Peter O.o SagAe
Com acento de poesia, Leo Cunha conta com leveza o que é desencanto na vida de um sabiá: não saber voar, assobiando ressabiado consigo mesmo o apetite de caber no ar e “passar por cima das casas, das ruas, das gentes, do medo”. Mas há também na história uma girafa, com imenso silêncio e a vontade de cantar... O SABIÁ E A GIRAFA, il. Graça Lima (1993), é uma fábula moderna a respeito dos encontros (que podem parecer) fortuitos e o fortalecimento mútuo. Para leitores de qualquer altura. E sonhos em várias dimensões #editoraftd (2012) #literaturainfantil #leocunha #graçalima
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4 de março de 2016
17 de outubro de 2013
o personagem e as personagens encalhadas
Peter O’Sagae
Em 1995, Angela Lago apresentava O PERSONAGEM ENCALHADO para crianças e adultos exigentes. Nesta obra contendo apenas vinte e quatro páginas escritas e rabiscadas, como um rascunho, uma estranha figura esguia, com a aparência de gênio ou outra espécie curiosa, emerge da dobra central do livro – e busca dali escapar. Quando pensa ter êxito na fuga, ele nota, decepcionado, o pé preso no grampo da encadernação... E, irremediavelmente preso, o personagem encalhado sucumbe na montoeira de palavras manuscritas por algum autor invisível.
Ora, brincando com as categorias da construção literária e o uso do suporte material, sempre em uma atitude de metalinguagem, a autora Angela Lago estabelece uma cena a respeito da desventura do texto. Já não existe mais uma história a ser contada, daí que o personagem encalhou. O tempo e o espaço são tão só espaço gráfico e um tempo-movimento que advém da mão de cada leitor para virar a página – ou, indiscretamente, bisbilhoteiro e estacionado, colocar-se à leitura do rascunho em letras miúdas e cinzas ao fundo. O texto lá escondido e à mostra como cenário, é repetido por quarenta e duas vezes como variações de um exercício de escrita. Existe pois um jogo deliberado, intencional, complexo à luz de algumas teorias. Há quem aí possa apostar em desconstrução. No entanto, jamais abandonando a comunicação com a criança e o senso lúdico e o humor e a cooperação dos leitores.
Em 2000, Elisa Lucinda trouxe à literatura infantil A MENINA TRANSPARENTE, com ilustrações de Graça Lima, versos de métrica bastante prosaica e rimas de quando em quando. Essa menina não é uma personagem, mas uma personificação. Nas asas da adivinha e da metáfora, disfarçada de todas as coisas, a menina esparge pistas sobre si e o seu modo de existir – “Uns me pegam pra criar em livro,/ Outros me botam num vestido lindo”, “Tem gente que diz que eu/ Nasço dentro da pessoa,/ E faço ela olhar diferente”. Voando, livre, a voz lírica anima um corpo imaginário de sentimentos e passagens por lugares diversos, do papel à palestra, da música ao mar, do ar às plantas, das estrelas à esperança. Sim, a menina transparente é a Poesia.
Ora, Dobras da Leitura tem recebido livros* que já não podem ser compreendidos, nem criticados rumo a um ou outro projeto de literatura para crianças. Passando do feitio dos textos aos efeitos sobre a recepção, muitos trabalhos denunciam a si mesmos pelo afastamento voluntário do mundo que nos rodeia e que poderiam representar em suas páginas. No entanto, neles também não encontrei rastros de metalinguagem, som e sentido, imagens e enigmas entre o verbal e a ilustração. A falta de coerência não deve ser levada à conta de negar a construção ficcional estabelecida pela tradição das histórias, mas uma fraqueza insuperável para o leitor – em suas várias idades.
Revendo os estruturais de uma narrativa, tempo e espaço indeterminados têm produzido a anulação de cenários onde os personagens pudessem se movimentar e transformarem-se. A ilustração igualmente comparecerá vazia de sintaxe e significados, na página com fundo uniforme ou com texturas assumindo a tarefa de ambientar desenhos sem contiguidade de ação. Sem esse compasso antes/depois, causa e consequência, nenhuma história se desenrola. As personagens estão encalhadas.
Por um excesso de laboratório com a linguagem, as personagens perderam-se em algo que não é representação, nem poesia; algo que não pode ser lido fora de uma descrição de emoções e episódios particulares, de acentos ligeiros, dor que fingida ou honestamente não dói, alegria que não anima. Mas talvez essas estratégias venham responder a um exercício íntimo de conhecimento e ninguém aqui poderia vir censurar a iniciativa do invento... A deficiência da crítica é muitas vezes enfrentar silenciosamente esse moinho de solipsismo que pretende nos ensinar que o único ser existente é uma personagem dona do próprio nariz, autorreferente e autossuficiente, dispensando a companhia do leitor, qualquer leitor.
* Nas fotografias, por ordem de publicação: DESLEMBRAR, de Luciano Pontes e Rosinha (Larousse, 2009), A MENINA QUE FALAVA BORDADO, de Blandina Franco e José Carlos Lollo (Amarilys, 2010), MENINA-MENINA, PRINCESA DE LAMA..., de Rosana Villela e Giselle Vargas (Paulinas, 2011), O MUNDO DE UMA MENINA DE SONHOS, de Renata Wirthmann e M. Monteiro (Cepe, 2011), e CARMELA CARAMELO, de Cristiane Rogerio e André Neves (Cortez, 2012).
Em 1995, Angela Lago apresentava O PERSONAGEM ENCALHADO para crianças e adultos exigentes. Nesta obra contendo apenas vinte e quatro páginas escritas e rabiscadas, como um rascunho, uma estranha figura esguia, com a aparência de gênio ou outra espécie curiosa, emerge da dobra central do livro – e busca dali escapar. Quando pensa ter êxito na fuga, ele nota, decepcionado, o pé preso no grampo da encadernação... E, irremediavelmente preso, o personagem encalhado sucumbe na montoeira de palavras manuscritas por algum autor invisível.
Ora, brincando com as categorias da construção literária e o uso do suporte material, sempre em uma atitude de metalinguagem, a autora Angela Lago estabelece uma cena a respeito da desventura do texto. Já não existe mais uma história a ser contada, daí que o personagem encalhou. O tempo e o espaço são tão só espaço gráfico e um tempo-movimento que advém da mão de cada leitor para virar a página – ou, indiscretamente, bisbilhoteiro e estacionado, colocar-se à leitura do rascunho em letras miúdas e cinzas ao fundo. O texto lá escondido e à mostra como cenário, é repetido por quarenta e duas vezes como variações de um exercício de escrita. Existe pois um jogo deliberado, intencional, complexo à luz de algumas teorias. Há quem aí possa apostar em desconstrução. No entanto, jamais abandonando a comunicação com a criança e o senso lúdico e o humor e a cooperação dos leitores.
Em 2000, Elisa Lucinda trouxe à literatura infantil A MENINA TRANSPARENTE, com ilustrações de Graça Lima, versos de métrica bastante prosaica e rimas de quando em quando. Essa menina não é uma personagem, mas uma personificação. Nas asas da adivinha e da metáfora, disfarçada de todas as coisas, a menina esparge pistas sobre si e o seu modo de existir – “Uns me pegam pra criar em livro,/ Outros me botam num vestido lindo”, “Tem gente que diz que eu/ Nasço dentro da pessoa,/ E faço ela olhar diferente”. Voando, livre, a voz lírica anima um corpo imaginário de sentimentos e passagens por lugares diversos, do papel à palestra, da música ao mar, do ar às plantas, das estrelas à esperança. Sim, a menina transparente é a Poesia.
Ora, Dobras da Leitura tem recebido livros* que já não podem ser compreendidos, nem criticados rumo a um ou outro projeto de literatura para crianças. Passando do feitio dos textos aos efeitos sobre a recepção, muitos trabalhos denunciam a si mesmos pelo afastamento voluntário do mundo que nos rodeia e que poderiam representar em suas páginas. No entanto, neles também não encontrei rastros de metalinguagem, som e sentido, imagens e enigmas entre o verbal e a ilustração. A falta de coerência não deve ser levada à conta de negar a construção ficcional estabelecida pela tradição das histórias, mas uma fraqueza insuperável para o leitor – em suas várias idades.
Revendo os estruturais de uma narrativa, tempo e espaço indeterminados têm produzido a anulação de cenários onde os personagens pudessem se movimentar e transformarem-se. A ilustração igualmente comparecerá vazia de sintaxe e significados, na página com fundo uniforme ou com texturas assumindo a tarefa de ambientar desenhos sem contiguidade de ação. Sem esse compasso antes/depois, causa e consequência, nenhuma história se desenrola. As personagens estão encalhadas.
Por um excesso de laboratório com a linguagem, as personagens perderam-se em algo que não é representação, nem poesia; algo que não pode ser lido fora de uma descrição de emoções e episódios particulares, de acentos ligeiros, dor que fingida ou honestamente não dói, alegria que não anima. Mas talvez essas estratégias venham responder a um exercício íntimo de conhecimento e ninguém aqui poderia vir censurar a iniciativa do invento... A deficiência da crítica é muitas vezes enfrentar silenciosamente esse moinho de solipsismo que pretende nos ensinar que o único ser existente é uma personagem dona do próprio nariz, autorreferente e autossuficiente, dispensando a companhia do leitor, qualquer leitor.
* Nas fotografias, por ordem de publicação: DESLEMBRAR, de Luciano Pontes e Rosinha (Larousse, 2009), A MENINA QUE FALAVA BORDADO, de Blandina Franco e José Carlos Lollo (Amarilys, 2010), MENINA-MENINA, PRINCESA DE LAMA..., de Rosana Villela e Giselle Vargas (Paulinas, 2011), O MUNDO DE UMA MENINA DE SONHOS, de Renata Wirthmann e M. Monteiro (Cepe, 2011), e CARMELA CARAMELO, de Cristiane Rogerio e André Neves (Cortez, 2012).
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Amarilys,
André Neves,
angela-lago,
Cepe Editora,
Cortez Editora,
Editora Record,
Elisa Lucinda,
Graça Lima,
Lafonte Larousse,
Paulinas,
RHJ Editora,
Rosinha
6 de setembro de 2013
o esboço do pensamento
setembro na mesa 1
É a palavra sobre a imagem no livro ilustrado para crianças que encontramos em TRAÇO E PROSA, entrevistas com ilustradores de livros infantojuvenis por Odilon Moraes, Rona Hanning e Maurício Paraguassu (Cosac Naify, 2012), recontando uma história íntima da literatura infantil brasileira sob a perspectiva que mais atende ao interesse de leitores entre adultos e crianças: a ilustração, em primeira pessoa, em primeiro plano, nas conversas registradas dentro dos ateliês de doze grandes nomes.
Eliardo França, Rui de Oliveira, Eva Furnari, Alcy Linares, Ricardo Azevedo, Helena Alexandrino, Nelson Cruz, Marilda Castanha, Graça Lima, Mariana Massarani, Roger Mello e Angela Lago delineiam a ambição do livro ilustrado como uma linguagem única em nosso cenário editorial, abrindo os bastidores de seus sonhos e todo o esforço criativo para estabelecer laços de comunicação e afetos com os leitores. “Para o preparo das entrevistas”, afirmam os organizadores, “consultamos a bibliografia existente sobre o assunto. Apesar de escassa, achamos alguns temas comuns nessas fontes, o que nos levou a dividir em três os tipos de abordagem que seriam de grande ajuda para nosso projeto. Elas foram denominadas por nós de histórico-sociológica, pedagógica e formalista. Essa classificação, mesmo não sendo completa, demonstrou-se suficientemente abrangente e útil para o propósito de definir as perguntas para as entrevistas.” Dentre os muitos desafios de recorte e método, os autores necessitaram eleger a geografia editorialmente demarcada por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e o curso da década de 1970 aos dias atuais, no generoso diálogo com quatro representantes de cada estado.
Em quase 250 páginas de espontaneidade, riso fácil, segredos, formação profissional, vidas envolvidas com livros e imagens, TRAÇO E PROSA oferece um panorama compreensivo a respeito da dinâmica de processos artísticos que, muitas vezes, ultrapassa o depoimento personalíssimo e vai esboçando ordens mais gerais da produção contemporânea. Um exemplo instigante que lá encontramos é o tema da autoria em três diferentes articulações – quando um autor escreve, depois outro ilustra; a parceria entre escritor e ilustrador; e, por fim, escritor-ilustrador como um só criador –, que implicam nas relações convencionais, contratuais e contextuais da leitura que se transportam para dentro livro ilustrado para crianças. Ora, se o conjunto das entrevistas não responde por uma formulação teórica única, positivamente enseja ser o objeto de análise e reflexão junto a muitos pesquisadores de editoração, teoria literária, pedagogia ou crítica genética, interessados em rever o estatuto da literatura infantil brasileira, no reconhecer a transformação da leitura entre palavras e imagens, redesenhando o conceito sobre o que é livro ilustrado para crianças.
É a palavra sobre a imagem no livro ilustrado para crianças que encontramos em TRAÇO E PROSA, entrevistas com ilustradores de livros infantojuvenis por Odilon Moraes, Rona Hanning e Maurício Paraguassu (Cosac Naify, 2012), recontando uma história íntima da literatura infantil brasileira sob a perspectiva que mais atende ao interesse de leitores entre adultos e crianças: a ilustração, em primeira pessoa, em primeiro plano, nas conversas registradas dentro dos ateliês de doze grandes nomes.
Eliardo França, Rui de Oliveira, Eva Furnari, Alcy Linares, Ricardo Azevedo, Helena Alexandrino, Nelson Cruz, Marilda Castanha, Graça Lima, Mariana Massarani, Roger Mello e Angela Lago delineiam a ambição do livro ilustrado como uma linguagem única em nosso cenário editorial, abrindo os bastidores de seus sonhos e todo o esforço criativo para estabelecer laços de comunicação e afetos com os leitores. “Para o preparo das entrevistas”, afirmam os organizadores, “consultamos a bibliografia existente sobre o assunto. Apesar de escassa, achamos alguns temas comuns nessas fontes, o que nos levou a dividir em três os tipos de abordagem que seriam de grande ajuda para nosso projeto. Elas foram denominadas por nós de histórico-sociológica, pedagógica e formalista. Essa classificação, mesmo não sendo completa, demonstrou-se suficientemente abrangente e útil para o propósito de definir as perguntas para as entrevistas.” Dentre os muitos desafios de recorte e método, os autores necessitaram eleger a geografia editorialmente demarcada por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e o curso da década de 1970 aos dias atuais, no generoso diálogo com quatro representantes de cada estado.
Em quase 250 páginas de espontaneidade, riso fácil, segredos, formação profissional, vidas envolvidas com livros e imagens, TRAÇO E PROSA oferece um panorama compreensivo a respeito da dinâmica de processos artísticos que, muitas vezes, ultrapassa o depoimento personalíssimo e vai esboçando ordens mais gerais da produção contemporânea. Um exemplo instigante que lá encontramos é o tema da autoria em três diferentes articulações – quando um autor escreve, depois outro ilustra; a parceria entre escritor e ilustrador; e, por fim, escritor-ilustrador como um só criador –, que implicam nas relações convencionais, contratuais e contextuais da leitura que se transportam para dentro livro ilustrado para crianças. Ora, se o conjunto das entrevistas não responde por uma formulação teórica única, positivamente enseja ser o objeto de análise e reflexão junto a muitos pesquisadores de editoração, teoria literária, pedagogia ou crítica genética, interessados em rever o estatuto da literatura infantil brasileira, no reconhecer a transformação da leitura entre palavras e imagens, redesenhando o conceito sobre o que é livro ilustrado para crianças.
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angela-lago,
Cosac Naify,
Eliardo França,
Graça Lima,
Helena Alexandrino,
Mariana Massarani,
Marilda Castanha,
Nelson Cruz,
Odilon Moraes,
Roger Mello,
Rui de Oliveira,
Vitrine de Estudos
7 de março de 2013
dez menos sete, jacaré
Três livros de contar, por Peter O.O’Sagae
De penugem amarela, vieram passear os DEZ PATINHOS, de Graça Lima (Companhia das Letrinhas, 2010). O texto bem enxuto, resgatando a tradição das mnemonias, respeita integralmente o nível de leitura da criança que ainda não conhece todos os números. Saindo da lagoa, um patinho resolveu secar-se ao sol, outro pisou num chiclete, um caiu para fora do balanço, mais outro viu algo se mexer no mato... E vão, vão, vão ouvindo mugido de bois, dois patinhos palavra e imagem no lombo de um cavalo tentando voar: “As asas fizeram zunzum./ O primeiro conseguiu,/ deixando só um.” Todos, de volta ao ninho, encontram lá um novo vizinho...
Ana Terra também vem contar e ensinar os números com 1 tesoura, muito papel colorido, bom humor, 30ml de cola, palavras e lápis de cor... E O DENTE AINDA DOÍA (DCL, 2012) tem texto meu na quarta capa ;-)
“Jacaré gosta de tomar banho de sol, folgado e largado. Mas não conseguia descansar com uma tremenda dor de dente que lhe deu... Ah, coitado do jacaré! Vieram coelhos, sapos, ratos, tatus, toupeiras, patinhos e outros bichos para ajudar... Mas, e o dente? Ainda doía! Descubra como essa história vai acabar, com este livro que Ana Terra escreveu e ilustrou, especialmente para os pequenos leitores, brincando com os números, em ritmo de lengalenga e bastante diversão!”
Nem sei quem faz mais estripulias... Se é Caio Riter, o ilustrador Laurent Cardon ou Barnabé, o jacaré que chegou para perturbar SETE PATINHOS NA LAGOA (Biruta, 2013). Distanciando-se das estruturas orais de contar e cantar os números, uma narrativa em versos aqui se rende à palavra escrita, no meio de estranhas anástrofes, para fechar algumas rimas.
De penugem amarela, vieram passear os DEZ PATINHOS, de Graça Lima (Companhia das Letrinhas, 2010). O texto bem enxuto, resgatando a tradição das mnemonias, respeita integralmente o nível de leitura da criança que ainda não conhece todos os números. Saindo da lagoa, um patinho resolveu secar-se ao sol, outro pisou num chiclete, um caiu para fora do balanço, mais outro viu algo se mexer no mato... E vão, vão, vão ouvindo mugido de bois, dois patinhos palavra e imagem no lombo de um cavalo tentando voar: “As asas fizeram zunzum./ O primeiro conseguiu,/ deixando só um.” Todos, de volta ao ninho, encontram lá um novo vizinho...
Ana Terra também vem contar e ensinar os números com 1 tesoura, muito papel colorido, bom humor, 30ml de cola, palavras e lápis de cor... E O DENTE AINDA DOÍA (DCL, 2012) tem texto meu na quarta capa ;-)
“Jacaré gosta de tomar banho de sol, folgado e largado. Mas não conseguia descansar com uma tremenda dor de dente que lhe deu... Ah, coitado do jacaré! Vieram coelhos, sapos, ratos, tatus, toupeiras, patinhos e outros bichos para ajudar... Mas, e o dente? Ainda doía! Descubra como essa história vai acabar, com este livro que Ana Terra escreveu e ilustrou, especialmente para os pequenos leitores, brincando com os números, em ritmo de lengalenga e bastante diversão!”
Nem sei quem faz mais estripulias... Se é Caio Riter, o ilustrador Laurent Cardon ou Barnabé, o jacaré que chegou para perturbar SETE PATINHOS NA LAGOA (Biruta, 2013). Distanciando-se das estruturas orais de contar e cantar os números, uma narrativa em versos aqui se rende à palavra escrita, no meio de estranhas anástrofes, para fechar algumas rimas.
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ABC e Livro de Contar,
algumas orelhas e textos de quarta capa que fiz,
Ana Terra,
Biruta e Gaivota,
Caio Riter,
Companhia das Letrinhas,
DCL,
Graça Lima,
Laurent Cardon
12 de abril de 2011
os dias são sete…
peter o’sagae contando 7/9
Entre as mnemonias populares e os livros de contar, podemos incluir os semanários ou parlendas para ensinar a ordem e o nome dos dias da semana, associados, quase sempre a uma tarefa em particular. Na casa da avó, as tias solteiras pintavam panos de prato de saco alvejado, ora com mulatinhas faceiras, ora com holandesas sobre tamancos, sempre a mesma mocinha jeitosa retratada em sete panos, varrendo a casa, lavando a roupa, passando e engomando, carregando água, levando um cesto cheio de frutas e legumes, regando as flores, passeando com o namorado… Um pano de prato diferente, a cada dia, para lembrar o que fazer. O que isso tem a ver com a literatura infantil?

No livro de Renato Moriconi, CONTANDO A SEMANA (Jujuba, 2009), toda segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira é dia de escola para o menino, enquanto os cinco dias da semana são dia de feira para o pai. Cedo, ele acorda e carrega o caminhão com caixas de maçã; vai pra longe, monta a barraca, anota o preço, vende tudo, volta pra casa com as caixas vazias… Nos seus compromissos de estudo e trabalho, o filho e seu pai passam o sábado, abrem os abraços e, juntos, saem para brincar no domingo! De maneira muito simples e feliz, Renato Moriconi enriquece a espera e a experiência de cada um.
Por sua vez, Graça Lima nos apresenta a LUZIMAR (Nova Fronteira, 2009) que sai para trabalhar na casa de pessoas diferentes, chegando e fazendo coisas sempre de um jeito também diferente. Na segunda-feira, ela faz café para o Josué; na terça-feira, faxina para Cristina… Na sexta-feira, ela acorda a menina-narradora com bolo e café quente! Mas, ao fim do dia, todo dia, Luzimar brilha sob o céu que cobre o morro inteiro seu ;-)
Peter-peter pensa em estabelecer rotinas, criando noção do tempo que passa, a cada instante. Todo dia.
Entre as mnemonias populares e os livros de contar, podemos incluir os semanários ou parlendas para ensinar a ordem e o nome dos dias da semana, associados, quase sempre a uma tarefa em particular. Na casa da avó, as tias solteiras pintavam panos de prato de saco alvejado, ora com mulatinhas faceiras, ora com holandesas sobre tamancos, sempre a mesma mocinha jeitosa retratada em sete panos, varrendo a casa, lavando a roupa, passando e engomando, carregando água, levando um cesto cheio de frutas e legumes, regando as flores, passeando com o namorado… Um pano de prato diferente, a cada dia, para lembrar o que fazer. O que isso tem a ver com a literatura infantil?

No livro de Renato Moriconi, CONTANDO A SEMANA (Jujuba, 2009), toda segunda, terça, quarta, quinta e sexta-feira é dia de escola para o menino, enquanto os cinco dias da semana são dia de feira para o pai. Cedo, ele acorda e carrega o caminhão com caixas de maçã; vai pra longe, monta a barraca, anota o preço, vende tudo, volta pra casa com as caixas vazias… Nos seus compromissos de estudo e trabalho, o filho e seu pai passam o sábado, abrem os abraços e, juntos, saem para brincar no domingo! De maneira muito simples e feliz, Renato Moriconi enriquece a espera e a experiência de cada um.
Por sua vez, Graça Lima nos apresenta a LUZIMAR (Nova Fronteira, 2009) que sai para trabalhar na casa de pessoas diferentes, chegando e fazendo coisas sempre de um jeito também diferente. Na segunda-feira, ela faz café para o Josué; na terça-feira, faxina para Cristina… Na sexta-feira, ela acorda a menina-narradora com bolo e café quente! Mas, ao fim do dia, todo dia, Luzimar brilha sob o céu que cobre o morro inteiro seu ;-)
Peter-peter pensa em estabelecer rotinas, criando noção do tempo que passa, a cada instante. Todo dia.
20 de novembro de 2010
“Canta e dança agora, meu povo”

Dia da Consciência Negra, consciência de todas as suas cores, com a figura heróica e libertária de Chico Rei: do congo ao samba, uma riqueza dentro de todos nós.

Visão interna/detalhe do livro Chico Rei, de Renato Lima, com ilustrações de Graça Lima (Paulus, 2006).

A história de Chico Rei: um rei africano no Brasil, com textos e ilustrações de Béatrice Tanaka, acompanhado de “Escola de samba, uma escola de vida”, de Maria Augusta Rodrigues, e seguido do “Romanceiro VIII ou do Chico-Rei”, de Cecília Meireiles (Edições SM, 2010).

Visão interna/detalhe do livro Chico Rei, de Renato Lima, com ilustrações de Graça Lima (Paulus, 2006).

A história de Chico Rei: um rei africano no Brasil, com textos e ilustrações de Béatrice Tanaka, acompanhado de “Escola de samba, uma escola de vida”, de Maria Augusta Rodrigues, e seguido do “Romanceiro VIII ou do Chico-Rei”, de Cecília Meireiles (Edições SM, 2010).
30 de julho de 2010
Tem magia no que o bicho faz
peter O sagae
Viajando de Portugal para o Brasil, Maria Borralheira, ou simplesmente Maria, encontrou em cada rincão da nova terra um sotaque e um aconchego diferente. Já fora vista em bailados, depois da missa, em Sergipe e nas Minas Gerais, nas cirandas praieiras da Bahia e do Pernambuco... Ela, de fato, andou, andou e andou, conquistando amigos mágicos tão diferentes quanto uma vaca ou um caranguejo, um peixe ou um cordeiro; vez em outra, uma santa padroeira, uma sereia ou uma boa velhinha atrás da porta. Que importa? Depois de tanto sofrer nas mãos daquelas que todo-mundo-bem-sabe-quem, ela merece um descanso, um vestido novo, uma paixão, um compromisso pela vida inteira que a faça feliz, muito feliz.
É sempre a bela e simples Maria que acompanhamos nas ilustrações de Graça Lima: Maria que vem do Maranhão, da voz dos índios Tenetehára, através de um registro de Eduardo Galvão (1941) para as páginas de CINDERELA BRASILEIRA, de Marycarolyn France, com tradução de Luiz Raul Machado (Paulus, 2006). Vale toda magia que o carneiro de Maria faz para fiar dez cestos, muitos cestos de algodão...
É sempre a bela e simples Maria que acompanhamos nas ilustrações de Graça Lima: Maria que vem do Maranhão, da voz dos índios Tenetehára, através de um registro de Eduardo Galvão (1941) para as páginas de CINDERELA BRASILEIRA, de Marycarolyn France, com tradução de Luiz Raul Machado (Paulus, 2006). Vale toda magia que o carneiro de Maria faz para fiar dez cestos, muitos cestos de algodão...
“Quando passou pelo portal, as pessoas se viraram para olhar e um murmúrio correu a assistência, pois Maria estava mesmo linda. Seu rosto brilhava com a felicidade que sentia. Estava tão diferente que nem a madrasta nem as irmãs a reconheceram. Todos os rapazes olhavam para ela.”
21 de julho de 2009
Farejando palavra e imagem

Barrigudinho e sonolento, este amoroso basset hound vive uma verdadeira noite de cão-fusões, em um livro de imagem narrativo bastante risonho e criativo. A começar pelo título — quem não se lembra de uma noite mal dormida, uma tradicional noite de cão? Mas aqui vamos farejar o rumo do humor, quando a expressão, levada ao pé da letra, nos levará ao pé das imagens. Porque o cãozinho passará uma noite daquelas, com o clarão da lua atrapalhando o escurinho bom para dormir. O que ele pode fazer? Subir até o topo do mundo para desligar a luz...
Para contar a sua história, Graça Lima desloca códigos das histórias em quadrinhos e dos desenhos animados, organizando-os no espaço gráfico das páginas. A cercadura retangular,
Graça brinca com a simultaneidade de ações do personagem, como no exato momento em que estando a lua tristonha, ferida, amuada, com cara de nem-te-ligo-farinha-de-trigo, o esperto basset dança, joga bolinha, oferece flores e pensa em que mais poderia fazer — no melhor estilo "tudo ao mesmo tempo agora", desdobrado em quatro para mudar os ânimos da oclusiva lua. Assim, mais que estar habituado com a representação gráfica das onomatopéias, o leitor de HQ deve ter aprendido igualmente como a figura duplicata de um personagem, ou mais vezes repetida, sinaliza sua própria movimentação.
Tão comuns nos desenhos animados da televisão, as sucessivas mudanças do cenário rompem com a lógica dos ambientes lineares ou cotidianos: estamos nos movendo por espaços que mais pertencem à fantasia: ora tudo parece muito plano, aí existe uma montanha, depois um mar azul azul... — Um mar que se fez, aliás, do rio de lágrimas que o pobre basset chorou! Ou ainda quando, soltando fumaça pelo topo da cabeça, o cãozinho tira uma escada enorrrrrrrrrme e ninguém sabe de onde — e a escada vai pegando um jeito interrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrminável.
Diversos códigos promovem criativas fusões da pantomima com a poesia — e, no final de tudo, a noite de cão terá parecido curta demais para o olhar dos leitores ;-)
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