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12 de janeiro de 2011

tem uma rua com lua cá dentro do baú

* texto de peter o'sagae para as internas de capa ou orelhas do livro


Mágico, poeta e cantor: este é o Raimundo Matos de Leão que aqui se mostra em cada ponto, em cada trama de seus textos para teatro. Um teatro que não traz um mundo pronto, daquele jeito que a gente se acostumou a olhar, mas vai sendo construído no relampear de palavras, feito aos poucos pouquinho, que se revela repentinamente brincante e inteiro ante os olhos do espectador.
Tear de gestos, o teatro dedicado para crianças me parece ser a grande arte das transformações, um jogo dramático, livre por excelência. Afinal, no teatro, podemos ser outro que não nós mesmos, podemos viver onde desejamos nos encontrar... Com gestos imaginativos, o palco, o picadeiro, um quintal, qualquer outro espaço que nos cerca, irá conter o mundo — caminhos de viajar. Nossa bagagem está dentro do antigo baú, todo instante é hora de partir. A cada passo, uma história.

Em "Brincadeiras", quatro personagens — feito gente que nem a gente, cabeça, tronco, braços e pernas — vão saindo do escuro e iluminam o próprio nome. Isso é bonito: a criação ganha existência e tudo mais pode acontecer... e, veja você, acontecem muitas coisas! Dá até vontade na gente de pular da cadeira para o palco, participar de verdade... Essa é a idéia que alinhava as curiosas "Estrepolias na ribalta".

Ritmo da palavra que trama a trama: eis o livro, eis o texto teatral "Quem conta um conto, aumenta um ponto" trazendo cinco estórias cadenciadas, resgate de nossa tradição oral. Costura de boa agulha, a voz é a corda que prende e acorde que desperta o canta-conto bailarino e brasileiro. Ritmo de Raimundo que é narrador da vida, narrador de mão cheia, mambembe e saltimbanco, giroflê, mascate e servidor de alegria.

E, no floreio de fitas e falas, por fim, a fogueira 'inda acesa é a memória generosa, cravo, rosa e manjericão: "Cai, cai, balão" faz baixar as cortinas desse livro. No crepitar do mundo, vamos nos encontrar com aquele tico de pessoa que fomos um dia — e desejamos, então, o retorno.

Tudo bem, que no baú tem sempre rua com lua.
Quem vem?


* Quem conta um conto, aumenta um ponto, de Raimundo Matos de Leão (Letras da Bahia, 2001) trata-se de uma obra selecionada pela comissão da Secretaria de Cultura e Turismo e Fundação Cultural do Estado da Bahia. Posteriormente, a peça homônima ao título da coletânea tornou-se um livro independente. Ver postagem abaixo.

ritmo da palavra que trama a trama

Dobras da Leitura 14


De Raimundo Matos de Leão, Quem conta um conto, aumenta um ponto, com ilustrações de Sérgio Palmiro (Saraiva, 2002)


... eis o livro, eis o texto teatral QUEM CONTA UM CONTO, AUMENTA UM PONTO, indicado ao Prêmio Mambembe de 1980 e que nos traz cinco histórias cadenciadas resgatando a tradição oral. No palco, um cantador movimenta os atores e a fantasia do público rumo a um grande festejo de cores!

Tão logo os atores se reúnem, o contador tira a primeira de cinco histórias que ouviu quando menino, sentado na porta da rua em noite de lua cheia. Tem rei, rainha e príncipe, é um velho conto de magia europeu com as desventuras do Príncipe Lagartão. Depois, sai a contar um caso de muito grude, a facécia ligeira e engraçada do macaco preso a uma boneca de cera, seguida pela história da Menina dos Brincos de Ouro que acabou presa no surrão, com a mítica figura do Homem do Saco. A quarta história é uma lenda que explica como rato, gato e cachorro tornaram-se inimigos. Por fim, uma façanha heróica de Lampião, acontecida num certo mês de fevereiro... No meio de muita poeira, quando o cangaceiro bota fogo no inferno e faz a diabada vir abaixo na hora em que a ripa vadeia!

É oportuna a publicação do texto de Raimundo Matos de Leão. Nas palavras de Regina Zilberman, “teatro para ninguém botar defeito, ainda mais porque valoriza a tradição popular, diverte, e dá a maior força para os que parecem dominados, mas têm coragem e energia suficiente para mudar sua sorte. Sua poesia e linguagem em tom brasileiro fazem a gente desejar se aprofundar em nosso folclore e em nosso teatro, abrindo caminho para, num passo seguinte, conhecer a obra de Ariano Suassuna, por exemplo.”

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