21 de outubro de 2011

farfalha livro de imagem

peter o.sagae

A lagarta passa e, na capa do livro de Taisa Borges, já vira título: A BORBOLETA (Peirópolis, 2009). Este é um livro de imagem descritivo em que o percurso (do olhar do leitor, de uma vida breve) se faz: do galho ao casulo, daí rompendo um voo em asas brancas. A borboleta vai: páginas, páginas, páginas... E farfalha, sobre um espelho d’água: na folha, eleva-se à proa: sob a chuva, qual chuva, vai: e abriga-se, então. Seca à sombra. E depois...

Temos j'aí uma narrativa sequencial? Através de vários fragmentos, Taisa Borges representa o voo de sua borboleta por um espaço que muito se parece com uma floresta de perigos... Mas é tudo uma questão de ponto de vista e o leitor vai engatilhando as imagens, página a página, metonimicamente – isto é, somando partes, pistas e instantes, compondo o todo de um conjunto: há, enfim, uma cena para ser descoberta. Por onde veio, vai e voa a borboleta?

Respondida a pergunta, o que vemos é uma nova dupla-página: praticamente um adendo, um extra, uma rubrica visual que, se não faz parte do jogo da leitura iniciado desde a capa até a grande cena final, ora, ora, ora, ajuda-nos a ampliar nossa percepção do código imagético como linguagem. Vale observar bem e comentar: além de ser uma forma de registro, a imagem é recursiva e, sobretudo, exercita sua própria capacidade de fazer referência a si mesma. E a lição de metalinguagem não poderia ser mais explícita que essa:


borboleta que pousa sobre a capa de um livro com folhas verdes e fortes desenhadas sobre um fundo roxo, uma lagarta que passa, um casulo na ponta do galho... e o par das brancas asas batendo onde o título está.


* Ver mais páginas do livro de Taisa Borges, na apresentação Caiu no livro é feixe... de imagens e ideias, oficina do 18o Encontro Regional do PROLER de Caxias do Sul, RS [2:45 a 3:04].

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