Jogo de Trilhas e Textos.
O cavalinho de pau balança, um pé na psicologia, a outra ponta na sociologia do brinquedo. Crianças em casa, brincadeiras outdoor. As diferentes relações consigo e com o outro. Em nove sugestões de leitura. E possibilidades.
"Podemos olhar o brinquedo como uma ponte, um objeto de transição da subjetividade para a vida cotidiana, do mundo de dentro para o mundo de fora e vice-versa. É no brinquedo que a criança, sujeito completo de desejos e realizações, encontra luz para a elaboração de seus conflitos e de suas dúvidas. Ao brincar, a criança se mostra, revela-se com todas as suas coragens e os seus medos." Ninfa Parreiras, O BRINQUEDO NA LITERATURA INFANTIL #editorabiruta (2008) p. 41
"... o brinquedo é uma confrontação - não tanto da criança com o adulto, como deste com a criança. Não são os adultos que dão em primeiro lugar os brinquedos às crianças? E, mesmo que a criança conserve certa liberdade de aceitar ou rejeitar, muito dos antigos brinquedos (...) de certo modo terão sido impostos à criança como objeto de culto, que somente graças à sua imaginação se transformam em brinquedos." Walter Benjamin, Obras escolhidas I. MAGIA E TÉCNICA, ARTE E POLÍTICA (1928) p. 250
Com uma ponta de tristeza e desapego para torná-la em alegria e algum sentimento de eternidade. Ser criança. Detalhe da ilustração de Isabelle Arsenault para A CAIXA DE LEMBRANÇAS, de Anna Castagnoli #editorapositivo (2012) #literaturainfantil #isabellearsenault
Com boneca, boneco, badulaques, cacarecos e todas as coisas guardadas dentro mesmo do armário, closet ou guarda-roupas. Detalhe da ilustração de Andréia Vieira para BETINA QUERO-QUERO #editoradcl (2015) #literaturainfantil #andreiavieira
Com quadradinhos de papel colorido e estampado, dobrando e desdobrando flores e animais milenares em delicado silêncio. Detalhe da ilustração de Suppa para as MÃOS MÁGICAS, de Tereza Yamashita #sesispeditora (2013) #literaturainfantil #origami
Assoviando uma canção, reciclando objetos, criando heróis para transformar hábitos e ideias mundo afora. Detalhe da ilustração de Eduardo Albini no livro de imagem PEDRO PET PLÁSTICO #editoraformato (2011) #literaturainfantil #eduardoalbini
Inventando um jeito misterioso de sentir as cores do mundo quando não é possível enxergá-las todas. Detalhe da ilustração de Denise Nascimento para AS CORES NO MUNDO DE LÚCIA, de Jorge Fernando dos Santos #editorapaulus (2010) #literaturainfantil #denisenascimento
Na hora do recreio, a irreverente linha azul que escapou do caderno vai lá bater e pular corda. Detalhe da ilustração de Sílvia Amstalden para a HISTÓRIA DE UMA LINHA, de Silvana Beraldo Massera #editoraquatrocantos (2015) #literaturainfantil #silviaamstalden
Compartilhando o mesmo espaço do céu, o menino do bairro e o menino do morro. Detalhe da ilustração de Weberson Santiago, em PIPA OU PAPAGAIO, livro de imagem com roteiro de Stella Elia #devirlivraria (2013) #literaturainfantil #webersonsantiago
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14 de dezembro de 2015
Como brincam as crianças...
Dobras da Leitura O'Blog tem [+]
Andréia Vieira,
Biruta e Gaivota,
DCL,
Editora Positivo,
Eduardo Albini,
Ninfa Parreiras,
Paulus,
SESI-SP editora,
Silvia Amstalden,
Suppa,
Tereza Yamashita,
Weberson Santiago
17 de novembro de 2010
A andorinha só, em boa companhia...

Andira, de Rachel de Queiroz, já foi ilustrado por Pinky Wainer (Siciliano, 1992); ganha novos contornos e cores com Suppa (Caramelo, 2010).


6 de maio de 2010
Histórias na areia

Vitrine Express, por Peter O’Sagae

A MENINA E O MAR, de Marta Lagarta e Elma (Salesiana, 2007), 2.ed. ilustrada por Andréia Vieira (Edebê, 2014). Toda tarde brincando, correndo leve e escrevendo na areia: entrar na água Mariana não vai, não. Nem para molhar a pontinha do pé! A avó bem que insistia, mas a menina inventava, a cada dia, a cada convite, uma desculpa — água gelada me deixa gripada, água quente me dá dor de dente... Estou cheia de areia, não quero sujar o mar. Apenas o carinho, tão sempre paciente, vai levando de mansinho Mariana ao mar e o medo todo para sempre embora, num ritmo muito meigo do texto e das ilustrações em ondas e marolas.

UM MAR DE GENTE, de Ninfa Parreiras e Suppa (Girafinha, 2008, 2.ed. 2014). Na primeira vez que foi à praia, a imensidão movimentou os pensamentos da menina. Onde está o fim do mar? E o que há de existir depois do fim? Ela pensava segredos e pensava sem-fim nas coisas que ali conhecia: o espelho das águas, o cheiro da maresia, as formas na areia, pessoas tão diferentes entrando e saindo do mar! Num vai-e-vem de ondas, o texto descreve impressões e mergulha o leitor em pensamentos atentos; a ilustração banha-se de sol e do silêncio das imagens para olhar e fazer passar um mar de gente.

DA MINHA PRAIA ATÉ O JAPÃO, de Márcio Vassallo e Bebel Callage (Global, 2010). O pai do menino cavava um buraco na praia para chegar ao outro lado do mundo, também inventava tantas outras aventuras. O menino na areia e no mar invadia histórias heróicas, em navios que desbravam distâncias sem sair do lugar, atrás de tesouros em pinças de caranguejo, aprendendo a ver as horas pelo relógio do sol... Cavando a memória em tom de crônica, o escritor encontra ainda hoje a convivência profunda nos olhos de seu pai.
2 de junho de 2009
Ler e ver o que sei por ouvir dizer...

Bartolomeu Campos de Queirós
il. Suppa
Sei por ouvir dizer
Edelbra, 2007
ISBN 9788536009261
17,5 x 25 cm 32p.
[capa dura]
Bartolomeu vem contar o interessante caso de uma mulher com três nascimentos, consigo vivendo sempre três diferentes possibilidades, como sorrir de forma intrigante por três ângulos distintos de seu rosto único, ou morar na terra do ontem, na vila do hoje e na capital do amanhã. Três e bons eram seus aniversários que aconteciam no dia de são nunca, no feriado de nossa senhora do sempre e no dia da mentira.
É também Bartô autor narrador quem se divide nos papéis de inventor, ouvinte e crítico da própria escritura criação sugestão. Teria sido simplesmente por não-ter-nada-para-fazer que o fizera pensar na existência de tão enigmática senhora? Talvez sim... Mas os vizinhos alertam — em especial, o senhor Trindade — que ela ali chegara, num mês sem semanas e fizeram por bem construir uma casa três vezes pequena, numa ilha chamada Tríplice...
Tirando-nos assim daqui — rumo a lugares onde a crônica vira sonho, Bartolomeu Campos de Queirós desalinha de invenção um cotidiano diáfano, frágil com vidro e lentes de cristal. Pois é para sentir e para pensar que a mulher deixa-lhe três pares de óculos: um para ver o perto, outro para ver o longe e o terceiro para procurar os dois. O narrador ainda garoto os usa, depois os perde — quem agora poderá descobri-los?

O livro intercala páginas ilustradas e duplas-páginas só imagem — a ilustração de Suppa, intervalando a prosa poética, dá tempo pra fazer suspiro e pegar de volta o pensamento perdido, nuns matizes de sensação bem fauvista nalgumas figuras que poderiam ser mais Matisse para desalinhar o leitor com o mesmo feitio que o novelo verbal.
« Senti pesar. É que muitas coisas que estavam perto, eu queria que continuassem perto. Não gostava de óculos que me roubavam preciosos bens: gato, cachorro, vaga-lume, a doce formiga, a melada abelha e as saudades do ontem. É que saudade só existe quando o tempo foi bom... Eu guardava tantas saudades. »
É também Bartô autor narrador quem se divide nos papéis de inventor, ouvinte e crítico da própria escritura criação sugestão. Teria sido simplesmente por não-ter-nada-para-fazer que o fizera pensar na existência de tão enigmática senhora? Talvez sim... Mas os vizinhos alertam — em especial, o senhor Trindade — que ela ali chegara, num mês sem semanas e fizeram por bem construir uma casa três vezes pequena, numa ilha chamada Tríplice...
Tirando-nos assim daqui — rumo a lugares onde a crônica vira sonho, Bartolomeu Campos de Queirós desalinha de invenção um cotidiano diáfano, frágil com vidro e lentes de cristal. Pois é para sentir e para pensar que a mulher deixa-lhe três pares de óculos: um para ver o perto, outro para ver o longe e o terceiro para procurar os dois. O narrador ainda garoto os usa, depois os perde — quem agora poderá descobri-los?

O livro intercala páginas ilustradas e duplas-páginas só imagem — a ilustração de Suppa, intervalando a prosa poética, dá tempo pra fazer suspiro e pegar de volta o pensamento perdido, nuns matizes de sensação bem fauvista nalgumas figuras que poderiam ser mais Matisse para desalinhar o leitor com o mesmo feitio que o novelo verbal.
« Senti pesar. É que muitas coisas que estavam perto, eu queria que continuassem perto. Não gostava de óculos que me roubavam preciosos bens: gato, cachorro, vaga-lume, a doce formiga, a melada abelha e as saudades do ontem. É que saudade só existe quando o tempo foi bom... Eu guardava tantas saudades. »
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