dobrasdaleitura | Qual conto de encantamento não tem deixado um rastro de PERGUNTAS INQUIETAS atrás de si? Pois antes mesmo de abrir o livro de Beatriz Martín Vidal, poderíamos fazer uma lista de questionamentos sobre os importantes pontos de luz, sombras e as relações humanas, familiares, entre iguais-desiguais que as narrativas populares de magia carreiam.
À nossa percepção, instinto, memória e sentimentos de abandono, torna-se notável como o sono é uma constante nas tramas de A Bela Adormecida, Branca Neve e mesmo Chapeuzinho Vermelho, mas nunca os narradores tradicionais adentraram o sonho e registraram de lá as imagens misturadas de esperança e destruição. As ilustrações de Beatriz Martín Vidal não se propõem a ocupar esse espaço, mas chamar a atenção, com traços de realismo fantástico, a pintura a óleo, para a existência de um assombroso mundo interior iluminado de dúvidas.
Entre o selvagem negro que o lobo teme e o branco esquecimento sobre a história da menina que jamais voltou da floresta, meninas e princesas apenas parecem dormir — as pupilas da vigília sobrevoam paixões e flores de pedra. E os olhos cerrados, semicerrados, ou quase cegos pela abundância da luz, olhos amarelos, garços, cinzas, estranho estado de atenção, cabelos presos, cabelos cortados, com vigor. De repente, a beleza de uma ideia sobre a maldade como instinto ou aprendizado. Qual a nossa história, como buscamos por um final feliz?
@beatrizmartinvidal
Thule Ediciones, 2016
tradução de Márcia Leite para
Editora Pulo do Gato, 2023
@editorapulodogato
🧡 #quemtemquindimtem
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11 de fevereiro de 2025
23 de maio de 2011
quando dois é bom demais
peter o.o’sagae



— Você não vai me ajudar a guardar essa bagunça, papai? Você também brincou, agora precisa arrumar junto comigo! — ela reclamou.
— Da próxima vez, eu não vou mais cair na sua conversa, ouviu, dona Olívia mandona? — o pai alertou...
Porém, todas as tardes, era assim: a menina vinha dizer só uma coisinha e terminava enrolando papai Raul com brincadeiras e aquela bagunça, as bonecas espalhadas pelo tapete da sala, para guardar. Papai Raul é pintor, papai Luís vive ligado ao computador. E Olívia tinha prometido não atrapalhar seu trabalho a não ser que algo muito grave viesse acontecer, como... uma filha quase “desfalecendo” de fome? Papai Luís segura o riso, mas não resiste!
Na trama afetiva do cotidiano, OLÍVIA TEM DOIS PAPAIS, de Márcia Leite com ilustrações de Taline Schubach (Companhia das Letrinhas, 2010), põe foco nas alegrias e nos desafios da pequena e esperta Olívia para conseguir ganhar um estojo de maquiagem e perfume “de verdade”, tendo evidentemente, ao fundo, a estabilidade do casal. Uma família que se aconchega pelos laços do amor para ninguém encontrar defeito.

— Sabia que você é um pai encantador? [...] “Encantador” era uma palavra que Olívia guardava para usar em situações muito especiais, principalmente quando tinha planos...
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