30 de julho de 2010

Tem magia no que o bicho faz

por Peter O'Sagae


Viajando de Portugal para o Brasil, Maria Borralheira, ou simplesmente Maria, encontrou em cada rincão da nova terra um sotaque e um aconchego diferente. Já fora vista em bailados, depois da missa, em Sergipe e nas Minas Gerais, nas cirandas praieiras da Bahia e do Pernambuco... Ela, de fato, andou, andou e andou, conquistando amigos mágicos tão diferentes quanto uma vaca ou um caranguejo, um peixe ou um cordeiro; vez em outra, uma santa padroeira, uma sereia ou uma boa velhinha atrás da porta. Que importa? Depois de tanto sofrer nas mãos daquelas que todo-mundo-bem-sabe-quem, ela merece um descanso, um vestido novo, uma paixão, um compromisso pela vida inteira que a faça feliz, muito feliz.

É sempre-outra, sempra a mesma Maria que acompanhamos nas ilustrações de Graça Lima: Maria que vem do Maranhão, da voz dos índios Tenetehára, através de um registro de Eduardo Galvão (1941) para as páginas de Cinderela brasileira, de Marycarolyn France, com tradução de Luiz Raul Machado (Paulus, 2006). Vale toda magia que o carneiro de Maria faz para fiar dez cestos, muitos cestos de algodão...



“Quando passou pelo portal, as pessoas se viraram para olhar e um murmúrio correu a assistência, pois Maria estava mesmo linda. Seu rosto brilhava com a felicidade que sentia. Estava tão diferente que nem a madrasta nem as irmãs a reconheceram. Todos os rapazes olhavam para ela.”

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