19 de agosto de 2009

Um parafuso a mais para a literatura






Tino, substantivo masculino, um quê de instinto, certo discernimento: juízo natural. É isso o que ensina o dicionário. Um menino sem tino é um menino sem juízo, sem o senso do perigo, com um parafuso a menos: assim dizem as pessoas. Quando acorda esse menino, o dia todo se entorta com ele: do quarto bagunçado ao banheiro, onde está o juízo do menino que contente, contente, penteia os cabelos com uma escova de dente?

Tino também é um tipo de roedor. Em especial, um roedor de livros ;-) um menino sem juízo, naturalmente. Aí se escreve o nome dele com letra maiúscula: Tino. E um Tino sem tino é o mesmo que um menino sem parafuso? Ou um parafuso sem menino? Porque, neste livro em que o Tino Freitas poetou, Mariana Massarani afrouxou parafusos por todas as páginas para o leitor encontrar. Está dentro do armário, no frio da geladeira ou guardado na mochila? Por onde o menino passa, vai deixando sua marca, sua idiossincrasia, sua mania de fazer as coisas a seu modo... Podem falar à vontade, comentar, reclamar, criticar, chiar: o menino passa. Passa adiante.

Quando chega a noitinha, o menino — que é míope para a ordem ordinária do mundo — aventura-se. Num livro... E a ilustração abre o diálogo do presente com os textos da tradição literária para crianças e jovens, desparafusando mais horizontes para a leitura de O gênio do crime, de João Carlos Marinho, Pluf, o fantasminha, de Maria Clara Machado, Drácula, de Bram Stoker, O patinho feio, de Andersen, Robson Crusoé, de Daniel Defoe, Alice no país das maravilhas, de Carroll, obras de Monteiro Lobato e Júlio Verne.

Em seu livro de estreia, Tino Freitas compõe trovas bem quadradinhas para cantar a história de um menino sem juízo — e aparece ele próprio, Tino, todo colorido com seu violão, ajuizando o parafuso da leitura bem lá no final do texto. A voz narrativa cede lugar à mensagem do autor, transformando o livro em uma peça de atividade leitora: é necessário recomeçar e procurar os parafusos soltos na ilustração. Mas, será que a gente não tinha visto, não?



Com os Roedores de Livros: sacola e juízo.

3 comentários:

  1. Nada como perder o juízo, não?
    ;o)

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  2. ...puzzle
    viviendo
    imagenes
    del
    alma
    al
    convivir
    con
    el
    juego
    de
    la
    imaginacion
    peter...


    desde mis--- horas rotas-----

    te sigo peter , con un fuerte abrazo de

    emociones dentro.

    afectuosamente
    peter :

    jose
    ramon....

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  3. Leu a minha, Peter?
    Nada parecida com sua por ter pouco "tino como o Tino"!
    O livro agradece e continuamos na luta.
    Abraços

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