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9 de junho de 2018

dobras da leitura em curso, 3

Escrever para Crianças 2018


Você pode não acreditar, mas gosto dos textos simples... nos quais é preciso assumir que talvez não seja fácil reduzir a linguagem verbal e visual à uma nobreza muito própria, dentro de um projeto gráfico enxuto, sem páginas e páginas que cansam a mão do pequeno leitor. E Eva Furnari joga com o leitor: FILÓ E MARIETA (1983), AMENDOIM (1983), livros de imagem são texto. De Luiz Gouvêa de Paula e Ciça Fittipaldi: O TUCUNARÉ (1989); uma aula de narrativa visual! De Stephen Michael King: O HOMEM QUE AMAVA CAIXAS (1995), a articulação do livro ilustrado não-brasileiro.


Então, um inesperado encontro com o texto que nos devora, Guimarães Rosa: FITA VERDE NO CABELO (conto publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo, no dia 8 de fevereiro de 1964). Mas, aqui, a velha nova história vem com os desenhos de Roger Mello (1992) emoldurando devaneios e silêncio. O que é um texto? Quais os fatores de textualidade? Leonor Lopes Fávero responde. Para quê o texto literário, para quê a busca de uma descrição singular? Chklovski responde. E a nossa inspiração para todos os incursos: “De que serve um livro sem figuras nem diálogos?” Alice pergunta (1865), Lewis Carroll não responde. Claramente.


E um finalmente para ir em frente... As travessuras de Suzy Lee são lembradas em A TRILOGIA DA MARGEM (2012). Escrever, desenhar é arremeter-se à página. O livro para crianças e jovens pede ou não pede ilustrações? Os caminhos (não os conselhos) são muitos, mergulho, desapego, renascimento, como A EXTRADIORNÁRIA JORNADA DE EDWARD TULANE, de Kate DiCamillo (2007).

28 de março de 2013

três livros de imagem em uma só obra

O’ABRE ASPAS para Suzy Lee


“Abrimos um livro ilustrado. Olhamos o sonho ‘dentro’ do livro.
Entretanto, de uma maneira ou de outra, somos afetados pelo seu formato, a textura do papel, a direção na qual as páginas são viradas. Os aspectos físicos do livro podem limitar a imaginação do artista, mas, por outro lado, podem se tornar um novo ponto de partida para a imaginação. Após cairmos dentro de um livro e voltarmos como de um sonho, o livro como objeto nos parece totalmente diferente.” (Suzy Lee) A TRILOGIA DA MARGEM, 2012.

***

Com estas palavras, Suzy Lee abre o livro-ensaio, caixa de reflexões e contínua aprendizagem sobre o processo de criação de seus três principais livros de imagem: ONDA (2009), ESPELHO (2010) e SOMBRA (2011), publicados no Brasil pela Cosac Naify. Em uma só obra, a autora sul-coreana aciona e orienta nossas leituras nas questões do objeto-livro que lhe impulsionam o trabalho, repetindo com simpatia e extrema fidelidade os conteúdos compartilhados em palestras e rodas de conversa que realiza em torno do mundo e de seus livros para crianças.

Mais que uma referência teórica, A TRILOGIA DA MARGEM é um feature provocativo, pelas páginas vazias e cheias de construção, através do limitado espaço gráfico que parte rumo ao exercício sem limites da fantasia e do conhecimento sensível: quem sou eu, o que são os livros? Para desenhar uma resposta, necessário designar mergulhos, simetrias e clarões que emergem das formas, da figura das palavras e os signos da dobra, entre o oculto da margem e o tempo que impôs o virar das páginas.



p.O's. escreve um P.S. Espero que, um dia, outros livros de referência para literatura infantil possam ser feitos igualmente assim para uma leitura experiência, anterior a qualquer retórica, posterior às repetições dos clichês sociológicos ou de uma psicologia de banca de jornal. Livros-aula, objeto e caminho. Ato de descrever. Para nos inspirar... O resto é interpretação.