24 de maio de 2026
7 de maio de 2026
se você ficar quietinha,
dobrasdaleitura | Ora, direis, que a luz e o ângulo modificam os tons de uma imagem e as dobras de toda leitura. Como ouvir estrelas, colher versos debaixo de um abajur? Não foi ontem à noite, mas fora noites antes, que tenho acompanhado essa história quase lenda e acalanto de uma menina que ganhou da mãe uma estrela para prender-lhe e enfeitar os cabelos...
Talvez já não pudesse mais brincar de esconder com os amigos, pois vivia a brilhar por qualquer canto que fosse. Ora, pois, brincar com uma estrela como quem brinca com outro brinquedo qualquer, mas este, tão especial, tem vontades próprias, como não querer ir à escola. O que lhe diz a mãe? Que está tudo bem e irá buscar outra filha que, com outra estrela, também brilha...
Com ilustrações de Sandra Jávera, o livro Bichinho de Luz nos dá um punhadinho de poemas de autora argentina Cecilia Pisos, traduzidos por Raquel Dommarco Pedrão para a Editora Incompleta (2019). Aí existe uma narrativa, onde cada poema é um quadro, uma cena de afeto, magia, o inesperado partir da estrela e a busca do eterno que se chama... Como se chama mesmo aquilo que há dentro da noite pontilhada?
Sonho ou reticências?
@ceciliapisos
@sandrajavera
@raqpedrita
@editoraincompleta
#dobrasdapoesia
Talvez já não pudesse mais brincar de esconder com os amigos, pois vivia a brilhar por qualquer canto que fosse. Ora, pois, brincar com uma estrela como quem brinca com outro brinquedo qualquer, mas este, tão especial, tem vontades próprias, como não querer ir à escola. O que lhe diz a mãe? Que está tudo bem e irá buscar outra filha que, com outra estrela, também brilha...
““ Se você ficar quietinha,
estrela,
no meu caderno,
e não me queimar nem tremer,
passo um lápis,
sem fazer coceguinhas,
por todo o seu contorno.
Assim, te farei uma irmã
gêmea de purpurina
e, depois de recortá-la,
já não estará mais tão sozinha [...]
Sonho ou reticências?
@ceciliapisos
@sandrajavera
@raqpedrita
@editoraincompleta
#dobrasdapoesia
5 de maio de 2026
com pompa e ostentação
dobrasdaleitura | Para descansar a mente, gosto de traduzir textos pela simples curiosidade, aleatoriamente, e não é surpresa depois me deparar com uma ou outra versão. Aqui tomei MIT PAUKEN UND TROMPETEN, livro de Svjetlan Junaković (1999) que me fisgou por misturar lengalenga, instrumentos musicais, animais grandes e pequenos, e a estrutura brincante de páginas dobradas.
O livro foi publicado originalmente na Alemanha e seu título seria “Com tambores e trombetas”, numa tradução literal, mas essa é uma expressão que possui o sentido de fazer algo com alarde ou estrondo, ou seja, COM POMPA E OSTENTAÇÃO — e é bem assim que cada instrumentista vai entrando em cena, metido, exibindo-se, pernóstico... Além do jogo de adivinha visual com que a personagem oculta é revelada, vale tomar tento à progressão e à variedade dos verbos ‘dicendi’ da fala:
>>
Para afinarmos o entendimento das relações palavra e imagem, dizem alguns teóricos que um caminho proveitoso é comparar como um livro ilustrado é vertido em dois idiomas ou traduções diferentes. Essa questão diz respeito aos links de coerência, consistência e os meios com que o leitor se inscreve em novas textualidades e escolhas dos adultos.
#SvjetlanJunakovic
Sempre carrego comigo meu bongô, meu instrumento favorito, diz o...<<
Abracadabra! Fazer boa música assim, não é tão difícil pra mim, berra a...
Meu acordeão é o mais looongo do mundo, afirma a...
Basta prender o fôlego para tocar dois foles ao mesmo tempo, gaba-se o...
Minha barriga é tão grande quanto meu contrabaixo, rosna o...
O piano tem muitas teclas, mas são poucas para mim, alegra-se a...
Nas cordas da harpa, eu teço uma teia musical, sussurra a...
Eu toco flauta até debaixo da água, gorgoleja a...
Meu saxofone tem a coluna curvada, assim como eu, sibila a...
Enrolo minha cauda e posso mudar de cor para tocar minha trompa, explica o...
Ninguém toca clarinete melhor do que eu, só não posso pegar um resfriado, alerta o...
Meu tambor ribomba melhor quando minha barriga está cheia, revela o...
27 de abril de 2026
livros furtados na estante
dobrasdaleitura | Livros para ler e esquecer, ai de mim, ou livros para aprender?
>> Os livros que lemos na infância, furtados de alguma estante supostamente inacessível, têm algo do irreal e nefasto do vislumbre roubado de uma alvorada pairando sobre campos tranquilos quando a família está adormecida. Espiando entre as cortinas, vemos formas estranhas de árvores enevoadas que dificilmente reconhecemos, embora possamos nos lembrar delas por toda a vida: pois as crianças têm uma estranha premonição do que está por vir [...]
>> Talvez estejamos fazendo pouco caso de uma livraria quando temos que confessar que ela satisfaz tantos desejos que aparentemente nada têm a ver com literatura. Mas vamos relembrar que aqui temos uma literatura sendo feito. Desses novos livros nossas crianças irão escolher um ou dois que serão conhecidos para sempre. Aqui, se pudéssemos reconhecer, jaz um poema, romance ou história que irá se impor e dialogar com outras gerações sobre a nossa [...] <<
| Virgínia Woolf |
“Horas na biblioteca” (1916)
in A leitora incomum
trad. Emanuela Siqueira
Arte & Letra, 2020 pp.10-15
Esta edição faz parte da Coleção Alfaiate @arteeletra, com capa em serigrafia sobre tecido, costurada à mão e montada individualmente. Exemplar N.º 1961
+ postal #2noTelhado
“A cortina da senhora Lugton”
#virginiawoolf
| Virgínia Woolf |
“Horas na biblioteca” (1916)
in A leitora incomum
trad. Emanuela Siqueira
Arte & Letra, 2020 pp.10-15
Esta edição faz parte da Coleção Alfaiate @arteeletra, com capa em serigrafia sobre tecido, costurada à mão e montada individualmente. Exemplar N.º 1961
+ postal #2noTelhado
“A cortina da senhora Lugton”
#virginiawoolf
Assinar:
Postagens (Atom)





















