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Tudo que é belo, ardente e temeroso parece vir do céu, como o sol, a lua, um lampejo, os temporais e os anjos também... Muitas perguntas dançam do pensamento ao verso que Leo Cunha iluminou sobre o papel, numa delicada chuva de descobertas que caem ludicamente dentro da aquarela de Cris Eich. A menina e o céu #editoraftd (2014) #litetaturainfantil #poesia #leocunha #criseich
Tem texto leve. Não faltam histórias aos poetas, mas talvez uma preguiça venha até eles e deixem escapar os personagens através do vento, como o esboço de um enredo que jamais vai encontrar o final da escrita. Para onde vão? Essas histórias, conta Xan López Dominguez, há muito tempo vivem em sua lembrança... Minhas histórias perdidas #editoramelhoramentos (2011) #prosapoetica #xanlopez
Tem texto leve. Porém, longo. Tal como são as percepções, quando adentram a memória de Pê. E o vasto mundo que ele descobriu. Ainda na infância, ainda rio. Dono de afetos e árvores que ele mesmo redescobre. Em cada palavra e lance do coração desbravado em imagens, repetições, nomes e o desafio de ser o ser... Pê e o vasto mundo #editorapositivo (2014) #prosapoetica #pauloventurelli #fereshtehnajafi
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4 de dezembro de 2015
18 de março de 2014
uma baleia para visitar
Peter O. Sagae
Algo que não se consegue apanhar com os olhos, o que é?
O narrador que conta a VISITA À BALEIA, em seu duplo testemunho e dupla textualidade, velho e menino, sugere a este leitor que é o passado. De tempos longínquos, ou um dia ontem, não importa. Enquanto o tempo passa, a memória inventa – e esta é toda a lição que não se aprende nos bancos escolares...
Comecemos por um ponto que não é o mesmo por onde começa o conto, mas é objetivo saber: o menino César frequentava a escola e desobedecia, por necessidade da imaginação, a falta de ventura e aventuras dos infrutíferos temas de composição demandados pela professora. É assim que Paulo Venturelli (2012) alia-se a uma tradição de narrativas, como Conto de escola, de Machado de Assis (1884), ou Cazuza, de Viriato Corrêa (1938). Na literatura, a escola não tem sido representada com a doçura de uma paisagem para explorações, mas um mundo em clausura, talvez como na vida, um espaço presidiário. Por isso, penso na estratégia do autor em nos fazer adentrar e lembrar uma velha sala de aula somente nos últimos parágrafos da narração. E não seria à toa que, aliás, o conto principia evocando a ruptura com o confinamento diário: “Eu acabava de botar o ponto final nos deveres da escola, quando meu pai chegou com a notícia...”
É preciso dizer como, da maneira de apresentar o mundo, nasce igualmente a linguagem do autor. Frases longas, quantas vezes, mesmo, tropiquei após um verbo, inseguro do complemento nominal, onde era substantivo, onde fosse comentário do narrador. Paulo Venturelli escreve, da primeira cena à garupa da bicicleta, como uma ‘escada bamboleante’ por onde o leitor logo se apinha e sobe à narrativa. Contudo, o passeio que se faz da casa até a praça para ver a tal baleia, debaixo da lona verde do circo que se fixou naquela cidade pequena do interior, ora, esse passeio para o leitor é uma coisa como a passarela de corda grossa, a ponte que dará ao outro lado do conto, ou seja, que levará o leitor pela memória de César a visitar a baleia!
A narrativa é refletida na estrutura da narração. O tão aguardado momento de ver o extraordinário é desviado das vistas do leitor por artimanhas do narrador que recria pessoas, diálogos, situações, novelos de histórias e sentimentos de uma pequena cidade onde todos se conheciam e se viam nas ruas, entre automóveis e cotovelos, no centro, na igreja, na sorveteria, no cinema, no circo... Cada detalhe remetendo a outros episódios de família e vizinhos. São pequenas tábuas reticentes, narrativas intercaladas. Talvez exista na escritura de Venturelli uma intenção. De limpeza.
“Então entendi: estávamos passando por cima da baleia e, nela, nada se movia. Imensa corcova, como coxilha deslocada, oferecia sua pele sem brilho, com certas manchas esbranquiçadas aqui e ali. Acho que alguma gaivota fez cocô, jogaram água na intenção de limpeza, e a coisa ficou escorrida. Onde estava a cabeça, o rabo? Olhei para um lado e outro. Tudo era igual.”
A pergunta sobrevém: era verdade, era baleia? É algo ela também que não se pode alcançar com os olhos? Mas a verdade aqui é outra: ponto de vista de velho, ponto de vista de menino. A história se duplica no confronto e na passagem de um narrador-personagem, em tom de memória, para o personagem-autor de suas aventuras. O velho quer contar um fato, circundado de outras lembranças, mas o menino quer tão só contar textos, tipo coisa que César tem apenas uma memória para outras histórias, como Moby Dick, Jonas, Pinóquio... A narrativa encerra uma abertura, no escuro onde a poeira dança em um típico halo de lusco-fusco que é a intertextualidade. E, portanto, tanto verdade, quanto não verdade, essa visita à baleia. Nenhuma voz desmente o acontecimento. Visitam-se reciprocamente.
VISITA À BALEIA, de Paulo Venturelli, foi ilustrado por Nelson Cruz (Positivo, 2012). É um livro infantil para crianças amadurecidas que conquistou repercussão e estima da crítica, em 2013, com o Prêmio FNLIJ “Ofélia Fontes” Melhor para Crianças e Melhor Ilustração (Hors-Concours), 30 Melhores Livros do Ano da revista Crescer e o segundo lugar do Prêmio Jabuti (Melhor Livro Infantil). O autor também foi selecionado para a Lista de Honra 2014 do IBBY, recebendo um certificado na Cidade do México, no próximo setembro.
“Mais um tempinho e chegamos. Desviando a cara do tronco do pai que ziguezagueava, se contorcendo para os lados, em cada pedalada, enxerguei ao longe a fila imensa, tão longa a ponto de atravessar a praça que ficava em frente do Café Pigalle. Senti aperto na boca do estômago...”
Algo que não se consegue apanhar com os olhos, o que é?
O narrador que conta a VISITA À BALEIA, em seu duplo testemunho e dupla textualidade, velho e menino, sugere a este leitor que é o passado. De tempos longínquos, ou um dia ontem, não importa. Enquanto o tempo passa, a memória inventa – e esta é toda a lição que não se aprende nos bancos escolares...
Comecemos por um ponto que não é o mesmo por onde começa o conto, mas é objetivo saber: o menino César frequentava a escola e desobedecia, por necessidade da imaginação, a falta de ventura e aventuras dos infrutíferos temas de composição demandados pela professora. É assim que Paulo Venturelli (2012) alia-se a uma tradição de narrativas, como Conto de escola, de Machado de Assis (1884), ou Cazuza, de Viriato Corrêa (1938). Na literatura, a escola não tem sido representada com a doçura de uma paisagem para explorações, mas um mundo em clausura, talvez como na vida, um espaço presidiário. Por isso, penso na estratégia do autor em nos fazer adentrar e lembrar uma velha sala de aula somente nos últimos parágrafos da narração. E não seria à toa que, aliás, o conto principia evocando a ruptura com o confinamento diário: “Eu acabava de botar o ponto final nos deveres da escola, quando meu pai chegou com a notícia...”
É preciso dizer como, da maneira de apresentar o mundo, nasce igualmente a linguagem do autor. Frases longas, quantas vezes, mesmo, tropiquei após um verbo, inseguro do complemento nominal, onde era substantivo, onde fosse comentário do narrador. Paulo Venturelli escreve, da primeira cena à garupa da bicicleta, como uma ‘escada bamboleante’ por onde o leitor logo se apinha e sobe à narrativa. Contudo, o passeio que se faz da casa até a praça para ver a tal baleia, debaixo da lona verde do circo que se fixou naquela cidade pequena do interior, ora, esse passeio para o leitor é uma coisa como a passarela de corda grossa, a ponte que dará ao outro lado do conto, ou seja, que levará o leitor pela memória de César a visitar a baleia!
A narrativa é refletida na estrutura da narração. O tão aguardado momento de ver o extraordinário é desviado das vistas do leitor por artimanhas do narrador que recria pessoas, diálogos, situações, novelos de histórias e sentimentos de uma pequena cidade onde todos se conheciam e se viam nas ruas, entre automóveis e cotovelos, no centro, na igreja, na sorveteria, no cinema, no circo... Cada detalhe remetendo a outros episódios de família e vizinhos. São pequenas tábuas reticentes, narrativas intercaladas. Talvez exista na escritura de Venturelli uma intenção. De limpeza.
“Então entendi: estávamos passando por cima da baleia e, nela, nada se movia. Imensa corcova, como coxilha deslocada, oferecia sua pele sem brilho, com certas manchas esbranquiçadas aqui e ali. Acho que alguma gaivota fez cocô, jogaram água na intenção de limpeza, e a coisa ficou escorrida. Onde estava a cabeça, o rabo? Olhei para um lado e outro. Tudo era igual.”
A pergunta sobrevém: era verdade, era baleia? É algo ela também que não se pode alcançar com os olhos? Mas a verdade aqui é outra: ponto de vista de velho, ponto de vista de menino. A história se duplica no confronto e na passagem de um narrador-personagem, em tom de memória, para o personagem-autor de suas aventuras. O velho quer contar um fato, circundado de outras lembranças, mas o menino quer tão só contar textos, tipo coisa que César tem apenas uma memória para outras histórias, como Moby Dick, Jonas, Pinóquio... A narrativa encerra uma abertura, no escuro onde a poeira dança em um típico halo de lusco-fusco que é a intertextualidade. E, portanto, tanto verdade, quanto não verdade, essa visita à baleia. Nenhuma voz desmente o acontecimento. Visitam-se reciprocamente.
VISITA À BALEIA, de Paulo Venturelli, foi ilustrado por Nelson Cruz (Positivo, 2012). É um livro infantil para crianças amadurecidas que conquistou repercussão e estima da crítica, em 2013, com o Prêmio FNLIJ “Ofélia Fontes” Melhor para Crianças e Melhor Ilustração (Hors-Concours), 30 Melhores Livros do Ano da revista Crescer e o segundo lugar do Prêmio Jabuti (Melhor Livro Infantil). O autor também foi selecionado para a Lista de Honra 2014 do IBBY, recebendo um certificado na Cidade do México, no próximo setembro.
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“Mais um tempinho e chegamos. Desviando a cara do tronco do pai que ziguezagueava, se contorcendo para os lados, em cada pedalada, enxerguei ao longe a fila imensa, tão longa a ponto de atravessar a praça que ficava em frente do Café Pigalle. Senti aperto na boca do estômago...”
19 de janeiro de 2011
um cara plausível impossível
por Peter O’Sagae

Qualquer moleque pode imaginar-se dois, alguém duplicado que faz e vê o que faz, ao mesmo tempo. Ser mais, ser múltiplo, ser piá ou guri, o tempo todo. Por dentro. Criar um rinoceronte debaixo da cama, conversar com Papai Noel enquanto ninguém está vendo. Napo faz dessas! A gente pode mesmo ir a outros lugares sem sair daqui. É bom saber voar, tirar os pés do chão, sentindo-se mais mágico. Qualquer um pode ver as coisas que normalmente quem vive olhando os próprios pés não enxerga. Ou não quer enxergar. É bom também quando os sentimentos vão para o alto, alto, alto. Napo é meio assim: nuvem de poesia e perguntas sobre o mundo inteiro. E respostas rápidas que ninguém sabe de onde ele tira! Napo, o menino que não existe? Existe e insiste em ser sempre um cara plausível impossível. Que é isso? Descubra, filosofando e divertindo-se a cada disparate, recordação, capítulo ou instante deste livro que é como um álbum — e Napo a sua principal figurinha. Rara.
Intencional ou curiosamente, a coleção Metamorfose estreia com três autores nascidos nos três estados da região Sul do país, com três narrativas ambientadas em três cidades de lá. De Porto Alegre, o gaúcho Luís Dill escreveu O estalo, com ilustrações de Rogério Coelho e apresentação de Moacyr Scliar; natural de Brusque, Santa Catarina, Paulo Venturelli é autor de O anjo rouco, ilustrado por Laurent Cardon e introduzido por Nelson de Oliveira na interna de capa; por fim, coube-me a leitura e escrever a respeito da obra de Edson Bueno — Napo, um menino que não existe, com imagens de Cris Eich e descrições que me chamaram à memória o cotidiano da parentela do interior paranaense. Um álbum de recordações, instantes... ou um álbum de figurinhas?

Outras imagens de Napo, no blog de Cris Eich [gota d’água no papel]

Qualquer moleque pode imaginar-se dois, alguém duplicado que faz e vê o que faz, ao mesmo tempo. Ser mais, ser múltiplo, ser piá ou guri, o tempo todo. Por dentro. Criar um rinoceronte debaixo da cama, conversar com Papai Noel enquanto ninguém está vendo. Napo faz dessas! A gente pode mesmo ir a outros lugares sem sair daqui. É bom saber voar, tirar os pés do chão, sentindo-se mais mágico. Qualquer um pode ver as coisas que normalmente quem vive olhando os próprios pés não enxerga. Ou não quer enxergar. É bom também quando os sentimentos vão para o alto, alto, alto. Napo é meio assim: nuvem de poesia e perguntas sobre o mundo inteiro. E respostas rápidas que ninguém sabe de onde ele tira! Napo, o menino que não existe? Existe e insiste em ser sempre um cara plausível impossível. Que é isso? Descubra, filosofando e divertindo-se a cada disparate, recordação, capítulo ou instante deste livro que é como um álbum — e Napo a sua principal figurinha. Rara.
Coleção Metamorfose
Intencional ou curiosamente, a coleção Metamorfose estreia com três autores nascidos nos três estados da região Sul do país, com três narrativas ambientadas em três cidades de lá. De Porto Alegre, o gaúcho Luís Dill escreveu O estalo, com ilustrações de Rogério Coelho e apresentação de Moacyr Scliar; natural de Brusque, Santa Catarina, Paulo Venturelli é autor de O anjo rouco, ilustrado por Laurent Cardon e introduzido por Nelson de Oliveira na interna de capa; por fim, coube-me a leitura e escrever a respeito da obra de Edson Bueno — Napo, um menino que não existe, com imagens de Cris Eich e descrições que me chamaram à memória o cotidiano da parentela do interior paranaense. Um álbum de recordações, instantes... ou um álbum de figurinhas?

Outras imagens de Napo, no blog de Cris Eich [gota d’água no papel]
Dobras da Leitura O'Blog tem [+]
algumas orelhas e textos de quarta capa que fiz,
Cris Eich,
Editora Positivo,
Edson Bueno,
Laurent Cardon,
Literatura Juvenil,
Luís Dill,
Paulo Venturelli,
Rogério Coelho
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