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21 de junho de 2017

chuva de haicais, 2


Guilherme de Almeida, em MEUS VERSOS MAIS QUERIDOS (1967) retoma cinco haicais publicados em POESIA VÁRIA (1947) e é, deste volume anterior, que a Internet me traz uma CHUVA DE PRIMAVERA.
Vê como se atraem
nos fios os pingos frios!
E juntam-se. E caem.
Então, Paulo Leminski – LA VIE EN CLOSE (Brasiliense, 1991) –
chove no orvalho
a chave na porta
como uma flor no galho


Um pulo no JARDIM DE HAIJIN, livro para jovens leitores de Alice Ruiz S (Iluminuras, 2010) PNBE 2012 –
dia de chuva
orquídeas na cozinha
espiam pela janela
Haijin é a pessoa que faz haicais ou HAI-KAIS, como o irreverente Millôr Fernandes (L&PM Pocket, 1997), com sua métrica e velocidades próprias:
Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.

Então troco José Paulo Paes por Maria José Palo, para entrar na poesia para crianças com a lembrança do livro HISTÓRIAS EM HAI-KAI (Vale-Livros, 1992), em parceria com a artista plástica Kris Palo na composição visual, que se inicia com uma chuva de sementes coloridas semioticamente reais:
eu te ofereço:
sementes de luz e cor
no fundo do mar!

E logo colhemos, das mãos de Angela Leite de Souza, TRÊS GOSTAS DE POESIA, primeiramente com ilustrações de Marilda Castanha (1995) e depois com Lúcia Hiratsuka (Moderna, 2002).
Lá vai meu boné
volteando pelo céu...
Cabeça-de-vento!

Esta é a chuva que um livro dispara em nossa mente, em uma nuvem carregada de poetas, cada qual com seu posto-espírito de observação e... metalinguagem também, como neste haicai dos HAICAIS PARA FILHOS E PAIS, de Leo Cunha, um livro “recortado” [espie] com amostras de cor por Salmo Dansa (Record, 2013) –
As quatro estações
não moram nos calendários
e sim nos haicais.


Nas asas do verso, termino PREGUIÇOSO que só:
Levanto-me cedo...
Deus condói-se e manda chuva,
num livro adormeço.
* Ler a primeira parte desta seleção >> chuva de haicais, 1

25 de março de 2013

diálogos nem sempre dialógicos...

O’ABRE ASPAS para um olhar especial


“Entra em cena a função pedagógica, que se utiliza da imagem como uma estratégia para materializar, determinar e preencher aquilo que poderia se transformar, pela imaginação do leitor-criança, num campo vago e impreciso de possíveis construções imagéticas [...] Não resta dúvida de que é uma forma de dar veracidade à narração, conferindo à palavra-geral e simbólica um caráter de índice, de existente real e individualizado. É a conexão, por contiguidade e subordinativa, texto-ilustração que permite maior eficácia do processo comunicativo, garantindo que as informações nucleares da narrativa, graças ao estímulo da imagem, criem hábitos associativos tais que sejam inscritos diretamente no pensamento da criança com o mínimo de esforço e com o menor dispêndio de energia possível.” (Maria José Palo e Maria Rosa D. Oliveira) Literatura infantil: voz de criança, 1983.