19 de agosto de 2011

assim que o dia começa

peter o.sagae


Jardins de antigas casas, feitos para cultivar e olhar, ‘inda hoje vicejam na memória afetiva dos poetas. Mas, como reviver e compartilhar o verde, as flores, os insetos, terra seca, terra molhada, os pequeninos barulhos, voláteis cheiros através das palavras?

Marcos Bagno escolheu a forma curta, certa e singela da quadra com rimas intercaladas, acrescentando-lhe um dístico e, realmente, com tão pouco, coloca-nos a viver a felicidade e rir à toa, devagar, devagarinho, no ritmo de um caracol, ou apressando o passo no trem que é uma centopeia. As pinceladas de Lúcia Hiratsuka, ora pétala, ora asa, em cores brilhantes e cheias de transparências, compactuam com uma “meiga e sabia melodia” alinhavada nos versos, sugestivos, leves e bem humorados: bem amarrados. Nesse jardim tem festa, assim que o dia começa, Festa no meu jardim (Positivo, 2010).


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