4 de dezembro de 2014

duas, três, quatro linhas

Dezembro, tempo de verso


Numa espécie de exercício com a linguagem, poetas e escritores têm colecionado frases breves e pequenas estrofes, duas, três ou quatro linhas que provocam riso, um espanto, uma dúvida, reflexão – dizendo o máximo no mínimo intervalo ou espaço gráfico possível. Pois, bem!


Fora os contos, crônicas e alguns poemas que tem caracterizado à delícia sua produção literária, Marina Colasanti deu vez ao livro Classificados e nem tanto, ilustrado com xilogravuras de Rubem Grilo (Galerinha Record, 2010). Verdadeira coleção de pérolas perdidas ou pensamentos rejeitados que o leitor adota, prova e paulatinamente comprova: nem tudo se compra pronto. Como diz, a dedicatória de Marina:

“Há gente que percorre os anúncios classificados atrás de um apartamento bem localizado, um carro do ano, um cachorro com pedigree. Mas há pessoas que buscam um tapete voador, a chave para a qual já perderam a fechadura, o endereço do amigo imaginário, o rastro da estrela da cadente. Para elas é este livro.”


Outros flagrantes para ler e passar a mente à limpo apresentam-se no livro Haicais para filhos e pais, de Leo Cunha, com projeto gráfico de Salmo Dansa (Galerinha Record, 2013). Vindo habitar, com as nuanças e novelas da família contemporânea, a forma tradicional da poesia japonesa, Leo traduz dúvidas e alegrias que cercam a vida, desde o nascimento do bebê às conquistas das mais variadas comodidades entre irmãos, as férias, os brinquedos; a televisão, o computador, a cristaleira; os demais parentes, os dias de visita e os cartões de feliz ano-novo!


À voz do “haijin” mineiro, veio juntar-se a analogia das cores e das formas escolhidas por Salmo Dansa. O projeto gráfico divide o livro em quatro seções como as quatro estações, buscando uma temperatura especial nas escalas vibrantes, outonais, sóbrias e primaveris... O artista recortou amostras de antigos catálogos de cor, justando e colando cada fragmento em um bonito e tátil efeito visual; ao mesmo tempo, permitiu-se à simplicidade, abrindo cada seção (como vemos na capa do livro) com a imagem de uma casinha com chaminé e uma árvore no quintal – símbolo tão comum aos desenhos de qualquer criança resgatando um sentimento universalmente bom.


Duas coleções de pequenos textos. Para ler com calma, compromisso nenhum. Uma página agora, outra quando der vontade. Até vale esquecer onde foram deixados os livros e reencontrá-los na estante depois.

Um novo ano para você: 2015 + poético!

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