Mostrando postagens com marcador Alexandre Teles. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alexandre Teles. Mostrar todas as postagens

12 de janeiro de 2015

André, outra vez

Dobras da Leitura recebeu


Reencontro André morando agora em São Paulo, mas ele deverá estar passando suas férias pelo interior de Minas Gerais, onde nasceu. Isso porque é janeiro. Se ele, que é hiper-urbano e rural, não perde um feriado qualquer para se meter no sítio dos parentes, imagine se não iria correndo para lá durante esse verão, buscando histórias para recontar...


Quer descobrir que graça há em ficar esperando assombração abrir a porteira, em dias de chuva, ouvindo o tamborilar das gotas no teto e o galinheiro despencar lá fora? Acompanhe, então, as viagens de André nas páginas de Histórias mal-assombradas do CAMINHO VELHO DE SÃO PAULO, com bolinhos de chuva para comer em uma tarde durante a Quaresma, e através das Histórias mal-assombradas de PORTUGAL E ESPANHA, na companhia de três tias excêntricas no feriado dos Finados – quarto e quinto volumes da série de Adriano Messias, com ilustrações de Alexandre Teles (Biruta, 2008 e 2010).


Leia também as resenhas para os volumes iniciais da série:
* Histórias mal-assombradas em volta do fogão de lenha (2004)
* Histórias mal-assombradas do tempo da escravidão (2005)
* Histórias mal-assombradas de um espírito da floresta (2006)


19 de julho de 2011

cordel é um belo novelo

Peter O’Saga-ê


Com sua dezena de folhetos de histórias, dentro da mala que vai aconchegada ao peito, Assum Preto lá vai aos solavancos e nas rimas assonantes de UM PAU-DE-ARARA PARA BRASILIA, cordel de João Bosco Bezerra Bonfim, com ilustrações de Alexandre Teles (Biruta, 2010) que retrata, contrastante, a magia da memória literária e a vida do destino retirante. Quantos dias de estrada, quinze ou vinte dias, nem o motorista sabe... O que muda fora é a paisagem; dentro do peito, Assum Preto leva outro sentimento: um amor por Brasília, a jovem com nome de cidade, que partiu um dia antes nessa mesma viagem.

João Bosco dá vida ao cordelista e à moça de muita coragem. Citações a outras histórias nessa história é algo que não falta, pois foi um Fausto desalmado, no horizonte da desgraça, que muito mal inspira ao cantor com nome de pássaro e canção, a ela-moça-cheirosa e sua família. O pau-de-arara atravessa Pernambuco, Ceará, Bahia e Goiás rumo a capital brasileira, cenário de uma nova-velha novela... E o canto VI é explícito em seu título: “A donzela entra na guerra”. É Brasília procurando emprego, fosse de risco ou pesado, pelejando de bravo e valente peão, ninguém notando, pois, sua fêmea condição...

Ainda que um ou outro
Se pegasse a admirar
Os seus olhinhos pequeninos,
Convites de mergulhar,
Mas logo se censurava
Frente ao desejo ímpar.


Enquanto isso, num outro canto da cidade, Assum Preto lê folheto bonito para a sua freguesia, como a Princesa da Pedra Fina ou Juvenal contra o dragão... O tempo roda, o tempo passa, e entre roda gigante e bandeiras, numa festa mais iluminada que quermesse, acontece a inauguração da cidade, recebendo toda aquela multidão. Já se sabe, não se sabe, como faz o cantador para encontrar a amada?

Melodia sem Brasília,
Para que Brasília existe?