13 de agosto de 2011

envelhecem uns, outros inauguram a vida

peter ô, sagae


Avô que provoca estrelas no olhar do neto, tem abraço do tamanho do mundo, quando o sono voa embora: é hora de acordar e sonhar com as palavras que aprendemos e nos inspiram! Com a poesia de José Jorge Letria, a voz de todos os avós recorda e recorta a vida em seus objetos e instantes. O que hoje passatempo e brinquedos apenas são, serão amanhã aparelhos, apetrechos e coisas que vamos usar... Deixa estar. Por enquanto, um carrinho ou um barco veleiro no fim de semana, ou começo de férias, muitas viagens e um saco de histórias de outros tempos — pois enquanto o menino não as puder ler nas páginas de um livro, o velho as vem contar apenas para ouvir o pequeno dizer — Ó avô, conta outra vez!


Porque antes mesmo das histórias de fada, lobisomem ou duende, existe a história do começo da gente. Vem o avô ensinar o tempo, um tempo de ouro só: uns envelhecem, outros lançam-se na aventura de chegar com pés de vento e sapatinhos de lã. E, desse mundo, desse modo de ternuras, o poeta reprisa o futuro no dente que vai cair, nas fotografias que há de guardar, nas lembranças do seu menino no pôr de um sol afetivo à beira-mar. Uns envelhecem, já se sabe e aceita-se. E o que fica depois? Um avô contador de histórias, eterno, nas palavras que nos diz, sonhando frases, sonhando um poema cujo nome será saudade...


“Ficam os livros guardados
para depois serem lidos
enquanto o embalo do som
lhes vai enchendo os ouvidos.”


Avô, conta outra vez é um poema-mensagem muito terno de José Jorge Letria, publicado originalmente em maio de 2003. Chega agora ao leitor brasileiro com as ilustrações de André Letria (Peirópolis, 2010), com o apoio da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas, do Ministério da Cultura de Portugal.

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