dobrasdaleitura | Ora, direis, que a luz e o ângulo modificam os tons de uma imagem e as dobras de toda leitura. Como ouvir estrelas, colher versos debaixo de um abajur? Não foi ontem à noite, mas fora noites antes, que tenho acompanhado essa história quase lenda e acalanto de uma menina que ganhou da mãe uma estrela para prender-lhe e enfeitar os cabelos...
Talvez já não pudesse mais brincar de esconder com os amigos, pois vivia a brilhar por qualquer canto que fosse. Ora, pois, brincar com uma estrela como quem brinca com outro brinquedo qualquer, mas este, tão especial, tem vontades próprias, como não querer ir à escola. O que lhe diz a mãe? Que está tudo bem e irá buscar outra filha que, com outra estrela, também brilha...
““ Se você ficar quietinha,
estrela,
no meu caderno,
e não me queimar nem tremer,
passo um lápis,
sem fazer coceguinhas,
por todo o seu contorno.
Assim, te farei uma irmã
gêmea de purpurina
e, depois de recortá-la,
já não estará mais tão sozinha [...]
Com ilustrações de Sandra Jávera, o livro Bichinho de Luz nos dá um punhadinho de poemas de autora argentina Cecilia Pisos, traduzidos por Raquel Dommarco Pedrão para a Editora Incompleta (2019). Aí existe uma narrativa, onde cada poema é um quadro, uma cena de afeto, magia, o inesperado partir da estrela e a busca do eterno que se chama... Como se chama mesmo aquilo que há dentro da noite pontilhada?
Sonho ou reticências?
@ceciliapisos
@sandrajavera
@raqpedrita
@editoraincompleta
#dobrasdapoesia
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