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5 de maio de 2026

com pompa e ostentação

dobrasdaleitura | Para descansar a mente, gosto de traduzir textos pela simples curiosidade, aleatoriamente, e não é surpresa depois me deparar com uma ou outra versão. Aqui tomei MIT PAUKEN UND TROMPETEN, livro de Svjetlan Junaković (1999) que me fisgou por misturar lengalenga, instrumentos musicais, animais grandes e pequenos, e a estrutura brincante de páginas dobradas.
O livro foi publicado originalmente na Alemanha e seu título seria “Com tambores e trombetas”, numa tradução literal, mas essa é uma expressão que possui o sentido de fazer algo com alarde ou estrondo, ou seja, COM POMPA E OSTENTAÇÃO — e é bem assim que cada instrumentista vai entrando em cena, metido, exibindo-se, pernóstico... Além do jogo de adivinha visual com que a personagem oculta é revelada, vale tomar tento à progressão e à variedade dos verbos ‘dicendi’ da fala:
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Sempre carrego comigo meu bongô, meu instrumento favorito, diz o...
Abracadabra! Fazer boa música assim, não é tão difícil pra mim, berra a...
Meu acordeão é o mais looongo do mundo, afirma a...
Basta prender o fôlego para tocar dois foles ao mesmo tempo, gaba-se o...

Minha barriga é tão grande quanto meu contrabaixo, rosna o...
O piano tem muitas teclas, mas são poucas para mim, alegra-se a...
Nas cordas da harpa, eu teço uma teia musical, sussurra a...
Eu toco flauta até debaixo da água, gorgoleja a...

Meu saxofone tem a coluna curvada, assim como eu, sibila a...
Enrolo minha cauda e posso mudar de cor para tocar minha trompa, explica o...
Ninguém toca clarinete melhor do que eu, só não posso pegar um resfriado, alerta o...
Meu tambor ribomba melhor quando minha barriga está cheia, revela o...
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Para afinarmos o entendimento das relações palavra e imagem, dizem alguns teóricos que um caminho proveitoso é comparar como um livro ilustrado é vertido em dois idiomas ou traduções diferentes. Essa questão diz respeito aos links de coerência, consistência e os meios com que o leitor se inscreve em novas textualidades e escolhas dos adultos.
#SvjetlanJunakovic


11 de abril de 2013

simplesmente: que beleza!

peter o’sagae


Mais que comentar livros, aprecio respirá-los aos poucos. Em silêncio, acredite, olhando para as dobras sutis da palavra e da imagem. Um livro sempre pode ser uma casa, ensinou Walter Crane (1896). Do pensamento e da visão. É preciso completar. Também do riso, como nesta fábula visual mágica e séria, elegante e infantil: O GRANDE LIVRO DOS RETRATOS DE ANIMAIS, de Svjetlan Junaković, pintor, designer e escultor croata, traduzido por Marcos Bagno (Positivo e OQO, 2010). Para leitores de qualquer idade, sem dúvida.


Porque não há nada mais afeito à criança que essa desobediência... principalmente, se não há preceptores por perto! E Junaković convida-nos para um passeio aos velhos mestres da pintura, entre eles, holandeses, flamingos, ops! flamengos, venezianos, franceses, alemães... Abra uma página qualquer. Aprecie, sem mediação. Acompanhe as legendas, a descrição das poses e dos detalhes das roupas, as relações possíveis entre os personagens e seus retratistas, cada comentário sobre a importância desse conjunto de vinte e seis obras para os historiadores. Uma dúvida é por que pintar, outra é a necessidade de saber o que há para jantar.


E pode ser que você descubra algo encantador ou estranho ali se elevando, ironicamente, fazendo curvar suas sobrancelhas. Todos os retratos olham firmes o seu próprio espectador, num jogo de símbolos, ambições, delicadezas entre o gótico escuro e o efeito luminoso. Que os escritores mais famosos ou menos famosos deveriam entender. Os ilustradores também. Afinal, a lição da arte é para todos, sem distinção. Mas, diferentemente ecoa. Um livro belo e leve.


“A semelhança que pode ser encontrada com alguns dos mais famosos retratos da espécie humana é puro acaso.” (Svjetlan Junaković)


As pinturas d’O GRANDE LIVRO DOS RETRATOS DE ANIMAIS espalham-se pela [internet], mas exigem suas legendas e comentários para chegarmos mais perto da irreverência de Svjetlan Junaković, repaginando a história da arte, dos campos, estábulos e galinheiros.