escuro medo da solidão.
P.S. O título da postagem, entre aspas, vem de Santo Agostinho.
P.S. 2. Infelizmente, o livro já aparece como "produto indisponível" na Livraria Cultura e não foi localizável dentro do site de Edições SM, em 26/10/2016. Nossa sugestão é usar o link para a Estante Virtual.
6 de setembro de 2013
o esboço do pensamento
setembro na mesa 1
É a palavra sobre a imagem no livro ilustrado para crianças que encontramos em TRAÇO E PROSA, entrevistas com ilustradores de livros infantojuvenis por Odilon Moraes, Rona Hanning e Maurício Paraguassu (Cosac Naify, 2012), recontando uma história íntima da literatura infantil brasileira sob a perspectiva que mais atende ao interesse de leitores entre adultos e crianças: a ilustração, em primeira pessoa, em primeiro plano, nas conversas registradas dentro dos ateliês de doze grandes nomes.
Eliardo França, Rui de Oliveira, Eva Furnari, Alcy Linares, Ricardo Azevedo, Helena Alexandrino, Nelson Cruz, Marilda Castanha, Graça Lima, Mariana Massarani, Roger Mello e Angela Lago delineiam a ambição do livro ilustrado como uma linguagem única em nosso cenário editorial, abrindo os bastidores de seus sonhos e todo o esforço criativo para estabelecer laços de comunicação e afetos com os leitores. “Para o preparo das entrevistas”, afirmam os organizadores, “consultamos a bibliografia existente sobre o assunto. Apesar de escassa, achamos alguns temas comuns nessas fontes, o que nos levou a dividir em três os tipos de abordagem que seriam de grande ajuda para nosso projeto. Elas foram denominadas por nós de histórico-sociológica, pedagógica e formalista. Essa classificação, mesmo não sendo completa, demonstrou-se suficientemente abrangente e útil para o propósito de definir as perguntas para as entrevistas.” Dentre os muitos desafios de recorte e método, os autores necessitaram eleger a geografia editorialmente demarcada por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e o curso da década de 1970 aos dias atuais, no generoso diálogo com quatro representantes de cada estado.
Em quase 250 páginas de espontaneidade, riso fácil, segredos, formação profissional, vidas envolvidas com livros e imagens, TRAÇO E PROSA oferece um panorama compreensivo a respeito da dinâmica de processos artísticos que, muitas vezes, ultrapassa o depoimento personalíssimo e vai esboçando ordens mais gerais da produção contemporânea. Um exemplo instigante que lá encontramos é o tema da autoria em três diferentes articulações – quando um autor escreve, depois outro ilustra; a parceria entre escritor e ilustrador; e, por fim, escritor-ilustrador como um só criador –, que implicam nas relações convencionais, contratuais e contextuais da leitura que se transportam para dentro livro ilustrado para crianças. Ora, se o conjunto das entrevistas não responde por uma formulação teórica única, positivamente enseja ser o objeto de análise e reflexão junto a muitos pesquisadores de editoração, teoria literária, pedagogia ou crítica genética, interessados em rever o estatuto da literatura infantil brasileira, no reconhecer a transformação da leitura entre palavras e imagens, redesenhando o conceito sobre o que é livro ilustrado para crianças.
É a palavra sobre a imagem no livro ilustrado para crianças que encontramos em TRAÇO E PROSA, entrevistas com ilustradores de livros infantojuvenis por Odilon Moraes, Rona Hanning e Maurício Paraguassu (Cosac Naify, 2012), recontando uma história íntima da literatura infantil brasileira sob a perspectiva que mais atende ao interesse de leitores entre adultos e crianças: a ilustração, em primeira pessoa, em primeiro plano, nas conversas registradas dentro dos ateliês de doze grandes nomes.
Eliardo França, Rui de Oliveira, Eva Furnari, Alcy Linares, Ricardo Azevedo, Helena Alexandrino, Nelson Cruz, Marilda Castanha, Graça Lima, Mariana Massarani, Roger Mello e Angela Lago delineiam a ambição do livro ilustrado como uma linguagem única em nosso cenário editorial, abrindo os bastidores de seus sonhos e todo o esforço criativo para estabelecer laços de comunicação e afetos com os leitores. “Para o preparo das entrevistas”, afirmam os organizadores, “consultamos a bibliografia existente sobre o assunto. Apesar de escassa, achamos alguns temas comuns nessas fontes, o que nos levou a dividir em três os tipos de abordagem que seriam de grande ajuda para nosso projeto. Elas foram denominadas por nós de histórico-sociológica, pedagógica e formalista. Essa classificação, mesmo não sendo completa, demonstrou-se suficientemente abrangente e útil para o propósito de definir as perguntas para as entrevistas.” Dentre os muitos desafios de recorte e método, os autores necessitaram eleger a geografia editorialmente demarcada por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e o curso da década de 1970 aos dias atuais, no generoso diálogo com quatro representantes de cada estado.
Em quase 250 páginas de espontaneidade, riso fácil, segredos, formação profissional, vidas envolvidas com livros e imagens, TRAÇO E PROSA oferece um panorama compreensivo a respeito da dinâmica de processos artísticos que, muitas vezes, ultrapassa o depoimento personalíssimo e vai esboçando ordens mais gerais da produção contemporânea. Um exemplo instigante que lá encontramos é o tema da autoria em três diferentes articulações – quando um autor escreve, depois outro ilustra; a parceria entre escritor e ilustrador; e, por fim, escritor-ilustrador como um só criador –, que implicam nas relações convencionais, contratuais e contextuais da leitura que se transportam para dentro livro ilustrado para crianças. Ora, se o conjunto das entrevistas não responde por uma formulação teórica única, positivamente enseja ser o objeto de análise e reflexão junto a muitos pesquisadores de editoração, teoria literária, pedagogia ou crítica genética, interessados em rever o estatuto da literatura infantil brasileira, no reconhecer a transformação da leitura entre palavras e imagens, redesenhando o conceito sobre o que é livro ilustrado para crianças.
Dobras da Leitura O'Blog tem [+]
angela-lago,
Cosac Naify,
Eliardo França,
Graça Lima,
Helena Alexandrino,
Mariana Massarani,
Marilda Castanha,
Nelson Cruz,
Odilon Moraes,
Roger Mello,
Rui de Oliveira,
Vitrine de Estudos
20 de novembro de 2010
O que contém, o que recebe

Agbalá, um lugar continente, da escritora e ilustradora Marilda Castanha, publicado originalmente na coleção 500 Brasis pela editora Formato, em 2001, recebeu Prêmio Melhor Livro Informativo (FNLIJ 2002); agora integra a coleção Histórias para contar História, na Cosac Naify, 2007. “O título é luminoso e a linguagem coloquial”, escreve Leila Leite Hernandez. “Com poesia feita prosa, emoldurada por belas ilustrações, Marilda Castanha convida o público juvenil a descobrir o agbalá, um lugar continente. Um lugar de milhões de anos que mora em cada homem, assim como em terra diferentes – mas não tanto – como a África e o Brasil.”

Marilda, na transposição geográfica e gráfica de um continente a outro, conduz o leitor a diferentes dobras interpretativas: o verdadeiro tesouro, carregado pelos navios negreiros, estava dentro de cada homem, dentro de cada um — uma riqueza que nem se conta: é sem-fim, infinita, porém se mingua...

Riqueza, dentro de cada um, de pontos diversos e esparsos da página-África.

Marilda, na transposição geográfica e gráfica de um continente a outro, conduz o leitor a diferentes dobras interpretativas: o verdadeiro tesouro, carregado pelos navios negreiros, estava dentro de cada homem, dentro de cada um — uma riqueza que nem se conta: é sem-fim, infinita, porém se mingua...

Riqueza, dentro de cada um, de pontos diversos e esparsos da página-África.
Navios: cadência e cadeia
O mar de Marilda é vermelho intenso — sentimento e revolta.
O mar de Maurício, negro oceano em águas objetivas da História.
Maurício Negro ilustrou Meu tataravô era africano, de Georgina Martins e Teresa Silva Telles (DCL, 2008) e Navios negreiros, publicação inédita reunindo os poemas de Castro Alves e Heinrich Heine, trad. Luiz Repa e Priscila Figueiredo (Edições SM, 2008).
“Há mortes por melancolia
Porque se enfadam fortemente.
Um pouco de ar, música e dança
E a enfermidade ninguém sente.”
O mar de Maurício, negro oceano em águas objetivas da História.
Maurício Negro ilustrou Meu tataravô era africano, de Georgina Martins e Teresa Silva Telles (DCL, 2008) e Navios negreiros, publicação inédita reunindo os poemas de Castro Alves e Heinrich Heine, trad. Luiz Repa e Priscila Figueiredo (Edições SM, 2008).
“Há mortes por melancolia
Porque se enfadam fortemente.
Um pouco de ar, música e dança
E a enfermidade ninguém sente.”
“Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!”
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!”
14 de outubro de 2010
com a palavra, o ilustrador

Livro organizado por Ieda de Oliveira, O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil: com a palavra, o ilustrador (DCL, 2008) é uma coletânea de artigos e depoimentos; graficamente caprichado, 216 páginas em couché brilhante e reproduções em cores, índice remissivo e orelha assinada por Nelly Novaes Coelho, assinalando, “nesta fabulosa, caótica, progressista e alienadora era da imagem”, uma irrevogável funcionalidade pedagógica da ilustração: “A palavra cria o texto, o qual serve de fonte para a criação da imagem, cuja tarefa é dialogar e expandir os sentidos do texto de modo a provocar, no leitor-aprendiz (a criança e o adolescente), o ‘olhar de descoberta’ que fará dele um leitor criativo.” É a imagem uma estratégia para materializar e mostrar os caminhos da interpretação?

Ponto alto, a simplicidade com que nos ensinam Odilon Moraes, o projeto gráfico do livro para crianças, e Ciça Fittipaldi, a narratividade da imagem. Eis um bom começo para a leitura dos artigos. Ambos apontam quais os vínculos que se produzem de um a outro código, num jogo incessante de construção e decifração: “Os temas estão colocados, em princípio, pela linguagem literária: uma história dá origem a uma imagem”, afirma Ciça, “a imagem, por sua vez, dá origem a uma história que, por sua vez, apresenta-se por meio de uma nova imagem, esta permitindo uma outra história e mais outra, alternativa que logo se transforma em outras imagens...” (2008: 103)
Os demais capítulos vêm nos trazendo ora informações mais técnicas, ora horizontes que sugerem novas pesquisas — um histórico da ilustração fechado ao século XIX, com Rui de Oliveira, as diferentes técnicas, com Renato Alarcão, e o uso das cores, com Cristina Biazetto; a relação palavra e imagem, por Marcelo Ribeiro, questões a respeito do pensamento, da leitura de imagens e do livro de imagens, por Marilda Castanha... São sete artigos, enfim.
E depois: as visadas pessoais sobre a ilustração e o livro ilustrado, no fazer e pensar de Ana Raquel, Ana Terra, André Neves, Angela Lago, Márcia Széliga, Maurício Veneza, Nelson Cruz, Regina Yolanda, Ricardo Azevedo, Rosinha Campos, Thais Linhares e três ilustradores portugueses: Gémeo Luís, João Vaz de Carvalho e Teresa Lima.
Nas fotos: capa, contracapa e dobras do livro organizado por Ieda de Oliveira: dupla página com Edvard Munch intertextualizado por Marilda Castanha, uma ilustração com recortes em papel craft de Gémeo Luís e a abertura do artigo de Renato Alarcão.
Dobras da Leitura O'Blog tem [+]
Ciça Fittipaldi,
Cristina Biazetto,
DCL,
Ieda de Oliveira,
Marcelo Ribeiro,
Marilda Castanha,
Nelly Novaes Coelho,
Odilon Moraes,
Renato Alarcão,
Rui de Oliveira,
Vitrine de Estudos
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