12 de março de 2013

histórias para colorir um pedaço de céu

Três livros de recontos, por Peter O’Sagae


Um mito bororo conta como um guerreiro chamado Japu foi transformado em pássaro para roubar as chamas do soberano sol. Ainda que trouxesse consigo o calor e a felicidade para a tribo, a ousadia custou-lhe muito: ao voltar à forma humana, compreendeu ele que o esforço da distância, fazendo o vento soprar sobre o tição, causticara seu belo rosto jovem para o pavor de todo o povo. Japu afastou-se da tribo para tentar viver, mas afinal suplicou ao pajé que o fizesse novamente pássaro de penas luminosas como fagulhas azuis e alaranjadas, e o bico negro com a ponta vermelha que faz lembrar a brasa incandescente...


Tal é a história que Myriam Fraga resgata, na moldura narrativa de uma noite de São João, através da voz de nhá Inácia, no livro O pássaro do sol, com ilustrações de Anabella López (Girafinha, 2012), publicado anteriormente como um livro-disco A Lenda do pássaro que roubou o fogo (Edições Macunaíma, 1983), com gravuras de Calasans Neto.


Um fabuloso arqueiro encontrou uma pena dourada do pássaro de fogo na floresta. Ora, tivesse guardado segredo do feliz acaso, não se colocaria sob as ordens de um rei poderoso e bastante cobiçoso. Vieram a ele as provas e as desgraças em número crescente – e, em igual medida, a mágica que tudo transforma e salva, mas “em palavras não se pode contar e em contos de fadas não se pode encontrar...” Seis dos muitos contos compilados por Alexander Afanássiev são apresentados, tenha certeza, com a elegância da narração oral, em O pássaro de fogo: contos populares da Rússia, com tradução de Denise Regina de Sales e imagens de Nicolai Troschinsky (Berlendis & Vertecchia, 2011), através de versões integrais, conforme a 2.ed. da obra publicada pelo pesquisador russo, em 1873. Os comentários finais ao livro pertencem a Flavia Moino e apontam para as particularidades da feitura de tão bela e breve antologia: em todos os contos, um voo, a sabedoria ou o canto de um pássaro faz voar a imaginação dos leitores. No entanto, não se surpreenda ao descobrir que o pássaro de fogo não toma parte efetivamente na narrativa que leva seu nome como título – é mais uma presença afetiva, ou algo apenas como uma metonímia dourada e ardente que encontramos, num reino distante, onde confabulam e cavalgam nossos desejos!


Reunindo poemas, aforismos, textos de caráter informativo e histórias,
O livro dos pássaros mágicos, com organização e reconto de Heloísa Prieto, ilustrações de Laurabeatriz (FTD, 2011), remete o leitor ao colorido simbolismo que tingiu os pássaros entre diferentes povos e países, de longe e de perto.

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