O.O Sagae: Ilutrações Comparadas
O peixe do poeta se pescava com palavras dentro d’água, morria afogado no ar. Também ele dizia em verdade e prosa: “Um dia na vida de um peixe dá para viver muita coisa.” Não sei quando, em que rio onde, deram os peixes a voar pela imaginação que jamais adormece nas páginas dos livros ilustrados para crianças. Olhos são mesmo peixinhos. Do dentro de meninos e meninas agora escorrem os cardumes em algo de céu e calabouço. É tempo de melancolia.
Ilustração de Alicia Baladan realizada em 2011 para CÉU MENINO, do poeta italiano Alessandro Riccioni (Pulo do Gato, 2013).
Thais Beltrame para BENJAMIN, POEMA COM DESENHOS E MÚSICAS, narrativa de Biagio D’Angelo (Melhoramentos, 2011). [saiba+]
Alexandre Rampazo nas ilustrações para CAIXINHA DE GUARDAR O TEMPO, de Alessandra Roscoe (Gaivota, 2013). [saiba+]
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13 de março de 2014
29 de março de 2012
se a bondade cultivar
peter o ;-)sagae
Muitos autores de literatura infantil ainda buscam definir seus personagens pela ação direta e inúmeros diálogos, ao recriarem o que acreditam ser o modo e o mundo da criança. Nada disso, porém, é necessário a Biagio D’Angelo que dá vida calma a um menino que já não podia jogar futebol, polícia e ladrão, nem pular carnaval... Com paz e canções de berço, ele mesmo parece viver somente lá, entre as palavras, onde o leitor é obrigado a adivinhar desenhos e música, espera de fazer adulto, escola, terremotos, serenidade...
Narrado em primeira pessoa, o escritor e seu personagem (con)fundem-se poeticamente. Afinal, quem é o autor dessas memórias ou invenções? É Benjamin, ou um menino que não se chama Benjamin e, um dia, descobriu “as chuvas que estavam atrás de poucas letras” de seu nome? Biagio, Bóris, Bernardo, Baltazar, Bento... Quem é este menino de estranhas estações, quando o vento traz aulas, já entrando abril e professoras: umas velhas são quase sempre, têm olhos de alguém que nunca dormiu, nem sonhou: trocam o nome dos meninos e jamais se importam... outras, o menino ainda não conheceu.
No ritmo das palavras que tocam as coisas, as pessoas, as distâncias, o mundo do menino é todo feito de colecionar sentimentos, pressentimentos. Um dia, uma catástrofe longe trouxe para perto Rosália, um presente de gente, a sobrinha de um pintor famoso, só podia ser, ela também sabia desenhar e sabia explicar como fazer. E o que o menino gostava era fazer barcos por onde mares e histórias Rosália inventava. E como os desenhos, a vida revela coisas novas e inesperadas, separações, certas revelações. Quando é mesmo que uma imagem esconde um som?
BENJAMIN, POEMA COM DESENHOS E MÚSICAS, de Biagio D’Angelo, é uma narrativa ilustrada por Thais Beltrame (Melhoramentos, 2011). Delicados traços, brancos amplos para respirar, bico de pena fazendo poesia sobre o que há de mais invisível e seus devaneios: peixinhos pelas páginas, pequenos, em passeio, passarinhando. No ar, no chão. Do conforto do piano, da ponte que extrema as saudades, do alçapão que se abre não se sabe para onde... E, constante, o vermelho dentro do contorno preciso. Uma beleza comandada pela confissão do narrador, em toda a sua pertinência palavra&imagem: “O meu irmão, ainda um pouco sem juízo, esparramava, por brincadeira, nos meus desenhos a geleia de morango de que ele (e eu também) tanto gostava. Era um toque escarlate no desenho. Bem, na verdade, eu não gostava, mas era o meu irmão menor, me fazia rir com aquilo, e, portanto, o que fazer?”
Muitos autores de literatura infantil ainda buscam definir seus personagens pela ação direta e inúmeros diálogos, ao recriarem o que acreditam ser o modo e o mundo da criança. Nada disso, porém, é necessário a Biagio D’Angelo que dá vida calma a um menino que já não podia jogar futebol, polícia e ladrão, nem pular carnaval... Com paz e canções de berço, ele mesmo parece viver somente lá, entre as palavras, onde o leitor é obrigado a adivinhar desenhos e música, espera de fazer adulto, escola, terremotos, serenidade...
Narrado em primeira pessoa, o escritor e seu personagem (con)fundem-se poeticamente. Afinal, quem é o autor dessas memórias ou invenções? É Benjamin, ou um menino que não se chama Benjamin e, um dia, descobriu “as chuvas que estavam atrás de poucas letras” de seu nome? Biagio, Bóris, Bernardo, Baltazar, Bento... Quem é este menino de estranhas estações, quando o vento traz aulas, já entrando abril e professoras: umas velhas são quase sempre, têm olhos de alguém que nunca dormiu, nem sonhou: trocam o nome dos meninos e jamais se importam... outras, o menino ainda não conheceu.
No ritmo das palavras que tocam as coisas, as pessoas, as distâncias, o mundo do menino é todo feito de colecionar sentimentos, pressentimentos. Um dia, uma catástrofe longe trouxe para perto Rosália, um presente de gente, a sobrinha de um pintor famoso, só podia ser, ela também sabia desenhar e sabia explicar como fazer. E o que o menino gostava era fazer barcos por onde mares e histórias Rosália inventava. E como os desenhos, a vida revela coisas novas e inesperadas, separações, certas revelações. Quando é mesmo que uma imagem esconde um som?
BENJAMIN, POEMA COM DESENHOS E MÚSICAS, de Biagio D’Angelo, é uma narrativa ilustrada por Thais Beltrame (Melhoramentos, 2011). Delicados traços, brancos amplos para respirar, bico de pena fazendo poesia sobre o que há de mais invisível e seus devaneios: peixinhos pelas páginas, pequenos, em passeio, passarinhando. No ar, no chão. Do conforto do piano, da ponte que extrema as saudades, do alçapão que se abre não se sabe para onde... E, constante, o vermelho dentro do contorno preciso. Uma beleza comandada pela confissão do narrador, em toda a sua pertinência palavra&imagem: “O meu irmão, ainda um pouco sem juízo, esparramava, por brincadeira, nos meus desenhos a geleia de morango de que ele (e eu também) tanto gostava. Era um toque escarlate no desenho. Bem, na verdade, eu não gostava, mas era o meu irmão menor, me fazia rir com aquilo, e, portanto, o que fazer?”
16 de abril de 2010
Diálogos com Alice
Dobras da Leitura recebeu...
A VERDADEIRA HISTORIA DE ALICE, de Rita Taborda il. Thais Beltrame (Girafinha, 2008). Esta Alice bem que tentou falar a língua difícil dos adultos. Mas aquilo não fazia muito sentido. Pediam-lhe que não se pendurasse nos braços da cadeira. E cadeira tem braços? Diziam-lhe que não riscasse as pernas da mesa da sala. E por acaso as mesas têm lá pernas? A língua dos adultos precisava mesmo ser melhorada... Esta é a verdadeira história da pequena Alice, uma miúda que ainda não era uma pessoa grande, mas já era, isso sim, uma grande pequena pessoa.

ALICE NO PAÍS DA POESIA, de Elias José, il. Taísa Borges (Peirópolis, 2009, fora de estoque). No primeiro poema do livro, Alice é "flagrada" no momento em que descobre o mundo das palavras, enquanto vivia no país das maravilhas. Esse é o ponto de partida para 33 poemas repletos de encantamento: o leitor segue em companhia de Sherazade, Peter Pan e Dom Quixote, além de um séquito de fadas e feiticeiras, duendes e sereias, reis e rainhas, príncipes e princesas, pássaros e cavalos mágicos. As ilustrações de Taisa Borges se encarregam de estilizar esses sonhos de criança.

LEWIS CARROLL NA ERA VITORIANA: outras histórias de Alice, de Kátia Canton, il. Adriana Peliano (DCL, 2010). O livro resgata o contexto de criação das narrativas de Alice, na segunda metade do século XIX, revelando os costumes de época e como Lewis Carroll criou seus personagens, em um momento de paz e prosperidade na história inglesa — a Era Vitoriana. O leitor saberá quem foi a Rainha Victoria, o que ela fez em benefício ao povo inglês e como tudo isso se relaciona com as histórias de Alice e a vida do autor, cujo nome verdadeiro era Charles Dogdson. Com colagens digitais de Adriana Peliano, a obra faz parte da coleção Arte conta História.

[textos condensados a partir do catálogo e do press-release]
A VERDADEIRA HISTORIA DE ALICE, de Rita Taborda il. Thais Beltrame (Girafinha, 2008). Esta Alice bem que tentou falar a língua difícil dos adultos. Mas aquilo não fazia muito sentido. Pediam-lhe que não se pendurasse nos braços da cadeira. E cadeira tem braços? Diziam-lhe que não riscasse as pernas da mesa da sala. E por acaso as mesas têm lá pernas? A língua dos adultos precisava mesmo ser melhorada... Esta é a verdadeira história da pequena Alice, uma miúda que ainda não era uma pessoa grande, mas já era, isso sim, uma grande pequena pessoa.
ALICE NO PAÍS DA POESIA, de Elias José, il. Taísa Borges (Peirópolis, 2009, fora de estoque). No primeiro poema do livro, Alice é "flagrada" no momento em que descobre o mundo das palavras, enquanto vivia no país das maravilhas. Esse é o ponto de partida para 33 poemas repletos de encantamento: o leitor segue em companhia de Sherazade, Peter Pan e Dom Quixote, além de um séquito de fadas e feiticeiras, duendes e sereias, reis e rainhas, príncipes e princesas, pássaros e cavalos mágicos. As ilustrações de Taisa Borges se encarregam de estilizar esses sonhos de criança.

LEWIS CARROLL NA ERA VITORIANA: outras histórias de Alice, de Kátia Canton, il. Adriana Peliano (DCL, 2010). O livro resgata o contexto de criação das narrativas de Alice, na segunda metade do século XIX, revelando os costumes de época e como Lewis Carroll criou seus personagens, em um momento de paz e prosperidade na história inglesa — a Era Vitoriana. O leitor saberá quem foi a Rainha Victoria, o que ela fez em benefício ao povo inglês e como tudo isso se relaciona com as histórias de Alice e a vida do autor, cujo nome verdadeiro era Charles Dogdson. Com colagens digitais de Adriana Peliano, a obra faz parte da coleção Arte conta História.
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