4 de abril de 2012

um ilustrador chamado Andersen

peter o.sagae


Juntamente aos poemas de Gláucia de Souza, o livro Do alto do meu chapéu (Projeto, 2011) revela um aspecto pouco conhecido da personalidade incomum de Hans Christian Andersen. Quem imaginaria passar uma tarde com o delicado escritor ouvindo suas histórias, enquanto ele, tesoura na mão, muito hábil e preciso, seguisse o fio tímido da própria voz, recortando papéis dobrados duas, quatro, oito vezes... até que uma inesperada figura saltasse simetricamente diante dos olhos de grandes e pequenos, atentos?


Pois é sobre esse canteiro de imagens de papel recortado (chamadas papercuts) que a fantasia de Gláucia de Souza se debruçou – e ela inventa, acrobata, imitar os movimentos de mímicos e bailarinos que pertencem, ora aos desenhos, ora os sonhos do escritor dinamarquês. São versos simples que pulam, desconcertantes, reconsertados pela rima, confortáveis no humor, no chiste e nos disparates.


Destaque, destaque para o poema narrativo “Um tonto e outro tanto”, mais os instantes flagrados em leveza e miudezas “Para viajar em cisne” e “Em cada frasco”, como a vida de Andersen sempre sugere: um espanto, um minuto, um sopro frio que vem do mar, gnomos, um jardim que não estava em seu próprio mundo.


Um comentário:

  1. Parabéns Glaucia
    Sua leitura é de fácil percepção do imaginário.
    Sou professora do 5 ano do Colégio Estadual Padre werner. Nova Petrópolis RS

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