14 de dezembro de 2013

erra uma vez o lobo e...

peter ô.ô sagae


Realmente me diverte o livro de imagem feito por Silvana Menezes,
Cabelinho Vermelho e o Lobo Bobo (Abaccate, 2011). Produção caprichada, capa dura, páginas de guarda como um morango vermelho maduro... Ops!
Essa é outra história, não é mesmo? E também é outra a história que a autora vem contar: não é a canção de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, não é
o conto da tradição, não é desenho animado de televisão, mas tem bossa, memória e ritmo que mesmo os leitores mais distraídos serão capazes de fazer uma découpage, uma decupagem qualquer.

Gosto do Lobo Bobo olhando e acenando para o leitor, numa espécie de graça e pantomina que quebra a parede invisível que separa o palco e a plateia. Gosto das árvores, dos troncos das árvores, que não pedem tradução em palavras, mas uma concordância da visão sobre sua beleza e estranheza. E Cabelinho Vermelho pela floresta passa, cenograficamente, de um quadro para outro. Gosto do recurso da moldura, gosto do céu trocando de cor, é luz amarela, azul, cor de arrebol, cor de anoitecer, cor de noite escura coalhada de estrelinhas como... o vestido de uma certa Bruxinha! São realmente os elementos formais e pictóricos que me remetem a Eva Furnari e à magia dos livros de imagem para crianças bem pequenas. Mas a história, aqui é outra!


O tempo vai passando, a menina caminhando, o lobo vai se esgueirando e as sombras se alongando sem nunca tocar um fio de cabelo da Cabelinho Vermelho! E o leitor esperando, vai pegar ou não vai, o que vai acontecer quando o Lobo Bobo pular em cima da Chapeuzinho, ops! Da menina suculenta de vestido de morango maduro vermelho? E que cara de sonsa é essa, Cabelinho Vermelho assoviando?

Pausa para um comentário: todo mundo já botou o bedelho na antiga história, dizendo que o lobo era um escândalo, uma história de pouca vergonha e atrocidades; quiseram mesmo tirar o lobo de cena, mas tiraram o lenhador pois é coisa incorreta derrubar árvores, ou mudaram o papel do caçador que é coisa incorreta caçar lobos... Quiseram tanta coisa chata que ninguém mais soube o que quis, eu bem que disse, eu vem que vi, mas ninguém quis barrar a história pensando que era uma vez um caso de trabalho infantil, o primeiro delivery, serviço de entrega de comida à domicílio, afinal, coitadinha da vovó... lendo literatura para crianças? Ops, não era essa a resenha!


Era uma vez um lobo chamado Lobo Bobo – e você vai descobrir por quê, lendo sozinho a sua história, atrás de uma menina de Cabelinho Vermelho que atravessava a floresta como tão bravamente fizeram outras meninas e meninos do tempo de outrora. O que pode outra vez acontecer, ou acontecer diferente, quando a menina chegar à casinha iluminada pela lua com fumaça saindo pela chaminé... ? Adivinhe!


Que olhos grandes você tem, leitor!

Um comentário:

  1. Oi trabalhamos muito. Parabéns pelo lindo trabalho.
    venha me visitar e conhecer meu novo espaço
    wrcriacoes.zip.net
    bjs

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