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28 de novembro de 2025

não é um romance?

dobrasdaleitura | Há muito comentam que não é um romance, mas contos que Graciliano Ramos compôs e dispôs aleatoriamente, tal como a vida, as vidas secas. Aos treze anos, muito antes de saber que minha estrada daria em literatura, veio a admiração por Sinha Vitória e sua forma de ler o mundo na sombra das arribações no mulungu. Agora algo mágico retorna: o jogo está em buscar passagens da narrativa através do ensaio fotográfico de Ricardo Costa, como quem bebe água do caneco, encosta o fura-bolos à testa. Em que estava ela, eu pensando?
Em duas imagens simultâneas que se confundem, depois se distinguem, sem quebrar o vínculo com que antes conversavam. Ali está Fabiano, o menino mais novo ou o outro, o mais velho; ali está o homem que é todo homem reduzido da própria palavra. Fabiano é uma figura de barro e metonímia. Nisso, a relação palavra-imagem não é mais necessariamente aquela que se faz no espaço unívoco da página impressa, mas um diálogo através de tempos e topografias diversas.

Este livro das Edições Barbatana, por exemplo. Qual a diferença entre ilustração e ensaio visual? Temos aí três cadernos de fotografias que se intercalam, nas primeiras páginas, no meio e no quase final do livro, de modo que a relação palavra-imagem seja dada pela correferência, isto é, referem-se uma a outra. Saímos do campo da morfologia e adentramos uma dimensão pragmática, através da série visiva. A imagem comenta e expande o sentido do texto a ser redescoberto pelo leitor.
Redes e dobras, deixo aqui um registro das fotografias de Ricardo Costa no livro e nas molduras da exposição no Café Colombiano, juntamente com minhas próprias fotos sobre as figuras e as maquetes cenográficas empregadas no trabalho do artista.

@edicoesbarbatana
#gracilianoramos #vidassecas
@ricosta5 @ricardocostaarte
@cafecolombiano @lalibreria.br
#editorasindependentes

18 de novembro de 2025

rápida, às vezes ríspida

dobrasdaleitura | Ando numa preguiça chuvosa e terça-ferina! O que precisava era o ânimo da Thomasina Aquinino para colocar a casa (e os livros) em ordem! Ler, listar e guardar, ler, listar e... Temos aqui mais uma das histórias de Beatrix Potter, publicada em 1910, para uma leitura sem compromisso, adivinhando o labirinto que é toda vida de uma ratinha diligente, rápida, às vezes ríspida, com questões de ordem e limpeza.

A tradução de Cristina Porto para Edições Barbatana (2025) traz leveza a esta narrativa que bem poderia parecer um pesadelo de Thomasina contra os insetos que invadem sua casa. O sobrenome Aquinino, se me faz lembrar o “boi mudo” que costumava ser São Tomás de Aquino, igualmente me chega aos ouvidos como um trocadilho com Pequenino...

Os desenhos de Beatrix Potter são vistos como o ponto alto do livro, dado o apuro artístico e científico com que retrata os estranhos visitantes. Mas aproveitando as brechas de algumas cenas desenhadas pela autora-ilustradora original, Cristina Porto ajuda a intensificar o clima de interlocução com o leitor. Afinal, quem estava ali, na sala, secando os pés na boca da lareira? Quem? Quem?

#beatrixpotter @c.porto
#ahistoriadasenhorathomasinaaquinino
#colecaobeatrixpotter
#edicoesbarbatana
#editorasindependentes

18 de outubro de 2025

quantos anos tem tiggy tipico?


120 anos do lançamento d’A história da senhora Tiggy Tipico, de Beatrix Potter pela casa Frederick Warne & Co., em setembro-outubro de 1905. No dizer de Angela Lago, podemos pensar o livro como um livro de imagem onde a narrativa é contada duplamente com linguagens diferentes, o que permite aos leitores não alfabetizados acompanharem a sequência pictórica sem prejuízo do conteúdo das ações e/ou anteciparem o que será verbalmente transmitido.
A convite de @edicoesbarbatana, completei a tradução em junho de 2023 e o livro recebeu algumas distinções, como
🌺 Destaques Emília 2023 @revistaemilia
– Categoria: Livros Imperdíveis

🌺 Selo “Altamente Recomendável” @fnlij 2024
– Categoria: Tradução/Adaptação Criança

🌺 Seleção Clube Quindim @clubequindim
– Leitores Autônomos, março de 2024 (nova capa)
Fotos: frontispício e um ouriço @tipoforadacasinha da Tina Bau. Por fim, cena do filme The Tale of Beatrix Potter (1983), com Penelope Wilton, no papel da autora-ilustradora, lendo o intrigante conto de Tiggy Tipico para crianças.
#quemtemquindimtem
#ahistoriadasenhoratiggytipico
#beatrixpotter #edicoesbarbatana
#editorasindependentes

🦔

11 de dezembro de 2024

uma coleção de livros e goles de chá!

Feliz em dizer que tenho passado bem as últimas noites, como se Mamãe Coelho tivesse me colocado na cama e me desse uma xícara de ‘matricaria chamomila’, ou então o quente chá de Tiggy Tipico depois de um dia de trabalho (receita secreta).
ENQUANTO ISSO,
no reino das editoras independentes... Edições Barbatana comemora a 7ª reimpressão da 2ª edição de A HISTÓRIA DE PEDRO COELHO, de Beatrix Potter, com tradução de Rosana Rios!

FESTA DO CHÁ
foto adicional @beatrixpottersociety

Latinha de ‘english breakfest tea’, com a tradicional mistura de folhas de chá preto originárias de Assam, Quênia e Ceilão, símbolo do imperialismo britânico sobre a Índia, África e Ásia Meridional.

Oh, sim! Para o resfriado, um bom chá de gengibre com mel e limão. Que tal um dente de alho esmagado na água fervendo, com açúcar queimado? Cama, carinho e leitura em dia!

🦔 #colecaobeatrixpotter
#ahistoriadepedrocoelho
#ahistoriadasenhoratiggytipico
#beatrixpotter #peterrabbit
#thetaleofmrstiggywinkle
#classicos #lij #literaturainfantil
#edicoesbarbatana

7 de julho de 2020

milhões de gatos



☆ NOSSA! — gritou alegremente o homem muito velho. — Agora eu posso escolher o gato mais belo e levá-lo para casa comigo! — Então ele escolheu um. Era branco.

☆ Quando o homem muito velho estava prestes a sair, ele viu outro gato. Era preto e branco e tão belo quanto o primeiro. Resolveu levá-lo também.

☆ Foi então que o homem muito velho viu outro gato. Era cinza e tão belo quanto o primeiro e o segundo. Ele o pegou também.

☆ Logo à frente, em um canto, ele viu outro gato. Era encantador. Decidiu levá-lo.

☆ Foi quando o homem muito velho encontrou um gato preto. Era muito bonito.
— Deixar esse aqui seria uma vergonha! — disse o homem muito velho. Então ele o pegou.

☆ Ainda ali perto, ele avistou um gato com listras marrons e amarelas. Parecia um tigre bebê.
— Eu preciso levar esse! — gritou o homem muito velho. E assim ele fez. ☆☆


Fragmento da animada e crítica narrativa MILHÕES DE GATOS, da escritora e ilustradora norte-americana Wanda Gág (1928). A edição brasileira conta com a tradução de Nathalia Matsumoto @nathmatsumoto e o projeto gráfico de Angela Mendes @edicoesbarbatana (2018) pp. 12-15 #FiqueEmCasa #AbreAspas2020