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12 de julho de 2011

cordel é poesia do sertão

peter o'sagae


Uma caixa com três livros, cada qual com uma história e um folheto. De cordel — é assim a coleção PALAVRA RIMADA COM IMAGEM, de Rosinha Campos (Projeto, 2010) que recontou e ilustrou três aventuras escritas e celebradas há mais de um século por Leandro Gomes de Barros (1865-1918), considerado o primeiro escritor de literatura de cordel e um dos maiores poetas populares.


Introduzindo os leitores no universo das narrativas rimadas do grande cordelista paraibano — radicado no criativo estado de Pernambuco, o único cujo nome tem dez letras, sem nenhuma repetir! —, Rosinha acabou optando por uma adaptação resumida em prosa e destacar os principais momentos de cada história com suas ilustrações, gravadas em madeira com a colaboração de Meca Moreno e Davi Teixeira. Ao final dos três livros, todo o texto em sextilhas de Leandro Gomes de Barros surge encartado:


A HISTÓRIA DE JUVENAL E O DRAGÃO inicia-se numa situação de apuro, numa região onde era comum o sacrifício de moças bonitas... E eis que chega a vez da princesa, tal como aconteceu a Andrômeda, remontando motivos bem conhecidos desde os mitos da antiguidade e sua apropriação pelo imaginário medievo. Desta maneira, Juvenal é um misto de Perseu e São Jorge. Mas, depois da façanha de matar e arrancar os dentes do dragão, o jovem sente que precisa correr mundo para provar sua valentia — e vai. Está aberta a brecha para a desgraça: um cocheiro se faz passar pelo herói e toma a mão da filha do rei. A doce jovem reza muito e Juvenal, longe, longe, tem a visão dos acontecimentos num sonho, voltando para por um fim à farsa...


A HISTÓRIA DA GARÇA ENCANTADA tem também enredamento de conto e principia com as graças de uma ave que se transforma em uma bela jovem, elemento bastante comum nas narrativas orientais. O herói aqui chama-se Gelmires e ele precisa guardar segredo dos fatos particulares e cheios de magia — mas o moço, língua nos dentes, revela tudo para um amigo e lá se vai desaparecendo a princesa que lhe valia a vida! Daí é um corre de lá pra cá, por entre reinos, sortilégios, estradas e ameaças, uma confusão de amor e morte, Gelmires contra Valdemar, feiticeiros de cada lado da história... Mais transformações e metamorfoses: pois seria tudo um sonho no carnaval da natureza?


A PRINCESA DO REINO DA PEDRA FINA, por fim, conta a história peralta do mais moço de três irmãos que só queria ver as pernas das moças de pernas finas ;-) É José que o pai expulsa de casa, mas quis a sorte lhe acompanhar: no rio, encontra um brilhante que vende para o rei por uma verdadeira fortuna. Contudo, o rei tem um barbeiro que é um diabo encarnado e esta aventura sai aos moldes das primeiras, com muitas estripulias, pelo reino das laranjeiras que é como o Jardim das Hespérides, caminho cheio de delícias, maravilhas e perigos.


Como podemos conferir nessa sequência, a imagem gravada na madeira não é transposta para o papel como uma xilogravura tradicional. Rosinha optou ilustrar os livros com as matrizes em madeira! Palavra rimada com imagem, numa caixinha de bom parecer: que outros artistas saberiam fazer?
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