31 de outubro de 2013

o corpo leve no curso do rio

Peter O’Sagae*


Será que a morte sente saudades quando a gente parte? Talvez o pato da história de Wolf Erlbruch pudesse fazer essa pergunta depois de alguns dias na companhia da morte de sorriso sempre amigo que seguia os seus passos.


Contudo, justamente ela, justamente com ele, aprendeu a mergulhar no lago, ter alguém para conversar e esquentar seu corpo, ver o mundo de cima de uma árvore... Até que o dia em que o pato deitou para descansar – e não mais acordou!

Com uma delicada trama ao gosto das fábulas, apólogos e parábolas, profundamente filosófica, simples e poética, sobre os sentidos que a vida possui para cada pessoa ou ser, o leitor encontrará o amparo que a amiga morte fez ao companheiro, nas páginas finais, ao deitar corpo leve no curso do rio e pousar em seu peito uma tulipa e, por pouco, muito pouco, não ficar triste. Porque assim é vida, feita de encontros que nos fazem estar mais próximos de quem se gosta.

O PATO, A MORTE E A TULIPA, de Wolf Erlbruch e ilustrações do próprio autor, tradução de José Marcos Macedo (Cosac Naify, 2009) é uma obra para leitores de todas as idades, sem sombra de dúvidas.


* Especial para a Bibliografia Brasileira de Literatura Infantil e Juvenil 2009, produzida pela BIJ Monteiro Lobato de SP.

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