Peter O.o SagAe
Antes de tudo, talvez só existissem as cores. Como seria o primeiro vermelho, o amarelo e o azul? Talvez tivessem qualidades táteis que você apenas captura através do olhar. Da imaginação. Depois algum movimento e aparecessem talvez as formas, as palavras. Obrigado. Eba! Legal... Um sentimento de gratidão pela natureza e as formas vivas nasce com o livro do artista belga Guido van Genechten, permitindo a qualquer um, qualquer criança pensar e criar. Um outro mundo. Simples e profundo. Novamente. TALVEZ #editorapositivo (2015) #literaturainfantil #guidovangenechten #misschien trad. Lavínia Fávero
Literatura (e Filosofia) para crianças: o livro não apenas trabalha com as noções elementares de cores, formas simples e composição, mas perfaz um pensamento pitagórico sobre a derivação, movimento e multiplicidade dos seres...
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25 de fevereiro de 2016
5 de dezembro de 2013
é livro de imagem ou...?
peter O sagae
Os quatro títulos da coleção O que é? O que é?, de Guido van Genechten (Gaudí, 2009), pertencem a classe de “livros difíceis” para os estudos de literatura infantil e seus gêneros. Afinal, o que eles são? Livros de imagem ou livros-brinquedos? No vira-desvira de suas páginas, há alguma coisa para uma criança ler? E o leitor adulto, sério e perspicaz como reagiria? Aliás, quem disse que tem alguma página aí, em um pedaço de papel cartonado, resistente e brilhante, alcançando setenta centímetros, com cinco vincos, cinco dobras. Dá leitura?
Pois bem: este experimento com palavras e imagens articulam-se divertidamente com nossas perguntas em cada livro de Genechten que aqui vai sendo aberto...
É UM RATINHO? Sim, é... e o pequenino carrega um queijinho e o seu focinho vira um tremendo bico de pinguim. É um pinguim? A ponta do “nariz” vira o rabo de um macaco, que vira rabo de cobra, que deu nó no próprio pescoço, que vira... a tromba de um elefante! Não seria nada inteligente ou importante, se a mesma extremidade não unisse, num só livro, num livro só, o pequeno e o gigante, o ratinho e o elefante...
É UMA RÃ? Ou poderia ser um sapo sorridente e verde como uma perereca? Uma tartaruga, um cágado ou jabuti de casca dura? Uma lagarta mole, um largatão em pé, um dinossauro a passeio? Um jacaré deitado ou um crocodilo esticado? Não seria nada atraente ou interessante, se soubéssemos todos os nomes dos répteis e dos anfíbios, quem tem e não tem veneno, onde está ou não estã o verdadeiro perigo, quando um bicho desses vem pra cima da gente...
É UM CARACOL? Ou um caramujo que um mosquito vê passar pela terra no jardim? Será que é uma borboleta com sua espirotromba, numa língua enrolada, ou uma mariposa que errou de hábito, hora e entrada? É de novo o rabo pelado de um rato... ou rato vestido de óculos escuros e maleta? É uma minhoca que alguém desenterrou? Ou... Cuidado! É a língua pegajosa que o camaleão desenrola... camuflado no verde, vendo o mosquito... do outro lado! Não seria nada surpreendente ou emocionante, se também não houvesse fome e beleza entre os seres do tamanho mais insignificante...
É UM GATO? Um miminho que estica a ponta da orelha? É um pato de verdade ou um brinquedo de plástico? Abre a asa o papagaio, ou periquito ou cacatua, qual o parente aí se insinua? É uma lula, um calamar, que bizarro molusco marinho que tem os pés na cabeça? É entranha, essa coisa mole e estranha? E quem sabe que é oco o bico do tucano? Não seria nada diferente e mirabolante, se os bichos de pelúcia ou pena, domésticos ou selvagens vivessem bem, perto ou longe da gente!
Sempre penso quanto é chato, muito chato mesmo, todo papo que um livro ajuda, serve, estimula, quando o livro não pula para dentro da nossa imaginação, quando não faz cócegas nos neurônios, nem dá corda a nossos sentimentos... Ora, a função pedagógica realmente só funciona ao tomar corpo da função poética e de outras funções lúdicas da linguagem. Devemos distinguir quando um livro vem apenas transmitir às crianças noções básicas para uma aprendizagem qualquer ou, de fato, tenta afastá-las das confusões da vida dentro de casa. Entreter, diversas vezes, para ter os pequenos leitores distantes: não há maldade maior... Agora, se um livro de imagem – nesta margem dos livros-brinquedos e dos livros-jogos – consegue transformar-se num livro-vivo ou livro-surpresa, muito bem. Com certeza está dentro do campo literário!
Os quatro títulos da coleção O que é? O que é?, de Guido van Genechten (Gaudí, 2009), pertencem a classe de “livros difíceis” para os estudos de literatura infantil e seus gêneros. Afinal, o que eles são? Livros de imagem ou livros-brinquedos? No vira-desvira de suas páginas, há alguma coisa para uma criança ler? E o leitor adulto, sério e perspicaz como reagiria? Aliás, quem disse que tem alguma página aí, em um pedaço de papel cartonado, resistente e brilhante, alcançando setenta centímetros, com cinco vincos, cinco dobras. Dá leitura?
Pois bem: este experimento com palavras e imagens articulam-se divertidamente com nossas perguntas em cada livro de Genechten que aqui vai sendo aberto...
É UM RATINHO? Sim, é... e o pequenino carrega um queijinho e o seu focinho vira um tremendo bico de pinguim. É um pinguim? A ponta do “nariz” vira o rabo de um macaco, que vira rabo de cobra, que deu nó no próprio pescoço, que vira... a tromba de um elefante! Não seria nada inteligente ou importante, se a mesma extremidade não unisse, num só livro, num livro só, o pequeno e o gigante, o ratinho e o elefante...
É UMA RÃ? Ou poderia ser um sapo sorridente e verde como uma perereca? Uma tartaruga, um cágado ou jabuti de casca dura? Uma lagarta mole, um largatão em pé, um dinossauro a passeio? Um jacaré deitado ou um crocodilo esticado? Não seria nada atraente ou interessante, se soubéssemos todos os nomes dos répteis e dos anfíbios, quem tem e não tem veneno, onde está ou não estã o verdadeiro perigo, quando um bicho desses vem pra cima da gente...
É UM CARACOL? Ou um caramujo que um mosquito vê passar pela terra no jardim? Será que é uma borboleta com sua espirotromba, numa língua enrolada, ou uma mariposa que errou de hábito, hora e entrada? É de novo o rabo pelado de um rato... ou rato vestido de óculos escuros e maleta? É uma minhoca que alguém desenterrou? Ou... Cuidado! É a língua pegajosa que o camaleão desenrola... camuflado no verde, vendo o mosquito... do outro lado! Não seria nada surpreendente ou emocionante, se também não houvesse fome e beleza entre os seres do tamanho mais insignificante...
É UM GATO? Um miminho que estica a ponta da orelha? É um pato de verdade ou um brinquedo de plástico? Abre a asa o papagaio, ou periquito ou cacatua, qual o parente aí se insinua? É uma lula, um calamar, que bizarro molusco marinho que tem os pés na cabeça? É entranha, essa coisa mole e estranha? E quem sabe que é oco o bico do tucano? Não seria nada diferente e mirabolante, se os bichos de pelúcia ou pena, domésticos ou selvagens vivessem bem, perto ou longe da gente!
Sempre penso quanto é chato, muito chato mesmo, todo papo que um livro ajuda, serve, estimula, quando o livro não pula para dentro da nossa imaginação, quando não faz cócegas nos neurônios, nem dá corda a nossos sentimentos... Ora, a função pedagógica realmente só funciona ao tomar corpo da função poética e de outras funções lúdicas da linguagem. Devemos distinguir quando um livro vem apenas transmitir às crianças noções básicas para uma aprendizagem qualquer ou, de fato, tenta afastá-las das confusões da vida dentro de casa. Entreter, diversas vezes, para ter os pequenos leitores distantes: não há maldade maior... Agora, se um livro de imagem – nesta margem dos livros-brinquedos e dos livros-jogos – consegue transformar-se num livro-vivo ou livro-surpresa, muito bem. Com certeza está dentro do campo literário!
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