5 de maio de 2010

para venda, compra e troca...

Dez anos de estrada e areia


"Num Saara que não tem fim, o camelo de pêlo dourado e o camelô que caminha do lado, passo e peso compensavam, carga de mil badulaques..." Gloria Kirinus, no livro O CAMELO E O CAMELÔ, com ilustrações de Rui de Oliveria (Paulinas, 1997).

"E seu dono era um comerciante saudita que atravessava desertos carregando mercadorias [...] Olemac era obrigado a levar tantos penduricalhos que parecia um camelô das arábias." Fernando Vilela, em OLEMAC E MELÔ (Companhia das Letrinhas, 2007).

3 de maio de 2010

vermelho tempo de dentro

por Peter O’Sagae

Shaun Tan
trad. Isa Mesquita
A ÁRVORE VERMELHA
Edições SM, 2009

ISBN 9788576754664
24 x 31,5 cm 32p.


Ao olhar que não lê, a obra de Shaun Tan será apenas uma mensagem de encorajamento complementada com imagens aterradoramente belas, tal a força do código verbal, em sua dimensão assertiva. “Às vezes, o dia começa sem nada de interessante no horizonte e as coisas vão de mal a pior.” Se, então, se reconhece tratar do pensamento-sentimento de uma personagem de cabelos vermelhos, abrimos nosso próprio coração a um ambiente ficcional, novo, que as páginas ilustradas oferecem.

Há que se reconhecer também um caminho, além do começo e antes do fim: o espaço de uma estranha cidade fragmentada por cenários sombriamente expressivos, carregados de cor, indiferença e talvez símbolos — de um sonho que pesa nos ombros da pequena figura que vai adiante, cabeça baixa. Há que se reconhecer ainda o intervalo de um tempo que marca a passagem da solitária figura de um lugar a outro. Existe uma linha condutora e, assumidamente, o que se atribui ao livro é um estatuto de narrativa, uma poderosa narrativa visual.

Folhas secas caem do teto ao chão, no quarto da menina, onde o dia começa e começa também sua confissão. As folhas secas caem, preenchem o quarto e estão à sua cintura: a menina abre a porta e começa assim o seu caminho. Mas, por onde ela passa triste e distraída, nem repara uma folha viva de bordo vermelho, perdida que fica, a cidade sem a visão da menina. O leitor, ao contrário, é quem a encontra... Sempre. Os cenários se sucedem, sem razão ou sentido aparente, mas não tenho palavras para resumir o que sejam. Vamos cirandando ideias, criando meandros internos da cidade que vemos cheia de metáforas e sugestões.

Ao final do livro,
o fim do caminho,
o mesmo quarto —


“mas de repente lá está ela, bem na sua frente, luminosa e viva, esperando tranquila, exatamente como você havia imaginado”. Sim, a árvore vermelha — jamais citada verbalmente, além do título. Depois de tanto que se buscou, lá está ela: belíssima anáfora, em que a ilustração preenche o pronome! Mas, quanto tempo se passou? Um dia?

O intervalo talvez aí não se meça com palavras. Pois na base do experimentalismo de sua narrativa visual, o autor australiano afirma que o livro não carreia uma história a ser contada. Que a razão se aventure, consequentemente, com olhos para ver. A menina, de volta ao quarto, não parece mais menina: toda uma vida se passou por dias que se repetiram, repetiram, repetiram do começo ao fim...

A chave desta leitura está no meio do livro, nas páginas que ilustram a contagem do tempo. O enigma, na concha do caracol e no olhar-câmera que dá distância à personagem. Quão leve é a poeira, a poesia.

um lance de dados e um lobo

Ah, Mallarmé, que sorte para a menina!


“Vê, Chapeuzinho Vermelho, que lindas flores há por aqui. E como os passarinhos estão cantando! Caminhas muito séria, sem sequer olhar para os lados, como se estivesses indo para a escola, sem prestar atenção na beleza da floresta.” (Contos de Grimm: obra completa, trad. David Jardim Júnior. Villa Ricca, 1994 p. 330).

1 de maio de 2010

juva e o jovem leitor

Dobras da Leitura recebeu...

[informações da quarta capa]

O LABIRINTO DA CABEÇA DE MATILDE, de Juva Batella (2008). Esta é a história de uma menina chamada Matilde e de um menino chamado Eduardo Só. Eles não se davam muito bem, até que um dia o Só teve um sonho. Sonhou que entrava na cabeça da Matilde e lá encontrava um labirinto de corredores que o levavam aos mais misteriosos recantos e cantinhos da mente daquela menina.

EM BUSCA DO AMOR PERDIDO, de Juva Batella (2008). A Clara tem doze anos e resolveu que quer ser escritora. Por isso decidiu começar a sua vida de escritora escrevendo a história da sua vó Amália e dos seus dois amores. Dois amores? Isso mesmo, os dois amores da vó Amália: o Amâncio e o Renato. Esta história de amor é daquelas de antigamente: começa em 1930, quando a Amália tem quinze anos, e termina somente em 2007...