15 de fevereiro de 2011

azul de mergulhos em ritmo brando

por Peter O’Sagae


Brancas letras e bolhas d’água vêm do fundo à superfície. Do mar e do papel, através da narração e das imagens de Denyse Cantuária: O vendedor de pérolas (Sete Luas, 2010).

Das histórias de pescadores, com certeza, nossos sonhos já foram embalados. Ora, se não ali onde o mar vira renda, pés descalços na areia, ao menos num mergulho pela literatura. Neste livro, o que se conta navega por muitas vozes: do narrador, do pescador que trouxe uma pesada concha e os segredos do mar nela guardados, do menino Miraldo que os quer descobrir e de um peixe de olhos amarronzados. Um peixe encantado — como encantado fica o leitor por ouvir maravilhas que fluem neste bonito e boníssimo conto. Miraldo sonha com um par de sapatos, com peixes para alimentar a família, com pérolas que possam ajudar a muita gente com o dinheiro, mas o menino também deseja jamais esquecer e proteger os encantos do fundo do mar... Narrativa com poesia para quem gosta de procurar novidades, olhos acesos no que existe mais fundo em nós de humano e coragem ética.


“Quanto tempo se passou era uma dúvida. Muitas pessoas enchiam o cais, enquanto a vida deixava de ser vivida, para se preocuparem com o menino desaparecido entre as ondas do mar. Ao sair completamente das águas, viu que a noite começava a cair e, para quem vinha de tanta claridade, o cair da tarde era como um colo de mãe para se descansar.”


Um comentário:

  1. Lindo livro de Denyse Cantuária, que agora se revela não apenas uma editora diferenciada, mas uma autora inspirada. Beijos ao Peter pela linda resenha e à Denyse, que os inspirou. Silvia Oberg.

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