26 de setembro de 2016

enquanto está de boca aberta

peter O.ô sagae


Enquanto está de boca aberta é óbvio que... O LOBO NÃO MORDE! E você que é um leitor espertalhão nem precisa abrir o livro para saber o final da história. Porém, o que aprontam esses porquinhos ainda não estava escrito! Nem ilustrado! É preciso ver sem demora o que fazem esses três com um pobre lobo... diante do respeitável público de pequenos leitores. #emilygravett (2011) #editoracaramelo (2013) trad. Mila Dezan #literaturainfantil


Nas páginas-de-guarda, já começa a narrativa! A autora britânica Emily Gravet trabalhou por bons dois anos neste livro e o resultado inequívoco está na precisão e no frescor de cada movimento e das reações dos personagens.



A capacidade expressiva de cada porquinho vai percorrendo uma variada gama de sentimentos, como alegria, júbilo, despreocupação, orgulho, gabarolices... É notável que os três, unidos na brincadeira de capturar o lobo e colocá-lo no picadeiro debaixo do estalo do chicote, logo entram em uma competição entre si – o que se costuma chamar de “rivalidade fraternal”.

Talvez seja esse o ingrediente que faz a narrativa caminhar num clima de tensão crescente... Os porquinhos, afinal, vão inflando o próprio ego e ficando cada vez mais ousados nos números que desejam impor ao lobo selvagem!




Este é um livro ilustrado encenado, isto é, os personagens são desenhados sempre inteiros e passeiam pela página branca. Também eles falam livremente, como atores em um palco. Não é preciso qualquer cenário, um bom figurino e uma boa quantidade de objetos permitem a ação acontecer...


A estrutura narrativa é a lengalenga. Primeiro, o irmão mais velho faz o lobo se equilibrar em um banquinho. Depois, a irmã enfeita o lobo com um laço imenso. Por fim, o terceiro deseja montá-lo como um cavalo, pois O LOBO NÃO MORDE! É o título que serve de bordão e lá vão os três, trocando de posição e forçando a barra até que... confiantes demais, afirmam: podemos inclusive por a cabeça entre seus dentes afiados, porque lobo não... MORDE???



P.S. As ilustrações nessa postagem foram retiradas de variadas fontes, a partir da edição original publicada por Macmillan Children's Book, do Reino Unido (2011).

23 de setembro de 2016

palavras ao Zoo

peter O.ô sagae


Com que se parecem todas as manchas no corpo da girafa? Com todos os encantos da zoologia, neste imagiário de Jesús Gabán! Com certeza, não se trata apenas de uma coleção de animais nem só mais um livro de figuras... mas é tudo isso e mais um jogo para leitores de muitas idades que gostem de ciência e poesia, descobrindo as famílias de cada espécie, as semelhanças nos hábitos e na roupagem, também nas cores e nos nomes, contudo as semelhanças nas diferenças. Este livro se chama ZOO #editoraprojeto (2012) #jesusgaban #imagiario #livrodeimagem


Quem eu vejo? Um rinoceronte indiano do século XVI ou Clara, a rinoceronte, com sua casca tão grosso e escura... E, como laços, à sua volta voam borboletas multicores! Paquiderme é bicho casca-grossa como uma escavadeira, um tatu-bola na carapaça sanfonada, um besouro rola-bosta e até mesmo um caranguejo.


O que esses pássaros têm em comum com um mandril, e o mandril com um palhaço, e o palhaço com a palhoça?


Notívagos!
Olhos são faróis e vaga-lumes, mas são olhos
os olhos da Caligo, a borboleta-coruja?


Aqui eu penso: a girafa é
uma arca ou o baobá dos animais...

26 de julho de 2016

o estado das coisas

O'ABRE ASPAS


"Ainda era confuso o estado das coisas do mundo, no tempo remoto em que está história se passa. Não era raro defrontar-se com nomes, pensamentos, formas e instituições a que não correspondia nada de existente. E, por outro lado, o mundo pululava de objetos e faculdades, e pessoas que não possuíam nem nome nem distinção do restante. Era uma época em que a vontade e a obstinação de existir, de deixar marcas, de provocar atrito com tudo aquilo que existe, não era inteiramente usada, dado que muitos não faziam nada com isso -- por miséria ou ignorância ou porque tudo dava certo para eles do mesmo jeito -- e assim uma certa quantidade andava perdida no vazio." (Italo Calvino) O CAVALEIRO INEXISTENTE (1959) trad. Nilson Moulin: 1999 p. 35.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Seguidores