Escrever para Crianças 2018
Você pode não acreditar, mas gosto dos textos simples... nos quais é preciso assumir que talvez não seja fácil reduzir a linguagem verbal e visual à uma nobreza muito própria, dentro de um projeto gráfico enxuto, sem páginas e páginas que cansam a mão do pequeno leitor. E Eva Furnari joga com o leitor: FILÓ E MARIETA (1983), AMENDOIM (1983), livros de imagem são texto. De Luiz Gouvêa de Paula e Ciça Fittipaldi: O TUCUNARÉ (1989); uma aula de narrativa visual! De Stephen Michael King: O HOMEM QUE AMAVA CAIXAS (1995), a articulação do livro ilustrado não-brasileiro.
Então, um inesperado encontro com o texto que nos devora, Guimarães Rosa: FITA VERDE NO CABELO (conto publicado originalmente no jornal O Estado de S. Paulo, no dia 8 de fevereiro de 1964). Mas, aqui, a velha nova história vem com os desenhos de Roger Mello (1992) emoldurando devaneios e silêncio. O que é um texto? Quais os fatores de textualidade? Leonor Lopes Fávero responde. Para quê o texto literário, para quê a busca de uma descrição singular? Chklovski responde. E a nossa inspiração para todos os incursos: “De que serve um livro sem figuras nem diálogos?” Alice pergunta (1865), Lewis Carroll não responde. Claramente.
E um finalmente para ir em frente... As travessuras de Suzy Lee são lembradas em A TRILOGIA DA MARGEM (2012). Escrever, desenhar é arremeter-se à página. O livro para crianças e jovens pede ou não pede ilustrações? Os caminhos (não os conselhos) são muitos, mergulho, desapego, renascimento, como A EXTRADIORNÁRIA JORNADA DE EDWARD TULANE, de Kate DiCamillo (2007).
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9 de junho de 2018
19 de abril de 2016
lá está, naro gambá!
Comunidade Dobras da Leitura
Ciça Fittipaldi há muito tempo vem trabalhando com uma linguagem inspirada na expressão gráfica dos povos indígenas, tendo realizado inicialmente uma série de desenhos e recontos em oito livros para coleção Morená (1986-1988). Do especial convívio com a cultura yanomami, o exemplo de NARO, O GAMBÁ que preserva em ritmo-palavra e imagem o sabor mágico tradicional.
Viva Ciça, viva Ciça Fittipaldi!
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Veja abaixo a postagem AS MUITAS TABAS DE CIÇA
Ciça Fittipaldi há muito tempo vem trabalhando com uma linguagem inspirada na expressão gráfica dos povos indígenas, tendo realizado inicialmente uma série de desenhos e recontos em oito livros para coleção Morená (1986-1988). Do especial convívio com a cultura yanomami, o exemplo de NARO, O GAMBÁ que preserva em ritmo-palavra e imagem o sabor mágico tradicional.
“Já estou vendo, está lá, o Gambá! Se esconde nas raízes das árvores. De gente, vira bicho, gambá debaixo das folhas secas. Agora é gente de novo, corre por um descampado... O medo faz o gambá voar. Crescem as penas rapidamente, toma altura. Olhem como voa! Não é mais que um ponto minúsculo lá em cima! Pica-Pau subia mais alto na árvore: – Desapareceu!... Apareceu de novo, um pontinho no céu. Entrou na toca do tatu. Saiu. Uma pedra o esconde... Lá está ele, vai se desviando para a Serra do Trovão. Sentou lá em cima... acho que vai ficar por lá... Não! Já se levantou! Pica-Pau tava nas pontas dos pés, no galho mais alto. Esticava o pescoço: – Lá está, Naro Gambá! A caminho do Morro Quebra-Facão. Vai parar... Lá tem uma pedra enorme, muito dura de quebrar!”Pela importância de sua obra, a artista já recebeu vários prêmios nacionais, como o selo Altamente Recomendável, da FNLIJ, o Prêmio Jabuti, APCA e o Prêmio Bienal de São Paulo, além de candidata ao Hans Christian Andersen em 1996 e 2016.
Viva Ciça, viva Ciça Fittipaldi!
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Veja abaixo a postagem AS MUITAS TABAS DE CIÇA
as muitas tabas de ciça
Extraído de Resumo do Cenário, 19 de abril.2009
Ilustrações de NARO, O GAMBÁ (mito dos índios yanomami), O MENINO E A FLAUTA (nambiquara), A LENDA DO GUARANÁ (sateré-maué) e A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS (kamaiurá), respectivamente. Outros títulos da coleção: SUBIDA PRO CÉU (bororo), BACURAU DORME NO CHÃO (tucano), TAINÁ, ESTRELA AMANTE (karajá) e A ÁRVORE DO MUNDO E OUTROS FEITOS DE MACUNAÍMA (macuxi, wapixana, taulipang e arekuná).
Nas páginas pares, Ciça Fittipaldi usou imagens em sua função informativa (que descobrimos ao ler as notas no final de cada livro da série Morena). Acima, a representação de costumes dos Sateré-Maué: a festa da Tocandira de iniciação dos meninos à vida adulta, dançando com luvas de palha cheias de formigas e o beneficiamento do fruto do guaraná para transformá-lo em uma bebida, o çapó.
Ilustrações de NARO, O GAMBÁ (mito dos índios yanomami), O MENINO E A FLAUTA (nambiquara), A LENDA DO GUARANÁ (sateré-maué) e A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS (kamaiurá), respectivamente. Outros títulos da coleção: SUBIDA PRO CÉU (bororo), BACURAU DORME NO CHÃO (tucano), TAINÁ, ESTRELA AMANTE (karajá) e A ÁRVORE DO MUNDO E OUTROS FEITOS DE MACUNAÍMA (macuxi, wapixana, taulipang e arekuná).
Nas páginas pares, Ciça Fittipaldi usou imagens em sua função informativa (que descobrimos ao ler as notas no final de cada livro da série Morena). Acima, a representação de costumes dos Sateré-Maué: a festa da Tocandira de iniciação dos meninos à vida adulta, dançando com luvas de palha cheias de formigas e o beneficiamento do fruto do guaraná para transformá-lo em uma bebida, o çapó.
14 de outubro de 2010
com a palavra, o ilustrador

Livro organizado por Ieda de Oliveira, O QUE É QUALIDADE EM ILUSTRAÇÃO NO LIVRO INFANTIL E JUVENIL: COM A PALAVRA O ILUSTRADOR (DCL, 2008) é uma coletânea de artigos e depoimentos; graficamente caprichado, 216 páginas em couché brilhante e reproduções em cores, índice remissivo e orelha assinada por Nelly Novaes Coelho, assinalando, “nesta fabulosa, caótica, progressista e alienadora era da imagem”, uma irrevogável funcionalidade pedagógica da ilustração: “A palavra cria o texto, o qual serve de fonte para a criação da imagem, cuja tarefa é dialogar e expandir os sentidos do texto de modo a provocar, no leitor-aprendiz (a criança e o adolescente), o ‘olhar de descoberta’ que fará dele um leitor criativo.” É a imagem uma estratégia para materializar e mostrar os caminhos da interpretação?

Ponto alto, a simplicidade com que nos ensinam Odilon Moraes, o projeto gráfico do livro para crianças, e Ciça Fittipaldi, a narratividade da imagem. Eis um bom começo para a leitura dos artigos. Ambos apontam quais os vínculos que se produzem de um a outro código, num jogo incessante de construção e decifração: “Os temas estão colocados, em princípio, pela linguagem literária: uma história dá origem a uma imagem”, afirma Ciça, “a imagem, por sua vez, dá origem a uma história que, por sua vez, apresenta-se por meio de uma nova imagem, esta permitindo uma outra história e mais outra, alternativa que logo se transforma em outras imagens...” (2008: 103)
Os demais capítulos vêm nos trazendo ora informações mais técnicas, ora horizontes que sugerem novas pesquisas — um histórico da ilustração fechado ao século XIX, com Rui de Oliveira, as diferentes técnicas, com Renato Alarcão, e o uso das cores, com Cristina Biazetto; a relação palavra e imagem, por Marcelo Ribeiro, questões a respeito do pensamento, da leitura de imagens e do livro de imagens, por Marilda Castanha... São sete artigos, enfim.
E depois: as visadas pessoais sobre a ilustração e o livro ilustrado, no fazer e pensar de Ana Raquel, Ana Terra, André Neves, Angela Lago, Márcia Széliga, Maurício Veneza, Nelson Cruz, Regina Yolanda, Ricardo Azevedo, Rosinha Campos, Thais Linhares e três ilustradores portugueses: Gémeo Luís, João Vaz de Carvalho e Teresa Lima.
Nas fotos: capa, contracapa e dobras do livro organizado por Ieda de Oliveira: dupla página com Edvard Munch intertextualizado por Marilda Castanha, uma ilustração com recortes em papel craft de Gémeo Luís e a abertura do artigo de Renato Alarcão.
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Ciça Fittipaldi,
Cristina Biazetto,
DCL,
Ieda de Oliveira,
Marcelo Ribeiro,
Marilda Castanha,
Nelly Novaes Coelho,
Odilon Moraes,
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