11 de abril de 2010


Da Cunha (2002: 43, tese) explica que
todo pensamento, toda ação e toda concepção humana é um processo de semiose — um diálogo entre signos. A filosofia de signos de Peirce é uma filosofia em que: não existem princípio nem fim absolutos; toda interpretação atribui novos significados aos anteriores; o mundo dos signos é uma continuidade, — um processo histórico; o mundo é um texto, onde todo fenômeno significa e, portanto, é para ser interpretado; a semiose é um processo de interpretação criativo.
Esta interpretação criativa é posta em meta pela autora, através da apreensão do jogo de interpretantes que se corporifica na produção contemporânea da literatura para crianças e jovens — ressalvando-se, nas palavras de Maria Zilda (2009: 66-67),
que interpretante não é o intérprete: o interpretante é o efeito interpretativo que o signo produz em uma mente [...] Nós, no papel de leitores, ocupamos a posição lógica do interpretante dinâmico, em nosso corpo a corpo com a obra — os efeitos que o signo produziu em nós como intérpretes.
Para evidenciar como distintos embates interpretativos vêm constituídos nos próprios livros de literatura para crianças, conforme a escolha e as decisões de seus criadores, a pesquisadora oferece um gradiente semiótico que explicita o pêndulo de um uso mais convencional dos signos ao jogo estético com os leitores — em uma seqüência de exemplos, movimentando-se [...]

[1] pela força da contigüidade mais simples na relação texto-contexto: verbal e visual em diálogo de reforço às referências externas ao plano da obra, contidas em uma percepção cotidiana do universo infantil;

[2] pela articulação entre signos e significados, o que diz respeito à ambivalência da literatura infantil [...] como objeto de leitura para a criança e para o adulto, atendendo a um duplo-interesse de decodificação: a literal e a simbólica, o figurativo e o ideológico que, muitas vezes, tem obrigado o pequeno leitor a abandonar a concreção ficcional para abrigar-se inconsolavelmente na abstração — aspecto ambicionado pela “mediocridade quantitativa” da produção literária para crianças que arremata Daniel Link (2002) como falácia, falseamento e fracasso da literatura infantil;

[3] pelas possibilidades de correlacionar significados que se descolam e deslocam-se a cada lance interpretativo do feixe palavra&imagem, através de similaridades e fusões rítmicas verbo-visuais que saltam, como afirmaram Palo & D. Oliveira (1983: 66), “para fora do símbolo e do código alfabético” rumo ao domínio das informações estéticas iconicamente estruturadas.

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