1 de junho de 2009

Unindo pontos, unindo textos

Peter O'Sagae


Ana Maria Machado
il. Elisabeth Teixeira

Abrindo caminho
Ática, 2003

ISBN 9788508086726
25,3 x 31 cm 40p.


Frente à capa, nossa imaginação logo se põe a funcionar — mãos dadas, menino e menina tão só João e Maria vão abrir o próprio caminho: para onde? Partindo do Rio de Janeiro a um ponto qualquer do mapa, eles têm o mundo a seus pés... E, na moldura da ilustração, pena, arco, óculos, ampulheta, árvore, um violão, um avião de rabiola, um barco antigo, a famosa torre francesa, um monstro marinho escamoso e alado. Aonde ambos vão?

A princípio, a lugar nenhum, pois este é apenas um despiste da ilustradora a respeito de que é possível encontrar dentro o livro. Mas, a viagem que nos oferece Ana Maria Machado tem outra natureza: com um livro nas mãos, nem é preciso sair do lugar para conhecer o que havia no meio do caminho de Dante, Carlos e Tom: uma floresta escura, uma pedra, um rio... Ou no caminho de Cris, Marco e Alberto: oceano, deserto, muita lonjura. E o que há nos possíveis caminhos de cada leitor, o texto diz:
No meio do meu caminho
tem coisa de que não gosto.
Cerca, muro, grade tem.
No meio do seu, aposto,
tem muita pedra também.
Intertextualizando caminhos, o poema de Ana Maria vai abrindo começos de leitura para os clássicos da literatura universal, à poesia brasileira e à nossa canção popular, mais referências históricas da grande aventura que é a marcha da civilização humana. Todo o livro é uma promessa de vida — porque a autora, afinada com o diálogo entre gerações (de textos e pessoas), vai juntando frases e versos para compor sua própria canção.

Grandes e belas, as ilustrações de Elisabeth Teixeira vão abrindo caminhos para um variado cenário, dando ao olhar as pistas que o texto nos quer fazer descobrir.

 
* Ilustração extraída de elisabethteixeira.blogspot.com

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