dobrasdaleitura | Todo jogo pressupõe regras claras para que cada participante entenda o desafio em movimento e use da liberdade de algum estratagema ou improviso. Toda leitura é um jogo (um jogo de linguagem verbal, visual; rítmico, tempo, espaço; conjunções, peso, medida, valor, afetos; imaginário, simbólico; tudo em compassos e porções, equilíbrio e instabilidade), né mesmo?
MEDIAÇÃO DE LEITURA, A LITERATURA EM JOGO, de Juliana Pádua e Joana Marques Ribeiro (Madrepérola, 2024) traz o desafio de expor teoria e citações pela página impressa, de um modo pouco convencional, jogando com a tipologia e a mancha gráfica. Por vezes, um vocábulo se ondula, modifica-se pela repetição de uma letra, taaarrrrtamudeia sobre o sentido semântico das palavras e das coisas que elas anunciam. E o design faz parágrafo virar porta, escada, encruzilhada, caracol, entre margens largas ou vai mesmo talhar a escrita como anúncio publicitário, cartas como cartazes, caminhos desviantes — assim definem as autoras dessa proposta prático-pedagógica sobre o que podemos entender como leitura literária. Por onde entra o leitor? Quantas didáticas ainda cabem na sala de aula?
Pois nesta tardezinha deixei a luz do sol guiar-me por uma leitura que se perde pelos quadros sem moldura, no pé de salta-páginas que é o puro espírito de Sacy que nos visita em agosto. E a vontade vem, a vontade de compor outro livro com o livro, ao modo de glosas, cores, traços, rastros, notas adesivas que vamos juntando pelo caminho... Lá pelas tantas, você adivinhará que leitores continuam sendo lobos e burtopelos!
@julianapadua81
@joana_marquesribeiro
@editoramadreperola
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