12 de julho de 2011


A HISTÓRIA DE JUVENAL E O DRAGÃO inicia-se numa situação de apuro, numa região onde era comum o sacrifício de moças bonitas... E eis que chega a vez da princesa, tal como aconteceu a Andrômeda, remontando motivos bem conhecidos desde os mitos da antiguidade e sua apropriação pelo imaginário medievo. Desta maneira, Juvenal é um misto de Perseu e São Jorge. Mas, depois da façanha de matar e arrancar os dentes do dragão, o jovem sente que precisa correr mundo para provar sua valentia — e vai. Está aberta a brecha para a desgraça: um cocheiro se faz passar pelo herói e toma a mão da filha do rei. A doce jovem reza muito e Juvenal, longe, longe, tem a visão dos acontecimentos num sonho, voltando para por um fim à farsa...


A HISTÓRIA DA GARÇA ENCANTADA tem também enredamento de conto e principia com as graças de uma ave que se transforma em uma bela jovem, elemento bastante comum nas narrativas orientais. O herói aqui chama-se Gelmires e ele precisa guardar segredo dos fatos particulares e cheios de magia — mas o moço, língua nos dentes, revela tudo para um amigo e lá se vai desaparecendo a princesa que lhe valia a vida! Daí é um corre de lá pra cá, por entre reinos, sortilégios, estradas e ameaças, uma confusão de amor e morte, Gelmires contra Valdemar, feiticeiros de cada lado da história... Mais transformações e metamorfoses: pois seria tudo um sonho no carnaval da natureza?


A PRINCESA DO REINO DA PEDRA FINA, por fim, conta a história peralta do mais moço de três irmãos que só queria ver as pernas das moças de pernas finas ;-) É José que o pai expulsa de casa, mas quis a sorte lhe acompanhar: no rio, encontra um brilhante que vende para o rei por uma verdadeira fortuna. Contudo, o rei tem um barbeiro que é um diabo encarnado e esta aventura sai aos moldes das primeiras, com muitas estripulias, pelo reino das laranjeiras que é como o Jardim das Hespérides, caminho cheio de delícias, maravilhas e perigos.


Como podemos conferir nessa sequência, a imagem gravada na madeira não é transposta para o papel como uma xilogravura tradicional. Rosinha optou ilustrar os livros com as matrizes em madeira! Palavra rimada com imagem, numa caixinha de bom parecer: que outros artistas saberiam fazer?

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