30 de julho de 2015

rabanete ou beterraba?

peter-o.o-sagae


O rabanete picante, a beterraba docinha, e um antigo conto rítmico – acredito que você já o conheça, basta uma imagem só


para lembrar desta lengalenga de origem eslava que foi plantada por todo imaginário europeu e se espalhou pelo mundo como todas as histórias – através da voz, dos livros, da escola para crianças, do rádio, dos desenhos animados...


A ordem de entrada e também o número de personagens podem variar ao infinito, como em uma brincadeira, por tratar-se de um conto acumulativo ou história de nunca-acabar. Vai depender do seu fôlego! No entanto, foi Aleksey Tolstói, um parente de um ramo distante de Liev ou Leon Tolstói, quem deu uma feição sonora bastante divertida, ao escrever uma versão a respeito de um nabo gigante que cresceu no quintal do vovô. No texto russo, repka (nabo) vai rimando com dedka (avô) e babka (avó), e todas as demais palavras no feminino: vnuchka (neta), zhuchka (cadelinha), koshka (gata) e myshka (ratinha).


Como sempre acontece nos contos populares, a história do puxa-que-puxa-o-rabanete-ou-a-beterraba-para-fora-da-terra termina com uma deliciosa moral ou risonha ironia. No reconto de Tatiana Belinky, O grande rabanete, ilustrado primeiramente por Leninha Lacerda (Moderna, 1990) e depois Caulus (2.ed. 1999), é a menor das criaturas – um rato – que chega, sente que fez diferença e canta a vitória, eu sou o mais forte! No livro de imagem de Anna Göbel, Um+um+um+todos (Autêntica, 2013), quase toda sequência de cenas vem apresentada em quadrinhos e o título dá pistas da lição final – rabanete ou beterraba, pouco importa: vale trabalharmos todos juntos, vale brindarmos todos juntos, porque a união... faz a força!


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