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11 de fevereiro de 2025

enigmas

dobrasdaleitura | Qual conto de encantamento não tem deixado um rastro de PERGUNTAS INQUIETAS atrás de si? Pois antes mesmo de abrir o livro de Beatriz Martín Vidal, poderíamos fazer uma lista de questionamentos sobre os importantes pontos de luz, sombras e as relações humanas, familiares, entre iguais-desiguais que as narrativas populares de magia carreiam.

À nossa percepção, instinto, memória e sentimentos de abandono, torna-se notável como o sono é uma constante nas tramas de A Bela Adormecida, Branca Neve e mesmo Chapeuzinho Vermelho, mas nunca os narradores tradicionais adentraram o sonho e registraram de lá as imagens misturadas de esperança e destruição. As ilustrações de Beatriz Martín Vidal não se propõem a ocupar esse espaço, mas chamar a atenção, com traços de realismo fantástico, a pintura a óleo, para a existência de um assombroso mundo interior iluminado de dúvidas.

Entre o selvagem negro que o lobo teme e o branco esquecimento sobre a história da menina que jamais voltou da floresta, meninas e princesas apenas parecem dormir — as pupilas da vigília sobrevoam paixões e flores de pedra. E os olhos cerrados, semicerrados, ou quase cegos pela abundância da luz, olhos amarelos, garços, cinzas, estranho estado de atenção, cabelos presos, cabelos cortados, com vigor. De repente, a beleza de uma ideia sobre a maldade como instinto ou aprendizado. Qual a nossa história, como buscamos por um final feliz?

@beatrizmartinvidal
Thule Ediciones, 2016
tradução de Márcia Leite para
Editora Pulo do Gato, 2023
@editorapulodogato

🧡 #quemtemquindimtem

5 de fevereiro de 2021

o domínio da flor azul

 

das imagens e traduções: a arte de Beatriz Martín Vidal não vem ilustrar, em sentido estrito, a narrativa da alemã Gudrun Mebs: BIRGIT. EINE GESCHICHTE VOM STERBEN (1982), no entanto elabora uma leitura no campo da metáfora que evoca o doloroso e invasivo processo do câncer, quanto explicita poeticamente uma história de morte: o domínio da flor azul em suas raízes é um eufemismo para a metástase e, veloz, vemos o afastamento da personagem até a dispersão das pétalas; na tradução de Daniel Bonomo para a editora Pulo do Gato, o título empresta à menina o nome da flor e busca atenuar a certeza da morte, com ÍRIS - UMA DESPEDIDA (2012) 



#quemtemquindimtem