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14 de dezembro de 2015

Como brincam as crianças...

Jogo de Trilhas e Textos.


O cavalinho de pau balança, um pé na psicologia, a outra ponta na sociologia do brinquedo. Crianças em casa, brincadeiras outdoor. As diferentes relações consigo e com o outro. Em nove sugestões de leitura. E possibilidades.


"Podemos olhar o brinquedo como uma ponte, um objeto de transição da subjetividade para a vida cotidiana, do mundo de dentro para o mundo de fora e vice-versa. É no brinquedo que a criança, sujeito completo de desejos e realizações, encontra luz para a elaboração de seus conflitos e de suas dúvidas. Ao brincar, a criança se mostra, revela-se com todas as suas coragens e os seus medos." Ninfa Parreiras, O BRINQUEDO NA LITERATURA INFANTIL #editorabiruta (2008) p. 41

"... o brinquedo é uma confrontação - não tanto da criança com o adulto, como deste com a criança. Não são os adultos que dão em primeiro lugar os brinquedos às crianças? E, mesmo que a criança conserve certa liberdade de aceitar ou rejeitar, muito dos antigos brinquedos (...) de certo modo terão sido impostos à criança como objeto de culto, que somente graças à sua imaginação se transformam em brinquedos." Walter Benjamin, Obras escolhidas I. MAGIA E TÉCNICA, ARTE E POLÍTICA (1928) p. 250


Com uma ponta de tristeza e desapego para torná-la em alegria e algum sentimento de eternidade. Ser criança. Detalhe da ilustração de Isabelle Arsenault para A CAIXA DE LEMBRANÇAS, de Anna Castagnoli #editorapositivo (2012) #literaturainfantil #isabellearsenault


Com boneca, boneco, badulaques, cacarecos e todas as coisas guardadas dentro mesmo do armário, closet ou guarda-roupas. Detalhe da ilustração de Andréia Vieira para BETINA QUERO-QUERO #editoradcl (2015) #literaturainfantil #andreiavieira


Com quadradinhos de papel colorido e estampado, dobrando e desdobrando flores e animais milenares em delicado silêncio. Detalhe da ilustração de Suppa para as MÃOS MÁGICAS, de Tereza Yamashita #sesispeditora (2013) #literaturainfantil #origami


Assoviando uma canção, reciclando objetos, criando heróis para transformar hábitos e ideias mundo afora. Detalhe da ilustração de Eduardo Albini no livro de imagem PEDRO PET PLÁSTICO #editoraformato (2011) #literaturainfantil #eduardoalbini


Inventando um jeito misterioso de sentir as cores do mundo quando não é possível enxergá-las todas. Detalhe da ilustração de Denise Nascimento para AS CORES NO MUNDO DE LÚCIA, de Jorge Fernando dos Santos #editorapaulus (2010) #literaturainfantil #denisenascimento


Na hora do recreio, a irreverente linha azul que escapou do caderno vai lá bater e pular corda. Detalhe da ilustração de Sílvia Amstalden para a HISTÓRIA DE UMA LINHA, de Silvana Beraldo Massera #editoraquatrocantos (2015) #literaturainfantil #silviaamstalden


Compartilhando o mesmo espaço do céu, o menino do bairro e o menino do morro. Detalhe da ilustração de Weberson Santiago, em PIPA OU PAPAGAIO, livro de imagem com roteiro de Stella Elia #devirlivraria (2013) #literaturainfantil #webersonsantiago

2 de dezembro de 2014

e a vida, o que é?

Dezembro, tempo de verso


Na dedicatória do livro a seus três filhos, Ninfa Parreiras recorda que
O Tempo nos ensina
a fotografar as horas
a escutar os lugares
a escrever os anos
a colher com os filhos
os versos dos tempos.
E ela faz poesia com fragmentos de histórias compartilhadas no ambiente doméstico, tirando o pó das imagens que guardou em caixas no sótão da própria memória, como instantes vivos, presentes em um velho álbum de fotografias. Talvez, por isso, cada verso termine em um ponto final para separar cada coisa em sua fragrância e lugar...
“A pescaria da semana atrasada. 
O dente de leite caído.
O abraço do dia dos pais.
O aniversário do anos passado.”
E entre o tempo das coisas que são e o tempo das coisas que não voltam, cada momento amarrota o coração, diz Ninfa, com dois lagos de águas cintilantes nos olhos. Mas existe também um tempo das coisas que repetidamente ou repentinamente chegam, entre descobertas e desentendimentos, tempo bom para acertar as contas e os ponteiros do relógio. Os trinta poemas dessa coletânea são marcados pelo tique-taque cotidiano, como o achocolatado que a mão ou a mãe dissolve no leite, as brigas e brincadeiras entre irmãos, tempo de ser cada um, cada um, e tempo de ser todos juntos, uma família.


O livro é assim uma espécie de diário onde tudo se registra e cada um pode encontrar uma emoção particular. Ninguém estranhe, portanto, os versos pouco a pouco virando frases mais e mais longas a fim de estender igualmente a duração de cada minuto, mesmo pertencente a dor ou um desagrado qualquer, tempo de despedidas, tempo das pessoas que se foram...

Em seu conjunto, os poemas que começavam construídos com imagens quase inarticuladas, vão se acomodando na forma de uma breve narrativa, uma pequena crônica, silêncio que se ouve e conta no sorvete derretido, na sombra do corpo refletida no chão: tudo transformando-se conforme passam as horas do dia. O tempo, pode o leitor descobrir, é como um brinquedo que se perde, mas não se esquece, sabendo manter as cores e a magia, os sentimentos que importam. As imagens pessoais conquistam uma continuidade através da palavra. Sim, era um livro de poesia, de histórias... é agora, uma tese, quase talvez.


Um novo ano + poético para você: 2015
com Ninfa Parreiras, POEMAS DO TEMPO
il. Mariana Massarani (Paulinas, 2009).

26 de abril de 2012

anunciam as sereias

peter o’sagae*


Há um canto de sereia entre as montanhas: em águas de sonho, querer o amado que vai distante... Era assim o mar dentro dos pensamentos de uma menina que não conhecia o mar. Ela adorava colecionar cartões postais de seu litorâneo amor, guardar as paisagens em caixas e gavetas. Mais que tudo, cheiro gosto barulho beleza cor do mar, a menina queria conhecer os cocos nos coqueiros.

Como podia uma árvore plantada na areia? E tão comprida e tão fina, segurando frutos grandes e esféricos? Por que o coco variava de cores, ora esverdeadas, ora amareladas, oras escuras?

Um dia, oh: a surpresa: um passeio a uma lagoa de água doce. Não era exatamente o mar, mas havia lá praia com areia e coco. O coco, um grande e bem verde, é a lembrança que decide trazer para casa — viajou com ele, o caminho inteiro, no colo. Depois, o coco foi tudo para ela: mesa de apoio, almofada, globo terrestre, pião, bola de futebol... no entanto, um coco assim não é para sempre e, um dia...


COM A MARÉ E O SONHO, de Ninfa Parreiras com ilustrações de André Neves (RHJ, 2006), é um conto de suavidades, com mineirações tão próprias dos escritores que nasceram entre montanhas. Bartolomeu Campos Queirós, como nenhum outro, já havia confessado as amarrações de ser menino e conter uma ideia sobre a imensidão: « Eu crescia marinheiro em terra seca onde antes estava o mar, carregando o amor entre pálpebras — conchas guardando sonhos. » (AH! MAR..., 1985). Agora ele vem e escreve um bem na quarta capa, em um diálogo de navegar: « Ninfa Parreiras nos convida a buscar, pelo silêncio, o sal que mora em nós temperando nossas cheias e vazantes. Mas, para tanto, há que ter coragem para explorar os mistérios. »

Às bordas do texto e do sonho, André Neves cria uma atmosfera visual coerente às sugestões da narrativa — muito mais que "desenhar" ao pé da letra. Assim, a relação palavra&imagem não é feita de simples complementariedade, reconhecimento por identificação ou reforço de sentido: reinam no livro homologias de figuras linguísticas e plásticas. Do coco-barco nas ondas em cor de rosa, detalhes bem bolados, bem colados que não foram previstos no plano verbal, mostram-se ludicamente para o leitor: um guarda-chuva com peixinhos listrados pendurados a barbante, estrelas-do-mar espalhadas pelo chão — e, numa visão surrealista — gavetas cheias de guardados que se abrem a partir da parede e, dentro delas, coqueiros belamente plantados.

* Extraído de Dobras da Leitura 37: setembro de 2006.

17 de janeiro de 2011

um cartão-postal e o livro-envelope

da quarta capa para o blog ;-) e vice-versa

Conhece o Luiz Raul Machado?

Pois este autor enviou um sonho para você, dentro deste cartão-postal. Leia-o carinhosamente, vire página a página bem devagar para a água do lado não derramar. Uma fada triste espera o momento para dali escapar. E um menino todo silêncio aguarda o instante para lá mergulhar... Espie!

O que pode acontecer quando os sonhos navegam além dos brinquedos e barcos de papel? Soltam-se letras e imagem, em um livro ilustrado por André Neves. Um livro postal. É para guardar.

* Para o livro Cartão-postal (DCL, 2010).


Imagine você uma vila onde as casas não têm teto, nem telhado. Lá vive Luana, debaixo de todo o sol e da renda de estrelas que iluminam seus pensamentos e desejos... Como ela gostaria de conhecer um pouco de outros lugares! E, um dia, dentro de um envelope, chegam cheiros e cores de chuva...

Com páginas que desdobram o lirismo do olhar de Ninfa Parreiras e das imagens de André Neves, o delicado livro-envelope abre-se às mãos do leitor.


* Para o livro Um teto de céu (DCL, 2009).

15 de setembro de 2010

do lúdico e do (fr)ágil na literatura

comentários de peter o'sagae



Ninfa Parreiras
O brinquedo na literatura infantil: uma leitura psicanalítica (Biruta, 2008) 200 p.

Ninfa Parreiras conjuga literatura infantil com um olhar todo carinhoso sobre a criança e o brinquedo, mostrando-nos como se modificaram historicamente conceitos e costumes... Pois, se como a literatura, o brinquedo é uma invenção do adulto, de tempos quase imemoriais rumo à atualidade, tais objetos (ou todos os objetos?) materiais e imateriais vieram se tornando posse e reinvenção da criança. Com esta certeza íntima, a autora adentra os diferentes gêneros da literatura infantil, como a poesia, a narrativa em prosa, a narrativa visual no livro ilustrado e no livro-imagem, refletindo sobre a presença (e também a ausência) do brinquedo em textos que fazem referência e reverência a diferentes jeitos de conhecer e viver a infância.

O que se busca enfatizar é o efeito indissociavelmente lúdico e terapêutico que a literatura e a brincadeira possuem contra um cotidiano triste, cinza, muitas vezes perverso e fechado ao consumo sem consciência e a negação. Ainda que privilegie a representação e o jogo simbólico da leitura, Ninfa Parreiras vai concluindo em uma geometria de relações: “A literatura pode ser uma ponte entre a criança e a subjetividade. O livro pode ser uma ponte entre a criança e o brinquedo. O brinquedo é a ponte entre a criança e o mundo”.


Ninfa Parreiras
Confusão de línguas na literatura: o que o adulto escreve, a criança lê (RHJ, 2009) 184 p.

Cada capítulo aborda um tema ou aspecto diferente: livros-imagem, poesia, contos de fadas; ilustração; o exílio, a diversidade cultural; obras com temáticas africana e indígena, textos clássicos ou canônicos da literatura nacional e estrangeira... Num apanhado generalíssimo de ideias literárias, vem Ninfa Parreiras conversando sobre os labirintos que uma obra cria em sala de aula, afiançando que “o professor não deve ficar receoso de levar um livro que trabalhe com as fragilidades humanas” para junto das crianças e jovens (2009:159). Afinal, é necessário deixarmos o lugar de nossa acomodação — e a literatura poderá ser um caminho.

Com um jeito breve de contextualizar os assuntos, nomes e títulos de importância, a autora evidencia que tipos de conflitos apresentam-se nos textos, pontua aplicações pedagógicas e não lhe escapa nem mesmo uma sugestão terapêutica, tendo a leitura como processo de conhecimento do mundo e de si mesmo. É seu conselho-convite: “Entre fundo numa produção, porque superficialidade não combina com literatura.” (2009:11). Assim, com bem raras pinceladas de teoria literária e psicologia, Ninfa Parreiras procura dar lugar aos desterrados, seja na geografia de cidades e países, seja no mapa das afeições.

6 de maio de 2010

Histórias na areia



Vitrine Express, por Peter O’Sagae



A MENINA E O MAR, de Marta Lagarta e Elma (Salesiana, 2007), 2.ed. ilustrada por Andréia Vieira (Edebê, 2014). Toda tarde brincando, correndo leve e escrevendo na areia: entrar na água Mariana não vai, não. Nem para molhar a pontinha do pé! A avó bem que insistia, mas a menina inventava, a cada dia, a cada convite, uma desculpa — água gelada me deixa gripada, água quente me dá dor de dente... Estou cheia de areia, não quero sujar o mar. Apenas o carinho, tão sempre paciente, vai levando de mansinho Mariana ao mar e o medo todo para sempre embora, num ritmo muito meigo do texto e das ilustrações em ondas e marolas.


UM MAR DE GENTE, de Ninfa Parreiras e Suppa (Girafinha, 2008, 2.ed. 2014). Na primeira vez que foi à praia, a imensidão movimentou os pensamentos da menina. Onde está o fim do mar? E o que há de existir depois do fim? Ela pensava segredos e pensava sem-fim nas coisas que ali conhecia: o espelho das águas, o cheiro da maresia, as formas na areia, pessoas tão diferentes entrando e saindo do mar! Num vai-e-vem de ondas, o texto descreve impressões e mergulha o leitor em pensamentos atentos; a ilustração banha-se de sol e do silêncio das imagens para olhar e fazer passar um mar de gente.


DA MINHA PRAIA ATÉ O JAPÃO, de Márcio Vassallo e Bebel Callage (Global, 2010). O pai do menino cavava um buraco na praia para chegar ao outro lado do mundo, também inventava tantas outras aventuras. O menino na areia e no mar invadia histórias heróicas, em navios que desbravam distâncias sem sair do lugar, atrás de tesouros em pinças de caranguejo, aprendendo a ver as horas pelo relógio do sol... Cavando a memória em tom de crônica, o escritor encontra ainda hoje a convivência profunda nos olhos de seu pai.

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