29 de outubro de 2025

convite para que sejamos nós

dobrasdaleitura | Pérola Pessoa não aceita malabarismos retóricos. A sua poética dá saltos, entre o som e o sentido óbvio (suficientemente claro), porém muitas vezes escondido, esmagado, pela roda de um mundo regado pelo cap(e)talismo que decupa corpos em sequências diárias repetitivas e planos (de vida?) di-dáticos, não dia-léticos. Eis aí a palavra, informação que divide pessoas, gera dúvidas, cria dívidas que não se pagam, quanto mais afastadas da cumplicidade dos afetos. A lição do esquecimento, de si e do constante Outro, dos outros voláteis, dos ossos encobertos pela carne, da invisibilidade de uma trans(a)parência do corpo não-binário e, afinal, da própria arte que, do corpo, emana. Pérola é essa pessoa que fala por todas. Pérola é faca.

Esta pequena coleção de livros é um convite para que sejamos nós. Reúne momentos e postagens que a artista escreve ao sabor da primeira ideia que lhe vem à mente, ao começar ou terminar o dia. Sem planejamento burocrático, escrevendo poesia na carne, ela compreende o verso como arma e amor. Daí a sensibilidade para as emoções brutas que o divagar acelerado lapida — e não fora, sem propósito, eu ter comentado ser comida e oráculo o seu Poemário da Transmutação (2023), ainda que aqui a alquimia de sombras e engrenagens resulte fazer pensar temas mais sociais.

Cada livro, em tamanho A7, é preso por um grampo de cabelo; e os títulos de capa são:
nas trincheiras da arte, coxia da vida
poesia — trincheira avançada
alerta de gatilho
nem sou poeta, nem aprendi o amor
orgasmo em paebiru // cidade inundada
Produção @linhasdecriacao
da @feirasub para @feiramiolos
#publicacaoindependente
#dobrasdapoesia


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