11 de agosto de 2011

amados encontros, espelhos e sonhos

peter o:saga:e


É provável: este foi, há muito tempo, o primeiro Bartolomeu que me chegou às mãos. Azul, capa azul, num livro que dava beleza e musicalidade às montanhas mineiras que tanto lembravam, ao poeta, o mar, o amado nunca visto, mas todo cor e coração vindo só e imenso, no devaneio, para ser adivinhado. AH! MAR... Areia, aspas, um parágrafo amado: “Eu suspeitava o mar me buscando para levar-me marinheiro, quando as águas transbordavam os leitos e dormiam enchentes nos quintais. Vislumbrando, ao longe, fragata sufocada em neblina, oferecia-me farol, cais, ancoradouro.” Pois literatura é. Com sinais de uma devoção inédita, autor súdito da palavra. E eu me descobria leitor, assim embalado: “Sempre vou ser um desejo, se vivo ausente do mar. Não chega a ser marinheiro quem nasce longe de lá. As águas são muito frágeis para quem por sobre terra aprendeu a caminhar.”



AH! MAR..., de Bartolomeu Campos de Queirós, com projeto gráfico de Walter Ono e Mário Cafiero (Quinteto Editorial, 1985), inventa-se outro, juvenil-infantil, no arremesso de cores com André Neves (RHJ, 2007). Leio, então, que “As águas são muito abertas para quem, por sobre veredas, aprendeu a caminhar.”

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