14 de junho de 2012

"É que sempre eu usei livro pra tudo"

O'ABRE ASPAS para Lygia Bojunga


"É que sempre eu usei livro pra tudo: pra saber ler, pra altear pé de mesa, pra aprender a usar a imaginação, pra enfeitar sala quarto a casa toda, pra ter companhia dia e noite, pra aprender a escrever, pra sentar em cima, pra rir, pra gostar de pensar, pra ter apoio num papo, pra matar pernilongo, pra travesseiro, pra chorar de emoção, pra firmar prateleira, pra jogar na cabeça do outro na hora da raiva, pra me-abraçar-com, pra banquinho de pé, eu sempre usei livro pra tanta coisa, que a coisa que mais me espanta é ver gente vivendo sem livro." (Lygia Bonjunga) Feito à mão, 1999.


P.S. 
Começo aqui outro jeito de postar minhas leituras, com fotografias e parágrafos. Era uma ideia que vinha cultivando desde 2010, mas desconfiava que poderia soar vagabundagem ainda que tenha escrito, eu mesmo, a respeito da figura do leitor "que são os navegadores, que somos nós — e não mais age como mero visitante, mas um seguidor de conteúdos. Arrisco a pensar que, embora a rede seja um ambiente de imersão virtual, ainda nos encontramos face a face com um leitor fragmentário que começa a dar uso social e sua própria velocidade à internet — um leitor, nascido no último século, sob o impulso da multiplicação das mídias, que lê a notícia pendurada nas bancas de jornal, a propaganda nos táxis e no alto dos prédios, a luz frenética que pisca na televisão e dança no vídeo-clipe. Seria, pois, a movimentação desse tipo de leitor, em mil direções, o que promove a dispersão de referências através da internet." Por isso, assim, O'Abre Aspas, meu álbum de citações.

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