1 de dezembro de 2018

Adivinha quem vem para jantar?


. . . andava tão entretido, desde o último domingo, curtindo as postagens de amigos e colegas da literatura infantil e juvenil que conquistaram o Selo Cátedra 10, e acabou me passando despercebido que meu nome também participava desta premiação!

O livro OS CONVIDADOS DA SENHORA OLGA, originalmente “Adivinha quem vem para jantar?”, escrito e ilustrado por Eva Montanari, foi traduzido no final de 2014 para a Editora Jujuba e lançado apenas neste 2018.


Este é o terceiro livro da autora italiana que pude trabalhar e o resultado me deixa bastante contente, em ajudar a trazer seu universo de referências para o pequeno leitor brasileiro, incluindo Cosme Chuvasco de Rondó, o barão nas árvores, do italianíssimo Ítalo Calvino na companhia de outros personagens fantásticos da literatura universal. E, claro, aquele amor à leitura como um prato bom preparado lentamente sobre o fogão...


Vamos ler um trechinho?

Era velha, a senhora Olga, e vivia só no alto da colina. Era cega, a senhora Olga, mas sabia muitíssimo bem onde guardava a concha e o mexedor, a noz-moscada e o manjericão, o fermento e o açúcar de confeiteiro, porque cozinhar era a sua paixão.

A senhora Olga não desgrudava do fogão o dia inteiro. Em sua casa, não havia relógios, mas ela sabia perfeitamente quando era hora de jantar, pois tinha ótimos ouvidos, os ouvidos mais delicados da cidade.

Encostada atrás da porta, a senhora Olga podia ouvir seus convidados pulando, correndo, tropeçando, subindo, caminhando desde o sopé da montanha, e assim ela sabia exatamente quando era hora para começar a cozinhar o macarrão.

Sempre a senhora Olga tinha um convidado diferente e, cada convidado, um jeito especial de andar.


Quer saber da lista dos vencedores do Selo Cátedra 10?
Clique: bllij.catedra.puc-rio.br/index.php/selos/selo-2018
Uma ótima lista para presentear no Natal!

29 de novembro de 2018

correr todos os riscos


Era uma vez...
— Um rei! — logo dirão meus pequenos leitores.
Não, crianças, vocês erraram.

Era uma vez um pedaço de madeira. Não era uma madeira de luxo, mas um simples pedaço de lenha, daqueles que no inverno colocam-se nas estufas e nas lareiras para acender o fogo e para aquecer os aposentos.

Não sei o que aconteceu, mas o fato é que um belo dia esse pedaço de madeira foi parar na oficina de um velho marceneiro, cujo nome era mestre Antônio, mas que todos chamavam de mestre Cereja, por causa da ponta de seu nariz, sempre brilhante e vermelha como uma cereja madura.

*
De AS AVENTURAS DE PINÓQUIO, versão integral do texto clássico do escritor italiano Carlo Collodi, com tradução e ilustrações de Gabriela Rinaldi (Iluminuras, 2002) p. 11. Escreve Silvia Oberg, nas orelhas do livro:

"Muito diferente dos super-heróis de hoje, Pinóquio não tem poderes especiais — não pode voar, não enfrenta os inimigos com força descomunal, não tem inteligência privilegiada. Pinóquio é apenas um boneco de pau feito por mãos humildes, vivendo entre pessoas pobres, enfrentando a vida e, algumas vezes, se dando bem mal. Mas Pinóquio tem um coisa que o faz especial: teima em seguir seus desejos e para isto vai correr todos os riscos."

"Em um outro livro que escreveu para crianças, chamado Histórias alegres, Collodi conta suas lembranças de infância e convida seus leitores a adivinharem quem era o aluno mais preguiçoso, mais agitado e impertinente da escola. E revela seu segredo: não era ninguém mais a não ser ele mesmo! Assim, compreendemos um pouco a força do boneco Pinóquio por ele criado: Collodi era um Pinóquio de carne e osso..."

"Este boneco de pau desafia as convenções e os valores estabelecidos, porém o grande desafio que enfrentará será o de realizar o seu desejo de crescer, de não ser mais apenas um boneco de madeira, mas transformar-se num menino de verdade, transformar-se em gente. Este desafio parece não ser só o de Pinóquio, mas o de todos nós. Talvez, por isto, sua história continue sendo lida, relida, contada e amada por crianças e adultos, resistindo ao tempo e alimentando nossa busca por humanização..."



Carlo Collodi, pseudônimo de Carlo Lorenzini (29/11/1826 - 26/10/1890).

9 de novembro de 2018

meus miolos aqui esquentam

Extra! Extra! Extra!


“O esvaziamento de algumas palavras é prática característica dos dias correntes.” Esta frase de Gustavo Piqueira abre o terceiro volume da coleção Gráfica Particular, dedicado a homenagear e trocar em miúdos (e graúdos) o trabalho do autor editor brasileiro Sebastião Nunes. Era necessário evocar cinquenta anos dedicados aos livros como uma guerrilha necessária. Persistente. Diária. Com DELIRANTE LUCIDEZ. Ele é desses, ele são desses que consegue(m) avocar (atrair para si, aliciar) os acertos palavra + imagem = poesia que a mente distraída tropeçará como um erro.

Sebastião Nunes jamais fora publicado por grandes editoras às quais enviou um original. Ele é desses que fundam uma casa para si – e não curiosamente – chamada Editora Dubolso. Mas também pensou no leitor infantil com as Edições Dubolsinho. Quem se lembra? Então senta e ouve essa dessas dele:

"Criança não é um idiota pequeno, mas pode ser o projeto de um idiota grande." 

É para esquentar os miolos nesta véspera de feira, Feira Miolo(s). Mas hoje à noite ainda tem conversa. Sebastião Nunes de perto. Por isso essa pressa. Depois você pode levar ele embora consigo. O livro Sebastião Nunes: delirante lucidez é uma coedição da Lote 42 com a Casa Rex.



Ontem também teve Marília em meu caminho. Marilia Kubota e sua poesia: quando a gente se sente fora de lugar, o que dizer? Diremos
“agora ando à toa
entre quem vive ao léu
converso com toda pessoa
que teve um amor e perdeu” 
porque é tempo de abraços. É necessário sair desta máquina de colegas virtuais coléricos para a rua. A vida é necessária. Pra escrever. O livro DIÁRIO DA VERTIGEM foi publicado pela Patuá: contrato entre duas ou mais pessoas, sabe? Isso dá pauta. A Editora Patuá também participa da Feira Miolo(s) 2018.

Vamos nus movendo pra lá.
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