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16 de abril de 2026

taque taque taque

dobrasdaleitura | Às vezes, bate saudade das resenhas mais extensas que costumava escrever, mas taque taque taque a vontade logo passa, e quando penso que a hora dobra em triste tarde toque, me surpreendo com a remessa de abril do @clubequindim
Este pequeno livro de Maria José Ferrada e Rodrigo Marín Matamoros: ESCONDIDO (2014), foi publicado pela Ôzé Editora (2016), com tradução de Carla Caruso e Fernando Vilalba, e comentei longamente no Dobras da Leitura O’Blog (2017), tão longamente que releio como o esboço de uma aula sobre o que é e não é poesia, como ler poemas e uma análise que dorme à espera de um leitor.
Amo a figura de cavalos, não importa se é uma imagem verbal ou vidro, além de suas metonímias todas sonoras. Fica o convite para rever comigo as fotos com fundo azul (tão pouco o foco) e a resenha, lá...

SEM PRESSA... PARA ENCONTRAR
Dobras da Leitura, 22 de jun. 2017

@mjferradalefenda @marinmatamoros
#dobrasdapoesia @ozeeditora no #clubequindim
#literaturainfantil 🧡 #quemtemquindimtem

24 de fevereiro de 2021

andar com bicho-carpinteiro

Valei-me, São Trocadilho!
A vontade de fazer arte é vontade de fazer parte, o que antigamente se dizia a alguém ou alguma criança que andava com bicho-carpinteiro, com o espírito de mover as mãos para fazer e refazer tudo a seu próprio modo. Pois esse tudo, é certo, possui um segredo, um mecanismo invisível que se faz necessário conhecer, através de perguntas e experimentos, reinvenções que a olhos sisudos não passariam de estranhices e reinação...

Com a narração de Gil Veloso, inspirado em objetos ou assemblagens de Guto Lacaz, O MENINO ARTEIRO que aqui se apresenta é menos história do que moda, como quem tenta capturar a própria sombra: o que é visto é mais gostoso revisto!!! O que se pasaa na mente também poderá existir pelo mundão afora, mesmo quando nos querem fazer acreditar que geringonças e poesia são algo inútil na vida. O desafio é saber como persistir no inventivo clima de isolamento. Mas como? Talvez conhecendo o alegre coração das coisas...

O livro, publicado em segunda edição pela Ôzé Editora (2017), fornece uma dupla viagem ao universo da estética da acumulação, através das fotografias da arte de Guto Lacaz e através de palavras que vão se aglutinando para ressignificar o dia-a-dia de um menino frente aos azedumes alheios.

#gutolacaz
#gilveloso
#ozeeditora

22 de junho de 2017

sem pressa... para encontrar

peter O sagae


Novelo sonoro, a poesia é quase sempre definida pela escrita em versos, brotando por força e forma dos estados de alma. Contudo, existe na poesia um apelo diferente afora a rima e além do ritmo verbal. Na poesia, existe uma disposição para as imagens que não se veem em qualquer lugar, no entanto passíveis de admirá-las no terreno invisível e fecundo da linguagem, no momento em que são nomeadas, isto é, tiradas de um esconderijo, da semente do cotidiano.

Vejamos um exemplo.
Dentro da mesa tem um cavalo.
Taque taque taque taque
A sala é um campo
e o relógio de parede é a lua.

Taque taque taque taque
Taque taque taque taque

O cavalo que dorme dentro da mesa
galopa pela casa
a cada noite.
Este poema pertence a um livro que não pode passar escondido de sua leitura. O que há dentro do livro também não poderá passar escondido a seus olhos, ouvidos e imaginação. ESCONDIDO, um pequeno livro da escritora chilena Maria José Ferrada, revela um horizonte que transcende os objetos imediatos e vai nos levando ao lugar onde o desígnio da poesia transforma-se em desenhos. Ou quadros, dentro de nós.


Publicado com a tradução de Carla Caruso e Fernando Vilalba, mais as ilustrações em fotomontagem de Rodrigo Marín Matamoros (ÔZé Editora, 2016), este pequeno livro abre-se amplo para abrigar a alma – ou a mente pré-lógica das crianças e adultos que não perderam tal essência e sentem-se tentados sempre a olhar as coisas como se fossem outras, em sua estrutura visual e linguística.


Os poemas de Maria José Ferrada não possuem título, ou seja, não há para eles qualquer mediação ou antecipação de sentidos. Cada primeiro verso é, pois, o convite e o caminho necessário para percorrermos. Se, dentro da imagem da mesa está escondido um cavalo, uma verdade aí se funda e projeta-se com efeito pela semelhança de suas quatro pernas – e taque taque taque o som anima seu galope na palavra. Por contingência, a sala é assertivamente um campo, lugar ilimitado, e o relógio, uma lua. Através da analogia das formas visuais, tudo o que pertence ao cavalo-universo escondido desperta...

Compassado, o trote transita igualmente entre os segundos do relógio. A onomatopeia cresce e toca dois diferentes objetos, permitindo que – cavalo e lua – dialoguem em uma única linguagem, em identidade sonora. O cavalo era um animal suposto, dentro da mesa, dormindo nas horas claras do dia. No silêncio encoberto pela noite, ele galopa, movido pela voz do relógio. Ou faz este relógio mover-se ao comando de seus cascos de madeira... Em qualquer hipótese interpretativa, o poema grávido de imagens perfaz um rodeio, um carrossel sobre as próprias ideias.


E, dentro da sopa tem um mar que não aparece nos mapas, dentro das pedras uma cordilheira adormecida e, na fumaça das chaminés, o que vive escondido? No jogo com a criança, geralmente os poemas jamais chegam destituídos de imagens. Contudo, seria preciso separar estes daqueles que apenas poluem a retina da imaginação com o excesso, o grotesco e lugares comuns. Observando o mundo com sensibilidade e afeto, Maria José Ferrada, muita perceptiva, sem pressa, permite aos leitores encontrarem a beleza de cada coisa além da coisa vista, ao investir-se de liberdade criadora.



Também a poesia se dá na combinação de duas ou mais imagens visuais. O trabalho de colagens de Rodrigo Marín é quase todo pautado numa intervenção silenciosa. O incurso acolhido à fotografia reafirma o ponto de partida dos poemas, com os objetos vistos cotidianamente na realidade – velhos conhecidos talvez nublando a visão –, conquanto o processo de montagem é o que ilumina, com simplicidade e economia, novos lugares para respirarmos.


ESCONDIDO é um pequeno livro, do tamanho de nossas mãos, e pede para ser levado embora. Amanhece. Ele e você partirão para longe, aposto, unidos.

18 de dezembro de 2015

Presentes.

2016 Melhor!


É um livro, é.
Um poema é.
Uma carta.
É também um jogo.
Tudo isso, mais um segredo.
Tão fácil PRA VOCÊ entender...


Vera Rodrigues apanhou cores, imagens, palavras, bandeiras, números, libras, outros sinais no campo fértil das linguagens, e veio revelar diferentes modos de comunicar o carinho por alguém. Pois aqui temos um texto que é distância e presença, recado e silêncio, reunião de pequenos grandes gestos entre o dizer e querer dizer sempre mais. E depois... Deixar que o outro responda, complete por sua vez a mensagem. É assim que o livro de Vera nos diverte o olhar, mas também acalma e empresta coragem – porque é o pensamento o lugar certo onde residem as nossas histórias. Para sempre.

* Texto de apresentação do livro PRA VOCÊ, por Peter O'Sagae. 



Presentes. A poesia do sorriso nas lentes da Rolleiflex, a poesia registrada através dos olhos de Xango, o mestre Fatumbi Verger que sempre se deixou guiar pelas próprias escolhas e soube encarar com serenidade os prazeres e os dissabores. Uma viagem pelo mundo de 1932 a 1946, na companhia do povo de muitos SORRISOS, uma lição em preto e branco, jogo emocional entre as teclas do piano e o tambor #editorasolisluna (2010) #pierreverger


Presentes. O conto é a forma narrativa da travessia por excelência. No caminho de Mariinha, filha dos empregados da fazenda, os muitos capins vestiam-se de plantação e pensamentos, enquanto ela vai ruminando. Havia o seu jeito de admirar a filha do patrão, menina-quase moça da cidade numa amizade mísera nas férias. Ruim, sim, é a INVEJA confundindo o coração no querer bem. #editorapeiropolis (2011) #livroobjeto #renatafarhatborges #silviaamstalden

9 de agosto de 2011

à leitura, espelhos no curso do rio

peter o’sagae


Um rio é um livro que corre sorrindo. Cada paisagem, uma página, um reflexo diferente, açúcares de vidro macio. Ler Bartolomeu é buscar a sua respiração num percurso de parágrafos, como que realizando estrofes por onde desliza sua prosa poética. “E o rio passa logo, amarrando com seu comprido leito os campos, povoados, vilas, cidades, nas margens do rio todos se batizam irmãos. Ao receber outros córregos e riachos, mais se soma com outras águas. Com a energia das correntezas, o rio se faz luz clareando ruas, travessas, casas, movendo o mundo.” O que aí temos é um discurso literário passeando em delicada metalinguagem? Um rio que passa e não permite mais repetir o mesmo banho, o batizado mesmo. E, no seu espelho líquido estendendo-se rumo ao mar, sombras, linhas, amarras, aflições, margens provisórias. À leitura do leito, literatura, lavadeiras “desbotando as manchas do trabalho”. Bartô pesca contemplação.


O RIO, texto inédito de Bartolomeu Campos de Queirós, traz desenhos e projeto gráfico de Walter Ono; conta também com o nome de Mario Cafiero na feitura da capa e edição de arte, marcando a estreia da ÔZé Editora, neste agosto de 2011.