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11 de dezembro de 2021

chegou a nova mascote quindim

dobrasdaleitura | No começo da semana, chegou encomenda do Clube de Leitura Quindim @clubequindim — o Kraft com desenhos de Graça Lima @gramulima já seria por si só uma novidade: veja a capivara leitora, mãe e viajante!

Encontro o Diário do Leitor com a big capivara da ilustradora Anabella López @anabella_sol_lopez Esse caderno funciona com um álbum de atividades e também brinca de ser flip-book: nas páginas internas, é Renato Moriconi @renatomoriconi quem nos faz ver outra capivara fazendo malabares com seis livros... E então ela saltou das dobras do pacote!

Tudo junto de uma vez: o livro de Ricardo Philippsen e Ana Matsusaki, lançamento exclusivo, o mapa de leitura, mais um guia do assinante e um livreto com “A história de uma capivara chamada Quindim”, apresentando, em linguagem afetiva, a identidade múltipla da nova mascote.

Agradeço à Renata Nakano, idealizadora e diretora-geral do clube @renatanakano, pelo mimo e pelos sucessivos convites para integrar sua casa de leituras. Há mais de ano e meio, vim colaborando junto à equipe de resenhistas para o site que estreou neste dezembro, com novas funcionalidades de busca para assinantes e não assinantes conhecerem mais um pouco do universo de literatura infantil e outros livros para crianças. São minhas últimas dobras em 152 comentários para fechar=abrir um ciclo pessoal igualmente novo.

Ah, se eu não ganhasse minha mascote... não ia ter bolo, nem íamos cantar parabéns mais uma e outra vez! Né @dauanavale @lumasopre @umaestreladomar @marinamayfair @xuliagretz ??? Look over there: tem Quindim na estante!!

7 de junho de 2017

“por que o silêncio não é colorido?”

peter O sagae


Quem foi o primeiro menino que existiu no mundo? Teria nascido, em priscas eras com um sorriso, encantando-se com as coisas por aí – e hoje estaria guardado entre as pedras e os seixos de um rio? Seria um fóssil, antigo e primitivo, em outras cores, cheio e vazio, seria semente ou fruto de nossa imaginação? Não por acaso, fui abrindo o livro com preguiça e perguntas: o que o autor vem me contar?

Pois O PRIMEIRO MENINO, de Edimilson de Almeida Pereira com ilustrações de Anabella López (Mazza Edições, 2013), vai se levantando com a sede das palavras – “Sua escrita muda como as estações. De uma notícia de chuvas para um retrato com flores.” O vento é, sem dúvida, seu melhor leitor e lhe apaga cordialmente os pontos finais, alongando o pensar pelas reticências... Da mesma sorte, cada mini-capítulo do livro também muda e passa da prosa poética a uma página com disparates e perguntas que se derramam como certos versos, versos certos.


Enquanto isso, o primeiro menino surge minúsculo na ilustração. Anabella López o fez nascer livremente naïf e rupestre em tinta preta – e um só círculo amarelo havia para colorir a espessura branca e transformar-se em outras formas. Contam as imagens, juntamente às palavras, a história de um menino que possui uma história para inventar, com asas em peso de leveza, sementes, berço, buraco de cobra, ondas de sol e raízes, poeira e pigmentos, plantas, vulcões... Mas tudo começou com aquele amarelo num círculo, como flor e sol.


O texto de Edimilson de Almeida Pereira é rio e é leitura. É inscrição – como a água que sulca a terra, fazendo uma paisagem ser o que é, diferente de outras tantas paisagens que os homens tantas vezes refazem e repetem sempre do mesmo modo. Aqui, o autor é primeiro menino. Sua palavra, no encontro dos primeiros espantos, é ravina.

Esta é então a metáfora que há para ser decifrada. Cria-se na escritura com simplicidade e não ultrapassa os limites da imaginação verbal a fim de contar fora do texto, seja interpretações outras ou um segredo. Não, a ravina não representa nada, porque a ravina é. A metáfora impõe-se com cálculo e doçura. Claro, você vai lembrar, a ravina é parte de uma saga geológica – e é, por isso, que o texto de Edimilson apresenta camadas na companhia do vento e da água.

Ora, quando se está a falar em poesia, também se está a apontar a qualidade das coisas mesmas que nos cercam os sentidos e a compreensão. É belo o movimento onde a brincadeira ressurge de si mesma, através de perguntas, na mente e no coração do leitor. Um pássaro sabe que é leve? Como o céu segura as estrelas? Por que perguntamos a vida inteira? A filosofia é o outro nome do verdadeiro encanto.



Mas há também no livro a curiosidade sobre coisas comuns, objetos e máquinas, animais que se veem pelo mundo, o pão da manhã, o nome das ruas, um poema que lê um poema, um livro para crianças – e eu me lembro quando ouvi a respeito do olhar inaugural das crianças que os poetas desejam imitar para desaprender o já aprendido. O primeiro menino é também aquele menino azul, de Cecília Meireles a Edimilson de Almeida Pereira, numa inteligente intertextualidade, neste mundo que é como um jardim. O primeiro menino é um estado de constante escrita e busca – numa escrita a ser tudo – e para todos.

12 de março de 2013

histórias para colorir um pedaço de céu

Três livros de recontos, por Peter O’Sagae


Um mito bororo conta como um guerreiro chamado Japu foi transformado em pássaro para roubar as chamas do soberano sol. Ainda que trouxesse consigo o calor e a felicidade para a tribo, a ousadia custou-lhe muito: ao voltar à forma humana, compreendeu ele que o esforço da distância, fazendo o vento soprar sobre o tição, causticara seu belo rosto jovem para o pavor de todo o povo. Japu afastou-se da tribo para tentar viver, mas afinal suplicou ao pajé que o fizesse novamente pássaro de penas luminosas como fagulhas azuis e alaranjadas, e o bico negro com a ponta vermelha que faz lembrar a brasa incandescente...


Tal é a história que Myriam Fraga resgata, na moldura narrativa de uma noite de São João, através da voz de nhá Inácia, no livro O PÁSSARO DO SOL, com ilustrações de Anabella López (Girafinha, 2012), publicado anteriormente como um livro-disco A Lenda do pássaro que roubou o fogo (Edições Macunaíma, 1983), com gravuras de Calasans Neto.


Um fabuloso arqueiro encontrou uma pena dourada do pássaro de fogo na floresta. Ora, tivesse guardado segredo do feliz acaso, não se colocaria sob as ordens de um rei poderoso e bastante cobiçoso. Vieram a ele as provas e as desgraças em número crescente – e, em igual medida, a mágica que tudo transforma e salva, mas “em palavras não se pode contar e em contos de fadas não se pode encontrar...” Seis dos muitos contos compilados por Alexander Afanássiev são apresentados, tenha certeza, com a elegância da narração oral, em O PÁSSARO DE FOGO: contos populares da Rússia, com tradução de Denise Regina de Sales e imagens de Nicolai Troschinsky (Berlendis & Vertecchia, 2011), através de versões integrais, conforme a 2.ed. da obra publicada pelo pesquisador russo, em 1873. Os comentários finais ao livro pertencem a Flavia Moino e apontam para as particularidades da feitura de tão bela e breve antologia: em todos os contos, um voo, a sabedoria ou o canto de um pássaro faz voar a imaginação dos leitores. No entanto, não se surpreenda ao descobrir que o pássaro de fogo não toma parte efetivamente na narrativa que leva seu nome como título – é mais uma presença afetiva, ou algo apenas como uma metonímia dourada e ardente que encontramos, num reino distante, onde confabulam e cavalgam nossos desejos!


Reunindo poemas, aforismos, textos de caráter informativo e histórias,
O LIVRO DOS PÁSSAROS MÁGICOS, com organização e reconto de Heloísa Prieto, ilustrações de Laurabeatriz (FTD, 2011), remete o leitor ao colorido simbolismo que tingiu os pássaros entre diferentes povos e países, de longe e de perto.