18 de junho de 2010

Por onde o menino vai...

por Peter O'Sagae


Página e paisagem se tocam. Ideias e possibilidades de jogo também. A um só tempo, a estrada escorre da tinta numa quase-homenagem ao imaginário que flutua no rio de palavras. A dupla-página, contudo, permite uma leitura inversa:
basta virar o livro que temos à mão para saber que as imagens do mundo fantástico escorrem pelo mesmo rio de tinta que dá vestimenta à escritura. É o suporte físico que se entrega ao leitor como signo-de-uma-coisa com a qual se pode brincar, pela manipulação — tão bem definida pela etimologia e a história dessa palavra nos dicionários, entre 1716 e 1767, ação de manipular substâncias químicas, ação de influenciar as pessoas; já em 1931, exercício do ilusionismo. Do latim clássico, “manipùlus”, manípulo, punhado. Um só punhado-fragmento basta — a obra não se esgota, a teoria sim.


* Da tese Imagens & enigmas na literatura para crianças que defendi em 2008. Não estudei à exaustão, apenas deixei entrevistas as imagens cinéticas que o livro-enquanto-objeto abre às mãos do leitor infantil.

Um comentário:

  1. Por onde o menino vai... Que livro encantador! Não conhecia e preciso urgente de tê-lo comigo. Que PESSOA LINDA fez esse LIVRO LINDO! Parabéns!

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