10 de agosto de 2011

espelhos sonoros em um nome só

peter o.sagae


No estuário de sons que um nome contém, Bartô promove suas escavações poéticas: coisa, enfeite e canto de inventor mineiro, tirando desse mergulho imagens que nadam de uma ideia a outra. Mário, nome de poeta e menino, é feito de mar e rio, habitado, todo e mágico, por peixes... Do doce som da cachoeira ao choro dá água salgada, o rio encontra o mar. E no caminho? Céu, plantas, nuvens e aves. Mário é também ar... E, tomando cada palavra que emana incessante do próprio curso-discurso, Bartolomeu faz chover literariamente em nossa imaginação o silêncio que o olhar mais raso não viu: debaixo da casca das palavras, um mundo por descobrir. Onde Mário morava? Numa casa coberta de hera? O que ouvia o coração do menino? Barco sem leme é ninho? Ou concha onde repousa um ovo branco como pérola? Com que pena se registra a poesia?


Eu não respondo, mas indico este livro que irradia rumo a outros textos de Bartolmeu Campos de Queirós. Mário foi publicado, pela primeira vez, com ilustrações de Sara Ávila de Oliveira (Miguilim, 1982) e, em sua terceira casa editorial, ganha aquarelas de Lélis (Global, 2009). “Mário agora é farol em alto-mar.”

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