27 de julho de 2011

“como se escreve o tamanho do tempo”

peter o.sagae


O tempo e a leitura coincidem em certas marcas, letras, horas, vozes: disso estou quase seguro. Voos que não se repetem, presente que não se embrulha, manhã ou primavera que se guarda na memória, amizades. Assim, a cada visita a um texto de Bartolomeu Campos de Queirós, encontramos algo que não se consegue tocar outra vez, posto sentimento que passa mais depressa que passarinho: os pousos nas pausas serão sempre novos, modificando o que imaginávamos saber, saboreando o que antes não fora pressentido.



Tempo de voo, texto que nos leva para dentro da gaiola vazada do tempo, destrava o lugar dos encontros entre o velho e um menino, em um diálogo de descobertas sobre o instante presente e o antes vivido. Duas vozes, suas muitas interrogações, a mesma teima em compreender o tempo que modifica tudo no mundo. “Ele muda a história, desvia águas, come estrelas, mastiga reinos, amadurece frutos, apodrece sementes. Nada fica fora do tempo. Moramos dentro dele, impedidos de abraçá-lo. O tempo foge para não ser amado. Quem ama para e fica. O tempo foge.”

Livro ilustrado pelo espanhol Alfonso Ruano, com a inspiração e a força de imagens surrealistas, publicado primeiramente no México (capa dura), antes de chegar ao leitor brasileiro: Tiempo de vuelo, Tempo de voo (Ediciones SM, 2008; Comboio de Corda, 2009).

Um comentário:

  1. É lindo mesmo esse livro! Delicadeza em poesia, em cada verso, em cada metáfora, em cada imagem (ilustrada ou imaginada). Emocionante!

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